Na certa as coisas mudaram na minha vida nos últimos meses que estive treinando para dançar Giselle, mas o fato mais marcante de todos foi à lesão de Larissa. Ela foi ao médico quando saiu da Escola Municipal e ele disse que ela tivera uma coisa grave, não entendemos muito bem quando a professora explicou, pois ela usou a mesma linguagem dos médicos que acham que somos especialistas.
            A partir dai me tornei à bailarina que faria Giselle, ganhei o papel principal e meu pai ficou feliz por mim, apesar de não dar muita importância a isso.
            - Quando vai arrumar um trabalho? – Perguntava meu pai. – Sabe que a estrela brilha para poucos!
            - E porque ela não pode brilhar para mim?
            - Pois se sua estrela fosse brilhar, ela já teria brilhado há muito tempo.
            É! Eu realmente não era uma garota que tinha o apoio que precisava para manter um bom psicológico, mas eu me esforçava para isso, e conseguia me manter sã mesmo tendo pessoas tentando fazer-me desistir de dançar balé, as pessoas queriam que eu fosse uma simples trabalhadora, realmente não havia nascido para isso, apenas minha irmã mais nova me entendia, aquela tinha grandes sonhos, ou melhor, nós tínhamos grandes objetivos.
            Não me deixando abalar por nada, continuei os ensaios tranquilamente, a professora pegava cada vez mais duro comigo, queria a minha melhor forma, a minha melhor dança, seria o momento de minha formatura.
            - Oito anos de esforço não podem ser desperdiçados por um erro.
            Como se eu fosse desperdiçar oito anos da minha vida cometendo um erro, tudo bem, o certo é fazer a apresentação perfeita, mas depois de conseguir isso, sete vezes seguidas, eu acho que merecia algum crédito, porém os professores e professoras do Municipal não entendiam, exceto minha professora de música, ela era a mais próxima de mim e uma das únicas que acreditavam em meu potencial.
            - Um dia você será uma grande bailarina Júlia, acredite em mim. – Ela dizia toda vez que parávamos para conversar.
            - Não sei. Você é muito generosa, Alice não pensa assim.
            - Alice não se importa com o sentimento das garotas, ela deposita seu próprio fracasso de se tornar uma grande bailarina nas alunas, isso é o pior erro que um mestre pode cometer, e muitos cometem.
            Sempre ficávamos conversando após as aulas, eu tinha que esperar o meu ônibus por quase uma hora. Morar longe do centro de São Paulo era horrível, a exaustão do treino era apenas uma parte, a ida e volta dividia todo o cansaço. Quando chegava em casa, não conseguia fazer nada, comia qualquer coisa, tomava meu banho e ia direto para a cama, ainda era cedo para dormir, eu não tinha sono, mas precisava relaxar o meu corpo.
            - Ah! Que droga. – Eu disse quando a luz solar da manhã tocou os meus olhos.
            Eu precisava mesmo ir para escola? Bem, era o que eu pensava todos os dias quando acordava, esperava alguns minutos na cama até começar pensar que se eu dormisse ali de novo, não conseguiria acordar e perderia à hora e eu não poderia perder a hora, era a melhor aluna da sala e uma das melhores do colégio.
            Lavava as mãos, depois o rosto, enxugava o rosto com a toalha e depois começava a escovar meus dentes, passava a água em minha boca e depois voltava a enxugar as gotículas de água que haviam voltado para o meu rosto, comia alguma coisa e tornava a escovar os dentes, rotina chata, entre os 15 primeiros minutos após acordar, na verdade isso já estava tão automático que eu ainda não estava “completamente” acordada.
            Chegando a escola, todos me observando, como eu caminhava, como eu sorria ao ver alguém que gostava, como meus cabelos louros balançavam, os garotos queriam ser meus amigos, e muitas garotas também, porém como já disse, eu era muito excluída por ser muito na minha, sem falar de mais ou mostrar de mais, apenas achava que tratar o meu físico bem era a única obrigação que eu tinha. Subia as escadas, a e como subia, minha sala ficava no último corredor, e esse era outro fator cansativo em minha vida.
            Entrando na sala, aqueles olhares novamente, como quem pensa:
            “A garota arrogante”, “A bonitona”, “Nossa, ela é uma gata”, “Não acredito que essa idiota veio”. Eu acho que era mais ou menos isso, a reação das pessoas sobre mim não variavam muito, ou eram bem positivas ou bem negativas, porém eu ignorava todas.
            Física, matemática e química, sempre foram as minhas matérias preferidas, e também gostava muito de filosofia e inglês, eu queria muito ficar fluente em inglês, eu precisava, afinal quem quer dançar fora, quem quer sair do país, precisa disso.
            - Muito bem, irei entregar as provas da semana passada. – A professora de Matemática disse com um bolo de papeis de caderno. – Vocês deveriam se envergonhar de tirar notas baixas em Matrizes, quero ver quando forem para o vestibular.
            Os professores sempre falavam em vestibular, vestibular, talvez nunca tenham reparado que muitas pessoas dali não tinham o objetivo de entrar em uma faculdade, e todos eles tentavam fazer os alunos acreditarem que aquilo era o melhor para eles, mas todos nós tínhamos sonhos diferentes, e muitos deles não estavam dentro dos meios acadêmico-funcionais.
            Minha nota foi a mais alta da sala, 9,95... Pois é, eu errei algo que eu realmente não deveria ter errado, escrevi um dos enunciados diferente, tudo bem, aquilo não tinha nada a ver com matemática, mas os professores estavam começando a levar todos os detalhes a sério, sempre citando que no vestibular não haverá desculpas. Como se tivéssemos que copiar algum enunciado no vestibular.
            Saindo da escola, comecei a correr o máximo que eu podia, eu era atrasada simplesmente por sair no horário correto, então precisava pegar o primeiro ônibus que aparecesse pela avenida e improvisar pelo caminho, assim eu conseguia chegar alguns minutos antes da aula começar.
            Estávamos chegando aos ensaios finais, às mães de todas as garotas estavam muito ansiosas para a apresentação assim como em todos os anos, meu pai por outro lado, estava um pouco cansado, sempre com a mesma expressão morta, eu sabia que ele não gostava de ir até o teatro para me assistir, mas como pai pelo menos ele poderia fingir, não poderia? De qualquer jeito eu não me importava. Pelo menos minha irmã adorava as apresentações, era um lugar que ela podia exibir suas roupas formais do Christian Dior, compradas com o suor de não gastar uma só moeda de toda a mesada.
            Minha insegurança, na certa era o que mais irritava Alice, na verdade ela estava com medo que quando chegasse a hora eu não conseguisse fazer tudo perfeitamente, e isso deixava Leonardo mais preocupado comigo, ele percebia que sob pressão eu começava a errar, começava a perder a leveza e acabava fazendo tudo errado. Mas ele me ajudava muito, ele deixava as coisas mais fáceis com sua perfeita leveza e mesmo assim eu conseguia estragar tudo com meu corpo endurecido sob a pressão.
            - Vamos garota, você vai conseguir é só relaxar. – Leonardo disse ao nos encontrarmos depois das aulas, na “praça dos gatos”.
            - Você acha mesmo?
            - Não! – Ele retrucou. – Mas eu tenho que dizer isso, pois você é minha parceira, tem a obrigação de acertar, se não estragará a minha dança!
            Esse foi um momento que me deixou realmente para baixo, mas eu tinha que parar de me influenciar pelas coisas que os outros falavam a mim. Eu tinha talento, se não tivesse não teria sido escolhida para ser a reserva de Larissa, então porque me colocavam tanta pressão? Eu estava conseguindo fazer bem o papel nos treinos, estava ficando um pouco estressada.
            O tempo foi se passando, as coisas não estavam melhorando, quanto mais eu acertava, mais pressão recebia, talvez se eu começasse a errar me deixariam em paz, tudo bem, eu estava sendo um pouco dramática, mas como estaria uma garota de 17 anos, prestes a se formar no Municipal de Bailado, e ansiosa para tirar o “DRT” de dança? Depois de conseguir isso eu poderia seguir a minha carreira, independente de entrar em uma companhia ou não, bem, eu não estava muito crente de conseguir entrar em uma companhia, mas com certeza poderia me tornar uma boa professora.
            - O que é que estou pensando?! – Disse a mim mesma em voz alta.
            O fim do ano chegara, e todos nós estávamos ansiosos para o que viria em seguida, nossa professora enfim nos disse a data do ensaio geral, no próprio teatro da Vila Mariana, era um grande teatro, o palco nem tanto, mas era bonito, havia muitas cadeiras, tinha certeza que as pessoas chamariam suas famílias inteiras.
            Na data do ensaio geral, precisei faltar à escola, era sexta-feira, e dançaríamos mesmo sábado. As garotas não saíram juntas do Municipal para o teatro, fomos cada uma por conta própria, eu quase me perdi por algumas vezes, mas no fim achei o local, eu entrei, ele ainda estava praticamente vazio, apenas com algumas bailarinas, então fiquei esperando que alguém falasse alguma coisa para mim, e esperando que o resto das garotas, chegassem logo, pois a professora já estava lá as esperando, e com sua expressão de impaciência.  [...]        

