Eu estava sendo uma completa metamorfose ambulante, tudo que acontecia parecia estar mudando de um dia para o outro, sem ter muita certeza do que estava certo ou errado, continuei seguindo forte os meus princípios profissionais adquiridos com o tempo em uma grande companhia de Ballet. 
          Lincoln? Aquele doce homem aceitou que eu ficasse com Dani, mesmo tendo sido descartado por ela, e era tanto tempo de amizade, era difícil ficar entre os dois vendo tal distância sem explicação viável, mas como isso não tinha nada a ver com a minha vida, deixei o assunto quieto, assim seria melhor ter uma relação estável em amos casos.
          Minha paixão aumentava a cada momento, eu gostava quando ele me olhava treinar no apartamento, e tudo isso foi aumentando e aumentando, nós passamos muitas noites juntos, não existia mais insegurança dentro de mim, me entreguei em seus braços, quando saíamos juntos, eu ficava besta, o romance dele era de um típico Europeu, um homem realmente delicado, do jeito que eu sempre quis.




          Vendo que todos os meus sentidos ficavam aflorados perto de dele, eu sabia que estava o amando, julgando pelo modo do qual me olhava, eu o via sentindo o mesmo, só não podia ter tanta certeza, ele dizia palavras doces para declarar seu amor, mas as pessoas confundem sentimentos, por isso nunca acreditei em um “Te amo” qualquer, não que ele fosse um qualquer, já havia passado muito disso, mesmo assim era melhor guardar uma parte de mim, guardar uma insegurança, pois se algo acontecesse, eu conseguiria me manter viva, não digo viva literalmente, mas digo viva de espírito, creio que quando as pessoas dizem que morrerão sem tal pessoa, significa morrer por dentro. 
          Morrer por dentro? Será que um dia eu me sentiria assim por algum relacionamento? Eu tinha tanto medo que acontecesse, e quando os braços do rapaz me abraçavam forte eu sentia que isso não seria possível por muito tempo, era algo mais lindo do que “gostar” de alguém, era amar alguém, um sentimento tão gigantesco. Eu gostava quando ele me acariciava, quando suas mãos desciam pelos meus braços até as minhas mãos, ele as segurava com força enquanto beijava meu pescoço, atrás de mim, me dizia que eu era única, a mais bela e futura melhor bailarina do mundo.
          Bela eu sempre fui, mas em relação a dança, eu nem chegava perto, ele dizia só para me agradar, mesmo sabendo que eu não concordava com tais afirmações, ele continuava, e aquilo tudo ia me contagiando, fazíamos amor nos motéis mais caros da cidade, depois voltávamos para meu apartamento, se Elisa estivesse dormindo, fazíamos amor novamente no sofá, fora a parte profissional, minha vida estava sendo aquele homem.
          Falando em gastar dinheiro em motéis caros, recebi uma proposta, queriam comprar minha casa no Brasil, não fazia nem duas semanas que eu havia colocado a venda, foi uma grande jogada de sorte que deu certo, aceitei a proposta no mesmo momento e alguns dias quando vi o dinheiro na minha conta somando ao meu primeiro verdadeiro salário, abri um enorme sorriso, agora a única coisa que me impedia de comprar uma casa, era a nacionalidade, pois meu visto de trabalho não permitia compra de residência fixa, pelo menos não com tão pouco tempo no local.
          Cogitei a ideia de que futuramente pudesse me casar com Lincoln, pensei até em dizer algo para ele, mas talvez fosse um choque, não sei, preferi ficar quieta e pedir conselhos da Layla.
          -... Ainda acho muito cedo para isso. – Foi sua resposta. – Eu sei que vocês estão apaixonados, mas de repente ele não aceita, e você irá se machucar, não vai?
           - Eu não sei, creio que se eu pedir com os argumentos certos, ele aceitaria.
          - Aceitaria o que? – Ele disse abrindo a porta de meu quarto.
          Desliguei o telefone na cara dela, mas ela entendeu a situação, eu fiquei sem graça e agora teria que inventar alguma história, ou então por um fim nisso, dizendo para ele a verdade. Realmente, quando dizem que a verdade pode ser dolorosa, isso também serve para aquele que a contará, fiquei perplexa e completamente vermelha eu disse:
