Antes de voltar para Londres, levei Lincoln para conhecer melhor a cidade, comemos em um ótimo restaurante, olhando um para o outro sem oscilar, nunca pensei que ficaria tão apaixonada por ele como eu estava agora, meus sentimentos estavam florando, Layla dizia que era possível notar apenas olhando para os meus olhos, eu estava muito diferente.
          Eu colocava muita fé em tudo isso, acreditava que tudo daria certo, estava sendo perfeito, sem nenhuma dificuldade eu simplesmente estava adorando estar ao lado dele, uma experiência realmente inesquecível, ele era muito conquistador, admito que caí nas graças dele por esse fator, e os sentimentos vieram apenas depois.
          Neste dia estávamos muito felizes, eu estava tranquila e tinha feito um trato com minha melhor amiga, eu poderia chegar tarde em casa, não precisaria me preocupar, ela estaria cuidando muito bem de Elisa, contanto que eu conseguisse me divertir o suficiente como eu nunca havia me divertido antes, acreditei que isso não seria possível, mas eu estava errada mais uma vez, pois ele me proporcionou o dia mais memorável de minha vida.


          Jogamos conversa fora o tempo inteiro, sem se preocupar com o tempo, ele bebeu algumas doses de cerveja e eu preferi ficar apenas no suco de laranja, todos já sabiam que eu não gostava muito de beber ou ingerir qualquer substância que não fosse saudável, sempre foi o meu jeito, e eu não pretendia muda-lo muito rápido.
          Depois de jantarmos naquele belo restaurante, saímos em direção ao nada, andando para todos os lados que conseguimos, estávamos muito felizes, eu nunca havia me visto daquele jeito antes, as chamas do amor estavam acesas por todos os lados dentro de mim, isso nos levava a parar em cada poste para um leve e doce beijo, até que vimos uma placa onde estava escrito: MOTEL.
          Nos animamos e entramos, Lincoln deixou tudo pago antes que subíssemos para o quarto, eu não sabia o que fazer, estava muito ansiosa para uma situação dessa, talvez eu devesse relaxar um pouco e manter a calma, mas eu não conseguia impedir, ele me beijando me envolvendo, parecia que estava me dominando, conquistando cada setor de meu corpo, exatamente como um parceiro da dança faz, porém de forma diferente é claro.
          Quando percebi já estava tão envolvida na situação, que estávamos fazendo amor. Foi uma noite incrível, eu não consigo esquecê-la de forma alguma, foi ali que eu me descobri por completa, ali que senti as maiores emoções de minha vida, as maiores sensações, sem me importar com mais nada que estivesse acontecendo ao externo, só conseguia me concentrar em ser feliz.
          Na manhã seguinte, acordei sentindo os braços dele sobre meu corpo, eu estava aquecida e aconchegada, não queria sair dali de forma alguma, mesmo que eu precisasse voltar logo para a casa, era o dia da despedida, era o dia de preparar as coisas para voltar a minha rotina comum.
          Não me sinto mal por minha família se resumir apenas em mim e minha irmã, para alguns parecia uma coisa estranha, do tipo: “Onde está toda a família dessa garota?”. Infelizmente as coisas são assim, se os seus pais e avós não tem irmãos, praticamente não existe uma grande linha familiar para ser seguida, existe apenas a linha reta, o que faz existir uma grande chance dela começar aumentar exatamente na minha geração, já que eu diferente deles tenho uma irmã.
          Chegando em casa, percebi que as garotas ainda estavam dormindo, eram apenas 7hrs da manhã, dormiram tarde, evidentemente pela bagunça que estava aquela casa, Layla havia feito um bom trabalho, para ela nunca faltava ideias de deixar a garota feliz mesmo longe de todas as pessoas de sua família, mesmo que à partir deste dia, nada disso seria mais necessário, pois ela seria a minha família presente, ao meu lado todos os dias.
          - Vamos acordando lindas! – Eu disse alto o suficiente para elas escutarem. – Precisamos ir rápido.
