Mais uma semana, e lembrando quem comenta ganha, vamos comentar pessoal ^^ 

Essa semana mais três capítulos para você.

Livro Diana- 10º Capitulo - Daianne Coll

Seis Anos Depois...
     Diana estacionou o carro na única vaga disponível em frente a loja de conveniências. Não gostava de fazer compras em lojas de conveniências pelos preços abusivos, mas estava com pressa de chegar em casa e se unir a Gabriel para mais uma sessão de filmes e pipoca de sexta a noite. Havia se atrasado por causa do trabalho.


   Enquanto enchia sua cestinha com refrigerantes, salgadinhos, chocolates e amendoins japoneses, reconheceu com assombro o bonitão a sua frente como sendo o empresário Conrado Portman, que havia sido casado com a famosa atriz de novelas Vanessa Klein. Ele também comprava baboseiras comestíveis e se dirigia ao caixa – desta vez Diana ficou pasma – com sua filha adolescente, Melissa, a qual devido a fama da mãe, vivia sendo clicada por paparazzis.
     Eles agiam como se fossem pessoas comuns e Diana parou de encarar, se concentrando em terminar suas compras. Mas logo sua atenção foi dirigida a três rapazes que entraram na loja usando capacetes de motocicleta. Isso, Diana sabia, era mal sinal.
    Ela largou a cesta e observou um deles se dirigir ao caixa, enquanto outro se infiltrava entre as gôndolas, e o ultimo permanecia estrategicamente na porta.
    Olhou para as pessoas ao seu redor, confirmando que nenhuma delas percebia o que estava para acontecer, inclusive Conrado, que conferia o Iphone, enquanto sua filha estava nos fundos da loja decidindo qual água com sabor deveria comprar.
    Diana raciocinou rápido. Se o assalto durasse segundos e só dinheiro fosse roubado, ela não teria porque enfrentar os assaltantes e expor pessoas ao confronto armado que possivelmente se seguiria. Ao mesmo tempo a adolescente famosa iria se desesperar para chegar perto do pai e poderia ser reconhecida. O assalto poderia se transformar em sequestro.
    Diana chegou ao lado de Melissa no momento em que os assaltantes anunciavam o roubo e mandavam que todos deitassem no chão. Ela tapou a boca já aberta da menina com sua mão e a fez deitar ao seu lado, escondendo-a dos assaltantes.
    - Fique calma, Melissa. Sou policial. – ela cochichou no ouvido da menina. Apesar e assustada e chorando, ela meneou a cabeça demonstrando que havia entendido.
    Diana libertou a menina que obediente não liberou nenhum som. Mas o alivio momentâneo evaporou quando Diana percebeu que o assalto não estava ocorrendo tranquilamente como esperava.
    - Quer morrer velho? – perguntou o assaltante próximo ao balcão. O funcionário do caixa - um senhor de idade bastante nervoso - não conseguia colocar o dinheiro com rapidez numa sacola, devido as suas mãos tremulas.
     - Só mais um minuto. – pediu o funcionário humilde.
     - Se a policia chegar vou matar todos vocês...
    Nesse momento, uma funcionária desavisada entrou na loja pela porta dos fundos e assustou os assaltantes. Aquele que estava no caixa efetuou um disparo em sua direção, acertando a gôndola de bebidas ao seu lado. Iniciou-se uma gritaria generalizada entre assaltantes e vítimas.
    Sabendo que não havia escolha, Diana mandou Melissa não se mexer, sacou a pistola de sua cintura e levantou-se com agilidade. Apontou a arma para o assaltante do caixa, ficando parcialmente protegida dos outros pela gôndola de doces.
     - Polícia! – gritou – Ergam as mãos onde possa vê-las.
     Claro que não seria fácil, Diana aina conseguiu pensar. O assaltante do caixa reagiu efetuando diversos disparos em sua direção. Diana, em compensação, precisou de apenas um para acertá-lo exatamente entre os olhos, único local desprotegido pelo capacete. O impacto jogou o assaltante de costas contra o vidro da fachada, espatifando-o em mil pedaços.
     Enquanto o assaltante da porta corria em fuga, o outro que estava dentro da loja passou a desferir disparos na gôndola em que Diana se protegia, parando somente quando ela se jogou sobre ele, atingindo-o com um tiro no ombro direito. Ele largou a arma já sem munição.
    Com movimentos ágeis e impiedosos, Diana algemou seus braços nas costas, fazendo-o urrar de dor.