          - Sabe, não sei, sabe... Estava pensando, futuramente, não estou dizendo agora, claro que não, m-mas, você já... Já pensou em ficar comigo assim, definitivamente?
          - Está falando de casar?! – Ele perguntou impressionado, depois deu alguns risos amigáveis. – Eu não acho que seja a melhor opção nos próximos anos, talvez quando já estivermos em algo mais profundo por mais tempo.
          Fechei a minha expressão de felicidade e troquei-a pela da tristeza, ele chegou perto de mim, sentou-se ao meu lado, mexeu nos meus cabelos, acariciou meu rosto como costumava fazer ao me ver chateada, me deu um leve beijo e prosseguiu:
          - Eu te amo mais do que tudo nessa vida, menos do que te ver tendo uma grande carreira, isso pode arruinar sua vida.
          - Tudo bem, me desculpe... Foi apenas um pensamento idiota.
          Meus olhos estavam lacrimejando, não sei porque me senti tão triste, afinal eu sabia que ele não daria uma resposta positiva, minha melhor amiga havia acabado de me dizer que a grande probabilidade era de um não em forma eufêmica, e naquele triste momento não existiu clima nenhum para irmos a cama, então ele foi embora do apartamento sem me dizer absolutamente mais nada.
          No dia seguinte fui para o Koshitova Ballet, a cada dia o local ficava mais bonito, agora os pisos já estavam todos colocados, as paredes com grandes pilastras e candelabros dava um ar medieval, colossal, ou melhor dizendo, um ar celestial. Nós treinávamos oito horas por dia, Danielle não dava uma chance de preguiça, tinha um método muito rígido, nenhuma outra menina arriscava pedir um tempo, a cada dia ela contratava mais bailarinos e músicos, ela não só queria ter a própria companhia, mas queria que a companhia produzisse música própria, sem depender das orquestras internacionais em Teatros fora do país, assim ela criava um grande clima entre todas nós, parecíamos uma família, nos divertíamos sem superficialidade, era muito diferente do ENB, estávamos sendo artistas, não apenas meninas que sabem dançar bem, mostrando a outra que sabe mais, ou nos rebaixando para as que sabem.
          - Ei, Libélula! – Gritou um rapaz quando eu estava saindo da companhia para voltar a minha casa. – Ei, espere um pouco...
          - Meu nome é Júlia se quer saber.
          - Eu sei seu nome, mas apesar de não ter gostado, adorei tal definição. Mesmo que a Libélula não tenha a liberdade e voe parada, é um ser maravilhoso que tenta sempre dar o seu melhor... Se quiser sair qualquer dia, estou a disposição.
          - Sou comprometida!
          - Ah! Desculpe-me. – Ele disse com ar de decepção. – Geralmente as garotas que estão na cidade há pouco tempo, ficam sozinhas. Mesmo assim, adorei lhe conhecer, até mais.
          Agora rapazes da companhia queriam sair comigo? Minha confiança está nas alturas, me sentindo muito boa no que eu estava fazendo, realizada, pois é, aquela grande bailarina me deu a chance de ser livre outra vez, foi um erro duvidar de suas palavras, se não fosse ela, eu não estaria me sentindo tão bem quanto eu estava me sentindo no momento, mesmo que parecesse ser contra meu namoro com Lincoln.
          Ela sempre fechava a companhia na minha presença e na presença de Christian, eles também pareciam um casal totalmente apaixonado, porém eles eram normais, praticamente a mesma idade, experiência, profissão e beleza, combinavam em todos os aspectos, me fazia parecer alguém que não poderia encontrar alguém melhor, mas eu não estava nem aí, o melhor que eu consegui era o melhor para mim, assim nunca duvidei que meu amor pudesse durar para sempre, vencer todas as fronteiras, incluindo nacionalidade ou idade, acreditei friamente que juntos poderíamos vencer todas as diferenças, é, eu estava exatamente onde eu queria estar. 

2 Comentários

  1. Oi linda!!
    Sou escritora!
    Tem sorteio no meu blog: http://amazoniaumcaminhoparaosonho.blogspot.com/
    Aproveite!!!!!!!!!!!
    Bjs
    marli

    ResponderExcluir
  2. Boa AM ! Muito bom até agora ! Só tem que para de publicar antes de ir as aulas ! Abraços e parabéns !

    ResponderExcluir

Comentários ofensivos e/ou preconceituosos não serão aceitos.

Obrigado por visitar e comentar.