Não foi por Lincoln ser casado e ter uma família completamente estruturada que eu fiquei tão chateada, mas sim pelo simples motivo de ele não ter nunca me dito nada sobre isso e além do mais ter me prometido amor eterno várias vezes enquanto estávamos juntos. Não é uma questão de sofrimento ou raiva, mas naquele momento me senti a pessoa mais tola do mundo, como sempre, afinal, apesar de todos os fatos me mostrarem que eu estava crescendo e mudando minha vida, eu ainda continuava cometendo erros infantis e ridículos.
          Parada na frente daquelas pessoas das quais eu nunca havia visto antes, não tive reação, estranhei totalmente meus sentimentos e não pude espera-lo para conseguir alguma resposta, corri em direção ao meu apartamento o mais rápido que eu poderia ter feito, lá me tranquei, deitei em minha cama e não quis explicar nada para Elisa que ficou me perturbando como sempre.


          No momento meu medo não era perder Lincoln, mas sim, ficar pensando no tempo que eu havia desperdiçado ao lado dele, cada segundo, cada passo, cada detalhe, tudo que fizemos juntos, pode não ter significado nada, e isso era triste, doía extremamente em meu coração, sinceramente eu não sabia o que eu poderia fazer para me sentir melhor, e com certeza não eram as sugestões de Layla que estavam me ajudando no momento.
          - Fique tranquila amiga. – Ela disse ao telefone. – Faça alguma coisa diferente hoje, saia, vá para algum baile que conheça por perto, conheça um cara interessante e fique com ele, apenas para se divertir.
          - Isso é ridículo Layla. – Eu respondi sem medo. – Sabe que nada do que você disse combina comigo, sou uma garota completamente diferente do que você imagina, parece até que você não me conhece.
          - Eu te conheço muito bem, e também sei pelo o que você está passando, mas é preciso deixar sua mente mais relaxada.
          É claro, não era ela que estava vivenciando tudo aquilo, as pessoas sempre têm as soluções para os problemas dos outros não é mesmo? Porém para os problemas delas, sempre ficam em dúvidas e pedindo conselhos, mesmo que sejam os mesmos dos quais falavam que entendiam perfeitamente quando não estavam acontecendo com eles. Pois é, engraçada a raça humana, nunca repara que não podemos fazer nada uns pelos outros, é apenas uma conjectura, tentamos ou fingimos ajudar, mas na verdade tudo o que fazemos é dizer para quem já sabe, o que está acontecendo.
          Preferi não dizer nada a Danielle, ela não gostava quando eu misturava assuntos pessoais com profissionais, então quando cheguei na Companhia pela primeira vez depois disso, eu fiquei calada, sem dizer nada, apenas fui para meus treinos e permaneci completamente na minha.
          Porém de minha individualidade total do dia, ela percebeu que havia acontecido alguma coisa errada, o engraçado é que ela olhava para o meu rosto e dava risada, por que ela estava fazendo aquilo? Eu sinceramente não conseguia perceber, até que fui até ela para perguntar o que era aquilo.
          - Por que ri de mim?
          - Não se assuste, nem fique surpresa, mas sei o porquê você está assim. – Ele disse enquanto continuava fazer os exercícios. – Lincoln já tem um grande ficheiro, e faz isso com muitas garotas, todas ficam assim como você, mas depois passa, pois percebem que ele é um completo idiota, que não merece nem um pouco de atenção.
          Fiquei surpresa e assustada apesar do aviso de Danielle antes de sua própria fala, fiquei triste em perceber que eu não havia sido a única idiota a ser enganada por ele, então era um ridículo que fazia isso com frequência, eu cai em uma que várias outras caíram antes.
          Talvez por aquele jeito todo certinho, todo bonito e romântico de ser, eu deveria ter suspeitado antes, espera um pouco, eu suspeitei, não suspeitei? Então por que eu continuei investindo segundo por segundo? Eu não sei, afinal eu nunca sei de nada mesmo, acontece que agora eu estava pensando algo que poderia ser o real fim de minha vida.
          Lembrava-me de ter ido para cama com ele sem proteção alguma, e há alguns dias eu estava sentindo uma sensação estranha dentro de mim, não pensei em ir no médico ver o que estava acontecendo, simplesmente porque estava com medo de receber aquela resposta devastadora.
          Agora que eu havia parado para refletir melhor, seria bom resolver essa minha dúvida o mais rápido possível, mas antes que eu pudesse sair de minha casa para ir ao hospital, lá estava Lincoln em minha porta, tentando dizer alguma coisa, que não escutei, pois tranquei a porta de todas as formas e fechei meus ouvidos debaixo do travesseiro.
          Eu não deveria atendê-lo, e não o atendi, eu não faria isso comigo mesma, eu estaria sendo ridícula e pateticamente contentada com o que as pessoas fazem comigo, perdoar não é uma opção, perdoar significa dizer que você não foi forte o suficiente para deixar a pessoa na situação que você ficou, não foi forte o suficiente para dar em troca a dor causada.
          Usei todas as minhas forças e consegui ficar tranquila, Elisa não tinha nada a ver com isso, mas estava sofrendo algumas consequências, também já estava na hora dela perceber que quando você é idiota na vida, essas coisas são o que acontecem, é duro dizer, mas por mais uma vez, eu não sabia mais o que fazer dali em diante. 

3 Comentários

  1. Boa noite.
    Não conhecia, gostei bastante.

    Abçs!!

    http://devoradordeletras.blogspot.com/

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  2. Também não conhecia...mas é muito interessante!!!!!!!!!!

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