          Após terminar de falar, eu me joguei em cima do colchão acordando-as de vez, minha irmã sentiu-se bem, me deu um beijo logo em seguida, Layla fez o mesmo, eu estava ficando triste só de imaginar que iria ficar longe dela, ela sempre esteve tão presente em minha vida, eu não podia pensar muito nisso, deveria pensar apenas nas coisas boas e que estavam dando certo.
          - Ei, Júlia, eu sei que você está triste por minha causa, não faça isso, eu vi como você chegou aqui, teve algo especial! Você sabe que eu nunca vou me esquecer de você, nós vamos ficar juntas, eu prometo.
          Nos abraçamos forte e posteriormente começamos a chorar, Elisa e Lincoln ficaram apenas observando, também chateados pela situação, mas nada podiam fazer, isso era o que deveria ser feito, mesmo que pudesse estragar uma amizade de longo tempo.
          Elisa se apegou muito a Layla no tempo em que eu estava em Londres, passaram momentos tristes e felizes, sempre disponíveis uma para a outra, apesar da diferença da idade, era evidente que a garota conseguia levar uma amizade com pessoas mais velhas, tinha uma mentalidade e personalidade avançada, adorava falar com todo mundo.
          Começamos a fazer as malas e este foi um dos momentos mais tristes de todos, agora as coisas estavam realmente chegando ao fim, e o taxi já havia sido chamado para nos levar ao aeroporto.
          Ao caminho do aeroporto, conversamos apenas sobre os planos para nos vermos no ano novo e sempre que pudéssemos. Estávamos 100% convictas que iriamos nos ver o mais rápido possível.
          Chegando ao aeroporto, caminhamos pelos largos corredores e depois partimos em direção a uma grande fileira de bancos, e assim ficamos ali esperando as chamadas de embarque, aproveitando para trocarmos nossas últimas palavras.
          - Vocês compraram um voo bom não é? Não quero que de repente chegue uma notícia dizendo que o avião caiu. – Layla disse rindo.
          - Esse voo não cai. – Respondeu Lincoln. – Pelo menos é o que dizem não é?
          - Diziam que o Titanic não naufragava. – Intrometeu-se Elisa. – E onde ele está agora?
          Passando o tempo, ouvimos a primeira chamada, levantamos e caminhamos em direção da portaria de embarque, Lincoln e Elisa cruzaram tal portaria, mas eu fiquei do lado de fora por um tempo, precisava dar um abraço forte em Layla, precisava ser um momento memorável, caso acontecesse algo que nos impedisse de nos ver. Poderia ser triste se parasse para pensar, mas eu estava chegando a um ponto muito feliz em minha vida, companhia, namorado, família, conseguiria juntar todos esses pontos em um só bairro, eu estava querendo muito que isso acontecesse.
          - Sabe que seremos amigas para sempre, não sabe?! – Eu disse olhando para o rosto de minha melhor amiga.
          - Tenho certeza, isso nunca mudará, nunca!
          - Eu te amo Layla.
          - Eu também...
          Nos abraçamos pela última vez, e ali as lagrimas começaram a tomar conta de nossos sentimentos, não conseguimos aguentar, mas começamos a nós separar aos poucos, e assim eu embarquei, foi um momento emocionante, tenho certeza que ela ficou chorando por algumas horas depois que parti, pois fui para Londres na mesma situação, era uma coisa quase impossível de ser suportada, essas coisas não são fáceis, pelo menos eu tinha certeza de algo: Desse momento em diante, eu levaria minha vida de forma ainda mais diferente do que vinha levando, tudo estava maravilhoso, principalmente entre eu e Lincoln, eu não conseguia ficar longe dele por muito tempo, no avião, fomos abraçados, ele foi tão dócil e gentil nos momentos difíceis, por isso eu nunca consegui criar uma resistência a ele, e a idade era o que menos importava tratando-se do que estava acontecendo. 

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