10 Comentários

  1. Muito legal!!! Mas naum sou fã de ler de poukinho em poukinho...sou mto ansiosa pra isso...

    http://conversandocomdragoes.blogspot.com/

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  2. rsrs..

    Ah! Mas você acostuma a ler pelo menos uma história de Capítulo em Capítulo! E depois quem sabe, se uma editora publicar daqui um tempo, você lê inteiro! :D

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  3. Adoro ler tbm, só que não tenho paciencia de ler de pouquinho em pouquinho a curiosidade me faz ler tudo de uma vez! hahaha
    sigam meu blog por favor: http://nefertari-bela.blogspot.com/
    BJ

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  4. Estou gostando muito da história.

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  5. Aiaiaiaiai a cada dia que passa fico curiosa sabia, e cade os proximos capitulos? aushuashuash

    Bjkss

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  6. Ai ai, concordo com a Kate, sabe?!
    Eu sou muito curiosa e nem gosto de ler, senão fico ansiosa por mais! Dei uma espiada semana passada, prefiro esperar a íntegra, senão fico com "xilique" rsrs

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  7. Que bom que está gostando Dê... Quando a trama começar, ficará mais interessante.

    Ah! Sei lá, isso é como ver um seriado ou desenho se acompanhado num canal americano enquanto está sendo lançado, 1 capítulo por semana! o/ HASUHSA

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  8. Guilherme Viniciussábado, abril 02, 2011

    nossa,rsrs,prefiro um capitulo por dia,ou mais né,desse jeito você nos deixa ansioso,e ansiedade é uma coisa que não curto nem um pouquinho. :)

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  9. rsrs.. Eu posso lançar um por hora... Essa não é a questão, a questão é que o blog tem suas regras, e eu as sigo! ^^

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  10. Quero mais, estou ansiosa,uma semana é demais,mas estarei esperando o próximo capítulo.

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