E ai pessoal, gostaram do 1º capitulo? Eu amei, bem espero que gostem do segundo, e já vou avisando quando eu acabar de divulgar esse livro vou colocar no ar uma promoção para quem comentou em todos os post ^^


Como eu disse antes, quem quiser conhecer o blog da autora entre AQUI


 









  - Podemos ir ainda hoje? – perguntou Diana enquanto estudava da janela do quarto de Nicole o movimento na rua, dez andares abaixo.


     Nicole morava com os pais e o irmão caçula na rua de maior movimentação noturna da cidade. Com isso, ao saírem do prédio luxuoso, precisavam caminhar poucos metros pra estarem nos restaurantes e lanchonetes mais concorridos.


     - Não nasci perfeita como certas pessoas. – respondeu Nicole ácida, ao olhar para a amiga.


     Usando calça jeans, tênis e a abominável blusa de moletom roxa, com os cabelos louros caindo soltos pelas costas, Diana parecia uma boneca em tamanho natural.


     - Ninguém é perfeito. – afirmou Diana virando-se para conferir o progresso da amiga – Vai mesmo de vestido? Está frio lá fora.


     - Mas é novembro, droga! Devia estar calor!


     - Devia, mas não está. E se você não se apressar vamos congelar aqui.


     Nicole conferiu sua imagem no espelho, indecisa sobre trocar o vestido caramelo por outro preto de lã. Jamais admitiria a Diana, mas estava preocupada com o frio que havia aumentado desde que a noite caíra.


     Diana compreendeu o olhar da amiga indo de um vestido a outro e sua indecisão. Achou que a única diferença que havia entre eles era a cor, mas como não foi consultada, não opinou. Uma discussão aquela altura não a faria se vestir mais rápido.


     Vinte minutos depois entraram na Lozano’s. Tratava-se de uma lanchonete pequena, onde a juventude local gostava de se encontrar antes de dirigirem-se em grupos a outras festas. Foram recebidas com sorrisos e beijos no rosto, e sentaram com um grupo do colégio nas ultimas cadeiras disponíveis. Diana ficou de costas para o movimento, mas não se importou. As paredes da lanchonete eram todas espelhadas para dar a sensação de ambiente espaçoso. Assim, independente de onde se sentassem, todos podiam ver e serem vistos.


     Ventos gelados invadiam a lanchonete pela porta aberta, atingindo Diana. Disposta a sofrer o mínimo possível, puxou o capuz da blusa na intenção de proteger as orelhas. Ganhou um olhar reprovador de Nicole sentava a sua frente. Ignorando a amiga conferiu a imagem no espelho a sua frente. O capuz encobria totalmente seu cabelo e a cor roxa parecia acentuar ainda mais a pele branca do rosto e as bochechas vermelhas pelo frio.


     Sentiu estar sendo observada e levantou os olhos. Deparou-se com o olhar de um rapaz que devia estar tentando sair da lanchonete, mas teve seu caminho impedido pelo acúmulo de pessoas próximo a porta. Mesmo através do espelho riscado e engordurado, soube se tratar do rosto masculino mais lindo que havia visto pessoalmente, gloriosamente emoldurado por cabelos castanhos claros.


     O rapaz a encarou com espantosos olhos azuis. Segundos depois sorriu discretamente, antes de sair da lanchonete com amigos que haviam conseguido desbravar caminho na multidão.


     Nicole, percebendo a momentânea saída de ar da amiga e o motivo, cutucou-a por baixo da mesa.


     - Ele está lindo, não?


     Diana voltou a se concentrar na amiga.


     - Você o conhece?


     - Claro! Hello! – Nicole estalou o dedo no rosto da amiga - É o Rodrigo!


     - Rodrigo?


     - Rodrigo Massignan!


     - Devia conhecê-lo?


     Nicole riu meneando a cabeça.


     - De que planeta você é, Diana?


     - Estou falando sério.


     - Pelo visto está! – ela se inclinou sob a mesa - Os pais dele são donos do mercado do centro.