     - Vigiem ele. – determinou enquanto recolhia as armas dos assaltantes, antes de sair pelas portas duplas de vidro atrás do assaltante que correra.
     A poucos metros avistou as luzes de sirenes que se aproximavam e interceptou uma das viaturas, relatando aos policiais o havia ocorrido e dando as características do terceiro assaltante. Ligou para alguns colegas de serviço e pediu reforço enquanto voltava para dento da loja, onde paramédicos atendiam o assaltante baleado no ombro.
     - Alguém mais se feriu? – ela perguntou olhando ao redor para as pessoas assustadas, algumas querendo sair da loja e ir embora daquele local de pesadelo.
     - Não. – respondeu um paramédico – Aquele não teve chance. – apontou para ao assaltante que jazia sem vida no meio da vitrine, como se fosse uma grotesca mercadoria exposta.
     - Era ele ou eu. – Diana se sentiu na obrigação de justificar.
     - E fez bem, minha filha. – anunciou o senhor do caixa – Você salvou nossas vidas.
     Todos ao redor concordaram com resmungos, palavras de incentivo e de agradecimento.
     O olhar de Diana cruzou com o de Conrado. Ele estava abraçado a filha que chorava com o rosto escondido em seu peito. Balbuciou “obrigado” com os lábios, antes de voltar sua atenção para a menina.
     Alguns minutos depois uma gigantesca camionete preta parou com estardalhaço em frente a loja, de onde cinco homens da equipe de Diana desceram, todos vestidos de preto e parecendo preparados para a guerra.
   - Levantamos os dados da quadrilha e temos a provável localização do terceiro assaltante. - anunciou  Mateus, investigador e braço direito de Diana - Ao que tudo indica é menor de idade.
    - Imaginei. Não estava armado e saiu correndo no momento em que as coisas começaram a desandar.
     - Você está bem?
     - Estou. Mas a adrenalina ainda não baixou. – ela fez sinal para que ele se aproximasse e baixou a voz – Está vendo aquele cara grandão ali? De jaqueta de couro marrom, abraçado com a garota?
     Mateus acompanhou sua indicação.
     - Sim.
     - Aquela menina é filha da Vanessa Klein. Aquela atriz famosa, sabe?
     Mateus arregalou os olhos.
     - Está brincando?
    - Não. Quero que você pegue os dados pessoais dele e da menina para colocarem no boletim de ocorrência. Depois os acompanhe até o hotel, ou seja lá onde for que eles estão hospedados. Se ele quiser prestar depoimento ainda hoje, melhor. Senão os dispense e avise que mandarei uma precatória.
     - Certo. Mais alguma coisa?
     - Mande o Caio e o Heitor atrás do fujão.
     - Sem problemas.
     - E sem alarde.
   Mateus concordou com a cabeça antes de caminhar em direção a Conrado. Observando-os, Diana passou a mão na cintura por baixo da jaqueta, onde sentira uma queimação. Se assustou ao erguê-la cheia de sangue escuro.
   - Você está sangrando. – anunciou o paramédico. Ergueu a jaqueta dela sem permissão, encontrando a camiseta preta encharcada de sangue. Sem se importar com a contrariedade dela, ergueu a camiseta de Diana o suficiente para encontrar o orifício aberto em sua pele.
     - Você foi atingida! – ele anunciou chamando a atenção de todos, inclusive de Mateus que voltou para o lado dela.
     - Como? – perguntou Diana confusa. Ela não havia sentido nada até aquele momento. Mas arfou de dor quando o paramédico apertou de leve o local, examinando-a.
     - Não há orifício de saída. O projétil ainda está ai.
    - Ela precisa ir para o hospital agora! – afirmou Mateus, preocupado.
     - Mas eu preciso...
   - Precisa de exames de urgência. – explicou o paramédico enquanto a empurrava em direção a uma ambulância com as portas abertas.
     - Não se preocupe. Vou te acompanhar! – anunciou Mateus.
     - Não!. Você vai fazer o que eu mandei. – ela ordenou com um olhar que não admitia contestação.
     - Assim que terminar vou ao hospital vê-la. - ele disse contrariado - Fique viva! - pediu sincero. Tinha mais de vinte anos de policia e não se lembrava de ter trabalhado com uma Delegada tão batalhadora, eficiente, atenciosa e justa como Diana. Estavam juntos há três anos e se considerava como um pai para ela.
     - Vou sobreviver. Não foi nada.
   Enquanto os paramédicos lutavam para fazê-la deitar e ser medicada, Diana ligou para Toni e explicou o ocorrido. Pediu que ele fosse até o prédio de sua tia e a avisasse, assim como ajudasse a cuidar de Gabriel. Implorou ainda que não contassem nada a Gabriel, o qual não gostava da profissão da mãe.
