O meu mundo parecia estar perfeito, as coisas estavam começando a dar certo, mas tudo na vida que é bom, dura pouco, e isso todos nós já estamos cansados de saber. Minha desanimação momentânea não foi dada por algum motivo em especial, tudo com Lincoln ainda estava perfeitamente correto e combinado, mas este não foi o problema, o grande problema foi a notícia que recebi de Layla, quando eu estava tão animada para ver aquele que poderia se tornar alguém tão especial em minha vida.
          Layla me ligou em pânico, eu senti medo e receio, no momento pensei até que fosse tratar de algo de minha irmã, por isso fiquei terminantemente preocupada, quase comecei a chorar, mas o tom da minha melhor amiga era diferente, apesar de preocupada, ela não estava triste ou aos brandos, foi a minha maior sensação de alívio, saber que minha Elisa estava bem.
          -... Não há nada com Elisa. – Disse Layla ainda preocupada. – Mas devo te contar que seu pai não está bem, ele esta no hospital.
          - No hospital? – Perguntei surpresa. – Como assim? O que houve?
          - Não sei exatamente o que ocorreu, mas me disseram que ele estava bêbado e entrou em uma briga, ele não se deu bem nessa história, saiu com grandes complicações e agora... Corre risco de vida.
          Eu desliguei o celular no mesmo momento, fiquei muito preocupada com o que Elisa sentiria se meu pai morresse, apesar de todas as coisas, e do jeito estúpido dele, ela ainda era muito pequena para simplesmente quebrar os laços com alguém que viveu sua vida toda, pois ela ainda não tinha toda essa força psicológica.
Lincoln me deu todo apoio necessário naquele momento, e disse que me levaria para o Brasil, passaríamos duas semanas lá para tentar resolver este assunto, ou ver o desfecho dessa história, o grande problema era a distância que eu estava abrindo da companhia e de Danielle, ela que estava me ajudando tanto, mas também cobrava demais a minha ajuda.
          Felizmente consegui deixar tudo acertado com ambas partes que me preocupavam, a companhia, apesar de teimar para mim que problemas pessoais não poderiam interferir em minha carreira profissional, acabou cedendo este espaço, porém eu não confiei muito no espaço dado, fiquei com receio de que no fim das contas, eu saísse prejudicada. O importante era que Lincoln estaria comigo, quer dizer, ele também estaria afastado da companhia, talvez isso me desse alguns créditos, talvez não.
          - Você deve ficar tranquila garota! – Ele me disse com um leve abraço. – Tudo dará certo, e eu sei muito bem que morre de saudade de ver sua irma pessoalmente.
          - Sinceramente, eu tenho a maior saudade do mundo por ela, só não a trouxe para cá, com o objetivo de não prejudicar minha carreira.
          Ele entendeu o que eu queria dizer, ele me entendia por completa, parecia o homem dos sonhos ao meu lado, e eu querendo tanto ter uma relação decente, eu querendo tanto conseguir estar ao lado de algum amor verdadeiro, e nessa altura do campeonato meu pai aparecia na história para atrapalhar mais uma vez. Os apegos familiares às vezes não ajudam muito, simplesmente atrapalham, mas a verdade é que eu nunca conseguiria conviver com a ideia de que minha irmã estava sozinha no momento em que ela perdeu seu pai.
          Nada ainda havia ocorrido, mas uma sensação estranha já estava dominando o meu corpo, eu sabia que algo errado estava acontecendo e provavelmente aquele seria o fim de meu pai, eu só não estava conseguindo concretizar o pensamento de que eu não teria mais ninguém acima de mim na hierarquia familiar, após perder minha mãe, sempre fiquei imaginando como seria perdê-lo e por fim ficar sozinha, agora eu estava começando a imaginar certamente como seria, e não sei se era apenas em minha cabeça, mas na minha imaginação, eu via uma família mais feliz, eu Lincoln, Elisa, e quem sabe após o fim de minha carreira, filhos.
          Um dia antes de partirmos para o Brasil, ensaiamos bastante no estúdio de Danielle, foi o dia mais pesado de treinamento, ela queria me deixar praticamente preparada para descansar por uma semana, e para isso, eu teria que fazer em um dia, o que eu faria em todo o resto.
          - Isso se chama rendimento. – Ela repetiu pela milésima vez em tom alto. – Rendimento sempre deve ser mantido, e se você vai precisar de tempo, antes você precisa compensar o que irá perder, acredite, é mais fácil do que compensar depois, com os músculos travados.
          Ao fim do treinamento, eu estava quase que literalmente morta, eu passei mal, e ela não esboçou nenhuma reação sobre isso, ela não estava preocupada, ou pelo menos com seu nível de profissionalismo nada demonstrava, a despedida conosco foi seca, eu não entendi, ela estava um pouco diferente naquele dia.
          Lincoln foi comigo até o apartamento, ele estava preocupado, mas antes ele já tinha passado em sua casa para pegar as coisas, significava que ele iria dormir comigo, o que me deixou completamente maluca e com a cabeça fora do lugar.
          - Tem certeza que quer dormir aqui?! – Perguntei sem intenção de obter um “não”.
          - Eu devo dormir. – Ele respondeu como o imaginado. – Teremos que partir cedo e não quero que nada como o trânsito nos atrapalhe. E também temos assuntos que não chegaram ao fim.
          Depois que tomei meu banho para retirar o meu suor, fiquei apenas de toalha, liguei a televisão e deitei em minha cama, fiquei com o cobertor sobre o meu corpo, e muito constrangida com o fato de que aquele rapaz iria deitar-se ali, porém ele me disse algo interessante:
          - Não precisa se preocupar Júlia, você ainda é tão nova, às vezes imagino até que nunca teve uma experiência... Você entende.
          - Ah! Não! Q-quer dizer, eu já tive sim. – Respondi envergonhada. – Não precisa se preocupar com isso também.
          - Mas vou me deitar na poltrona, ela vira um ótimo sofá-cama.
          A verdade é que eu queria que ele se deitasse ali comigo, que rolasse um clima, e fizéssemos amor, mas meu constrangimento pessoal ainda era maior do que os meus desejos, já que nesses momentos eu já estava conseguindo controlar as ações impulsivas e sem pensamento.
          Ao fim, ele dormiu ao meu lado, mas longe de tocar o meu corpo de forma a me desrespeitar naquele momento. Ficamos conversando até às 3:00hrs, o assunto estava muito bom, se tratava de nós dois, eu não via motivos para interromper, já que meu sono quase nem existia mais, pensando é claro, na Elisa. 
          Quando acordamos, tudo estava pronto para retornarmos ao Brasil, meu país de origem, o lugar onde eu sempre vivi, eu queria aproveitar essa grande chance para levar minha irmã embora comigo, infelizmente, eu não poderia me responsabilizar, se acontecesse algo com o meu pai, ela seria entregue ao parente maior de idade mais próximo, e eu não tinha noção se no meu caso, a autorização para deixar o país com fins de trabalho continuaria ativa... Tudo isso se resume apenas a uma palavra, e ela é saudade. 

2 Comentários

  1. Oie! Parabéns Augusto... Não conhecia seus escritos, mas gostei do que li(não li td ainda pois estou no trabalho rs). O seu livro já pode ser encontrado para vender?
    Bjos
    Lilo
    Redenção

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  2. Oi Ká, tudo bem?!

    Gostei daqui =)

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    Tenho um blog brechó também www.brechodameninazen.blogspot.com =)

    Um beijo,
    Fernanda.

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