     Diana arregalou os olhos.


     - Ele é irmão do Roger?


     - Sim. Vai me dizer que nunca o viu?


     - Não!


     - Então você é cega.


     - Ele mora aqui?


     - Morou a vida inteira. Mas há dois ou três anos ele e Roger foram estudar em Curitiba.


     - Pode ser por isso que não o conheço.


     - Mas conhece o Roger!


     - Sim. Ele ajudava a colocar as compras da minha mãe no carro.


     - Vai ver Rodrigo não é tão prestativo.


     - Pode ser...


    - Vamos? – perguntou Cezar Toledo as interrompendo. Um amigo motorizado a quem haviam pedido carona depois de perceberem seu interesse em Nicole.


     - Só se for agora! – ronronou Nicole, sem perder tempo em acompanhá-lo.








    Meia hora depois de chegarem ao clube, Diana estava com a blusa amarrada na cintura e invejava Nicole pela leveza do seu vestido. Estavam acompanhadas por Cezar e alguns amigos defronte ao palco, embalados pela banda cover que se mostrava eficiente em agradar. Como adorava dançar, Diana fechou os olhos e se deixou envolver pelo som agitado, sendo somente arrancada de seu estupor por uma cotovelada de Nicole em suas costelas.


     - Mas que diabos...! – Diana começou a esbravejar.


     - Acorda! – Nicole recomendou, lançando olhares às novas companhias acrescentadas ao grupo: Roger e seu irmão Rodrigo.


    Diana deu de ombros, mas não conseguiu manter o ritmo da dança. Balançando-se com mais delicadeza, lançou olhares discretos na direção de Rodrigo, até que um deles foi retribuído. Ele sorriu confiante e levantou o copo de cerveja em direção a ela, como se brindasse em sua homenagem. Confusa, Diana desviou o olhar e voltou a tentar se concentrar no show. Não obteve sucesso.


     Sentiu estar sendo constantemente observada e atendendo ao desejo de uma teimosia que não sabia possuir, o ignorou. Ao mesmo tempo a dança se tornou automática, sem prazer, irritando-a.


    Disposta a acabar com a sensação incomoda, empinou o nariz e virou-se para confrontá-lo. Mas ao mesmo tempo Rodrigo deu-lhe as costas para falar com o irmão, antes de se afastar do grupo.


     Em vez de alívio, sentiu decepção.


     - Deve ter ido ao banheiro. – Nicole sugeriu ao seu ouvido.


     - Não sei do que você está falando.


     - Você é tão transparente! – Nicole riu.


     - Sou? – Diana perguntou preocupada.


     - Yes! Mas ele volta.


     - Como pode saber?


     - Ele pareceu interessado em você. – Nicole explicou.


     - Pareceu? – Diana segurou com força o braço de Nicole – Tem certeza?


    - Uau! – Nicole sorriu ao sentir a tensão no gesto da amiga - Quem diria? Diana Lorenz insegura por causa de um rapaz?


     Diana a largou.


     - Não estou insegura. Só gosto de deixar as coisas claras.


     Nicole segurou o rosto da amiga com as mãos, obrigando-a a encará-la.


     - Ele está interessado. Você é maravilhosa!


     - Você diz isso por ser minha amiga. – foi a vez de Diana se soltar - É sua obrigação!


     - Ah, é? Conte-me então o nome de um menino com quem você quis ficar e não conseguiu?


     Diana não conseguiu responder.


     - Ele é diferente. – tentou explicar.


     - Sim! Ele é maravilhoso! – Nicole afirmou com fervor.


    Naquele momento observaram Rodrigo voltando diretamente em direção a elas. Desta vez Diana não desviou o olhar.


     - Sempre tenho razão... – alardeou Nicole antes de ir dançar com Cesar.


     - Oi. – Rodrigo a cumprimentou. Devido à música alta, seus rostos estavam a poucos centímetros.


     - Oi.