     Diana foi examinada e levada as pressas para a sala de cirurgia, onde foi operada para a retirada do projétil que estava em seu abdômen. Por milagre ele não havia atingido nenhum órgão ou osso, somente pele, gordura e músculos. Quando acordou da anestesia horas depois, estava acompanhada por Beatriz, Toni e Mateus.
    - Posso saber quem está cuidando do Gabriel? – perguntou tentando parecer mau humorada, mas estava emocionada pela preocupação deles.
   - Como se faltasse gente pra cuidar dele. – anunciou Beatriz fungando ao se abraçar a sobrinha. – Nunca mais me assuste desse jeito.
     - Ela não fez de propósito. – disse Mateus – Infelizmente é o nosso serviço.
     - Não gosto do serviço de vocês. – anunciou Toni, apertando a mão de Diana – Como está se sentindo?
     - Sonolenta. Doida. Com fome.
     - Que novidade! Espero que tire férias depois disso.
     - Sabe que não é uma má idéia, Toni. – Diana sorria – Já posso ir para casa?
     - O medico disse que talvez amanhã, portanto se acalme.
     - O que falaram para o Gabriel?
     Beatriz e Toni se olharam. Ele tomou coragem.
     - A verdade.
     - Mas eu não pedi...?
    - A historia está em todos os noticiários, ainda mais depois que descobriram as celebridades que estavam no local...
     - Você é uma heroína nacional.- anunciou Beatriz orgulhosa.
     - Como descobriram? - a pergunta foi dirigida a Mateus.
    - Logo que você saiu, uma das socorristas os reconheceu e ai já viu, não é? Até pedido de autógrafos rolou. – Mateus anunciou cansado.
     - Mas você fez o que eu pedi?
     - Sim. Peguei os dados e os acompanhei ao apartamento deles.
     - Apartamento? Eles moram em Curitiba? – perguntou Beatriz curiosa.
     - Pelo jeito.
     - Interessante... – comentou Diana desconcentrada – Bom. Já que não foi desta vez, quero que vocês vão para casa descansar.
     - Eu vou mesmo. – anunciou Mateus que havia madrugado aquele dia para um serviço. Apesar de cansado, não conseguiria voltar para casa sem ter certeza de que Diana ficaria bem – Amanhã eu volto para te por a par de tudo.
     - Obrigada, Mateus.
    Depois que ele saiu, levando consigo uma horda de policiais que estavam do lado de fora do quarto, Diana olhou para Toni e Beatriz.
     - E vocês? Estão esperando o quê?
     - Vou dormir aqui, sua ingrata. – anunciou Beatriz – Já trouxe minhas coisas.
   - Eu vou apenas passar em casa pegar uma muda de roupa e vou dormir com Gabriel no apartamento de vocês. – anunciou Toni. Assim que se formara, ele alugou um apartamento próximo ao prédio de Beatriz, para não ficar longe da sua família curitibana. Diana também havia se mudado, mas para o apartamento ao lado da tia, depois de ter transformado as quatro quitinetes num confortável lar para ela e Gabriel.
     - Faça isso Toni. Obrigada.
     Toni se abaixou e lhe deu um beijo na testa.
    - Nicole também estará aqui amanhã para bajular você. Ela ficou meio louca quando soube, se é que você me entende.
     Diana imaginou em detalhes o escândalo que a amiga deveria ter dado.
     - Não é porque as vezes dormem juntos, que você precisa contar tudo a ela.
     Ele ignorou a alfinetada.
    - Você esqueceu do que eu disse? – perguntou Beatriz – A história saiu em todos os jornais de rede nacional. Você é uma celebridade.
     - Meu Deus! E os meus pais? Eles vão enfartar!
     - Já conversei com eles. – anunciou Toni tranquilizador – Eles ficaram loucos de preocupação, é claro, mas os convenci a não pegarem a estrada a noite. Eles vem amanhã, de carona com Nicole.
     - Fico mais tranquila, mas nem sei porque eles precisam vir até aqui. Eu estou bem.
   - Achei que sendo mãe, entenderia melhor o lado deles. Ingrata. – Toni disse carinhoso, copiando as palavras de Beatriz - Até amanhã.
     - Abrace bastante o Gabriel por mim. – ela pediu sentindo-se carente.
     - Como se ele deixasse. – respondeu Toni, enquanto saia fechando a porta do quarto.