     - Já nos conhecemos? – ele tinha a voz levemente rouca.


     - Acho que não.


     - É nova na cidade?


     - Morei aqui a vida toda.


     Ele a encarou surpreso.


     - Onde você se escondia?


     Ela sorriu mais relaxada.


     - Acho mais apropriado dizer que você se escondia. Conheço o Roger há anos!


     - Serio? - ele estava genuinamente surpreso.


     - Sim, do mercado. Ele me ajudou muitas vezes a levar compras ao carro.


     - O problema de trabalhar no escritório. – justificou – Nos livramos do serviço pesado, mas perdemos a oportunidade de ser útil a mulheres bonitas.


     Diana rolou os olhos, mas não conseguiu evitar o sorriso de satisfação. Ficaria surpresa se soubesse a sensação que esse simples gesto causou nas entranhas dele.


     - Mora em Curitiba? – ela perguntou sem pensar.


     Foi à vez de Rodrigo sorrir. Ela havia se informado sobre ele.


     - Sim. Faço faculdade de Engenharia.


     - E o Roger?


     - Ele cursava Administração. Já se formou.


     Sem premeditação os dois se afastaram do palco e do som alto.


     - Você está na faculdade?


     - Vou prestar vestibular mês que vem. Também em Curitiba.


     - Para o quê?


     - Direito.


     - Uma advogada.


     - Não. Delegado de Polícia.


     Ele sorriu surpreendido.


     - Não seria nada mal ser preso por você.


     Ela ignorou o galanteio sem graça. Em parte porque ele segurou sua mão.


     - Gosta desse tipo de musica? – ela perguntou quando um silencio tenso se abateu sobre eles.


     - Prefiro sertaneja.


     Pretendia comentar o fato de um estilo nada ter a ver com outro, mas não houve tempo. Rodrigo beijou-a e o tipo de musica tocando era a ultima coisa que interessava a ela.


  Mais tarde concluiria que sair com homens experientes fazia toda a diferença. Tivera relacionamentos amorosos com garotos da sua idade, mas nenhum deles havia evoluído ao patamar de namoro. Recriminava a si mesma por não ter paciência para os jogos de sedução de garotos, principalmente porque sabia que sua beleza os intimidava. Mas naquela noite as coisas estavam sendo diferentes. A começar pelo beijo. Uma explosão inédita e espantosa de sensações. Correntes elétricas viajavam por todas as terminações nervosas do seu corpo, desde os dedos dos pés ate o couro cabeludo.


     Maravilhada, Diana não queria que a sensação acabasse mais. Para deixar isso claro soltou sua mão da dele e passou os braços em volta do seu pescoço.


     A banda cover acabou seu show, o som mecânico foi ligado, mas Diana e Rodrigo não registraram esse fato. Mantiveram-se exatamente no mesmo lugar do salão a noite toda. Somente quando a música mecânica já havia sido desligada e quase não havia mais ninguém no salão, é que voltaram a conversar.


     - Todo mundo foi embora. – comentou Rodrigo com a voz mais rouca do que o normal pela falta de uso.


     - Definitivamente. – concordou Diana olhando ao seu redor. As únicas pessoas que ainda estavam no salão, com exceção deles, eram funcionários da limpeza e técnicos recolhendo os últimos instrumentos de som.


     - Vamos? – ele perguntou sem entusiasmo.


     Diana preferia ter respondido precisamos? Conformou-se em apenas concordar com a cabeça.


     Mal saíram do salão e o frio da madrugada a atingiu com força total. Parou e vestiu a blusa que até então estivera em sua cintura, sentindo-se imediatamente reconfortada.


     - Essa cor combina com você.


     - Acha mesmo?


    - Sim. Foi o que primeiro atraiu meu olhar a você. – ele comentou, indiferente ao olhar de descrença dela, enquanto tirava seus cabelos de dentro da blusa, espalhando-os pelos ombros como um manto contra o frio.


     Quando chegaram ao carro de Rodrigo, Diana parou enlevada. Era o mesmo conversível que havia chamado sua atenção naquela manhã, durante a aula.


     - Uau! – foi tudo o que comentou.


     - É do Roger. Às vezes ele me empresta.


     - Mas hoje de manhã você estava com ele.


     Ele a olhou interrogativamente.


    - Hoje de manhã vi esse carro passando em frente ao meu colégio e o motorista tinha cabelos claros.  - explicou - Roger tem cabelos escuros.


     - Bem observado. E já que estamos com ele, onde a madame deseja ir?


     Diana conferiu as horas constatando com pesar que já passava das cinco da manhã.


     - Preciso ir pra casa.


     - Tem certeza? – ele perguntou com o sorriso murcho.


     - Infelizmente.


  Diana indicou o caminho e Rodrigo estacionou alguns metros a frente da residência, dando-lhes privacidade para mais beijos.


     - Hoje a noite alguns amigos do Roger farão um churrasco numa chácara. Está a fim de ir?


     - Estou. Posso convidar a Nicole? – perguntou, correndo o risco de ser interpretada como imatura. Mas não iria sozinha a uma festa quando nem ao menos sabia o local.


     Ele sorriu.


     - Tenho certeza de que o Cesar a convidou.


   Diana teve um vislumbre de Nicole trocando beijos com Cesar durante a noite. Como não percebera isso antes?


     Mas a resposta estava ali, na frente dela, com lindos olhos azuis de acompanhamento.


     - Então estou dentro.


     - Passo pegá-las as sete.


     - Combinado.


    Depois de um ultimo beijo demorado, Diana entrou silenciosamente em casa. Porém, antes de fechar a porta de seu quarto, ouviu sua mãe tossir forçadamente, demonstrando que estava acordada. Um aviso sutil de que conversariam seriamente pela hora em que Diana estava voltando pra casa.


    A preocupação com a iminente bronca durou poucos segundos. Vestiu seu pijama de sapos, deixando a blusa de moletom roxa estendida com destaque no quarto. Deitada, tentava entender a sensação de prazer que o simples beijo de Rodrigo lhe proporcionara.


   Sempre se perguntara se seria diferente de suas amigas. Elas adoravam alardear as sensações deliciosas que as carícias de garotos lhes proporcionavam. Algumas como Nicole, se deixavam envolver tanto que não eram mais virgens. Mas Diana nunca havia sentido nada. Até deixara dois garotos tocarem em seus seios, mas o máximo que conseguira sentir fora desconforto.


     Mas com Rodrigo foi diferente. Ele não precisou tocá-la. Ele nem ao mesmo tentara e ela não acreditava ter sido capaz de impedir se ele o fizesse. Não havia nada de errado com ela, concluiu satisfeita.


   Antes de dormir soube que nunca fora tão feliz. E não podia sequer imaginar que naquele momento, Rodrigo compartilhava da mesma sensação que ela.







6 Comentários

  1. Nossa, que delicinha!
    A leitura fluiu bem... ansiosa pelo próximo capítulo!
    Beijos

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  2. "Não seria nada mal ser preso por você", ui!
    Gente, adorei hahah

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  3. Pô, legal. Ótima leitura. Rápida e fácil. Prende bem o leitor. Deu vontade de ler o livro agora, rs.

    Fátima Menezes - @fatimamd

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  4. Esse jeito homeopático de ler está sendo bem divertido.
    Esse amor entre os jovens (ai me senti uma idosa agora) é tão fofo. Principalmente pela Diana ser ela mesma e não seguir a turma do livre, leve e solto.Isso é bem raro hoje em dia(eu fui assim - me sentido uma idosa de novo kkkkk)


    Um leve bater de asas para todos!!!!!!!!!!

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  5. Diana apaixonada pelo Rodrigo,isso irá render muito.Se bem que se ela só falar no Roger,o Rodrigo irá achar que ela gosta do irmão.kkkkkkkkk
    Adorei,até o próximo capítulo
    bjs

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