     Diana observou em silencio Beatriz arrumar com esmero sua cama improvisada, antes de ir ao banheiro, de onde saiu vestindo um pijama de seda, na cor lilás, e chinelos de pano combinando.
    - O que foi? – ela perguntou ao perceber o olhar interrogativo de Diana – Nunca se sabe o tipo de médico pode aparecer por aqui.
    - Não disse nada. – Diana afirmou tentando não rir – Não vão me dar nada para comer? Uma sopa? Uma gelatina?
   - Pode não ter percebido, mas é madrugada. E o soro está lhe dando todas as substâncias necessárias para lhe manter viva até a hora do café. Pare de reclamar.
     - Mas preciso mastigar alguma coisa.
     - Quem diria! A delegada durona no fundo não passa de uma mimada.
     Ignorando a careta de desagrado de Diana, Beatriz ajeitou suas cobertas e lhe deu um beijo na testa.
     - Agora se comporte e deixe sua tia dormir. Não sei se percebeu, mas envelheci dez anos hoje.
     - Desculpe.
     - Não se desculpe. Vou me cobrar quando estiver senil.
    E como se aquelas palavras fossem a deixa de uma peça de teatro, Beatriz desligou a luz principal do quarto, deitando com toda a graça possível seu corpo miúdo no sofá, como se ele fosse uma cama com dossel.
     Diana fechou os olhos e tentou relaxar. Iria precisar de toda paciência no dia seguinte, para aguentar as lamurias dos pais por estar na profissão errada.
     Ela não acreditava em profissão certa ou profissão errada. Acreditava sim que cada um tinha a sua hora, e a dela poderia chegar com um tiro, ou quem sabe andando de patins. Mas mesmo esse pensamento confortador não a impediu de ter pesadelos com homens armados usando capacetes de moto.

Livro Diana- 11º Capitulo - Daianne Coll



O dia de Diana começou cedo. Antes das sete ela havia tomado banho, sido examinada pela médico e, apesar de enjoada, engolido um magro café da manhã. Atendeu a vários telefonemas desejando melhoras e recebeu flores, muitas flores, principalmente de pessoas que estavam na loja durante o assalto.
    Berenice aproveitou a disposição da sobrinha para tomar seu café no restaurante do hospital, aproveitando para passar numa banca e comprar todos os jornais em que Diana fora citada. A policial se animou com a leitura, descobrindo sem surpresa que não era unanimidade entre os jornalistas. Alguns a consideraram sem noção, por expor a vida de inocentes ao fogo cruzado, tendo a sorte de ninguém mais ter sido morto.
     A nota que mais lhe interessou era uma carta enviada à redação de um jornal sensacionalista, afirmando que policiais se achavam deuses, pois teriam o direito de sair matando, não dando a determinadas vitimas a chance de julgamento justo. Ela teve certeza de que se tratava de algum parente do morto.
    Seus pais chegaram logo após o almoço, e depois de muitos abraços e lágrimas, Diana recebeu um demorado sermão sobre a escolha de sua profissão e se não lembrava que tinha um filho pra criar.
     - Um filho que não tem pai! - Berenice fez questão de lhe lembrar.
    Apesar da vontade de mandá-los calar a boca, Diana escutou tudo com paciência, por saber que aquele era o papel dos pais. Ela mesma passara alguns minutos chorando sozinha no banheiro, quando percebera que poderia ter se separado de Gabriel para sempre.
     - Mamãe! Você é famosa! - anunciou Gabriel entrando de rompante no quarto.
     - Sou é? - perguntou Diana abraçada ao garoto, ao mesmo tempo em que lançava olhares fulminantes na direção de Toni. Ela havia deixado claro que não queria o filho no hospital – Saíram fotos minhas na TV? Fiquei bonita?
     - Na TV eu não vi. - ele explicou excitado, sentando na cabeceira ao seu lado – Mas na internet tem o vídeo do assalto. Estavam tentando descobrir o momento em que você levou o tiro.
     - Juro que não o vi assistindo isso. – Toni se defendeu, mas não ousou encará-la.
     - Ei! Já sou homem. Posso ver o que quiser!
     - Não pode, não! – Diana argumentou sem vontade de brigar com o filho – Prefiro que assista desenhos.
    - Deixa que hoje eu vou cuidar dele! – informou Nicole ao entrar no quarto, pegando a conversa pela metade – Comigo ele não assiste o que não deve!
    - Cuidar do Gabriel? Como seu eu não soubesse o que você e Toni pretendem fazer em casa na minha ausência. - Diana falou brincando. Ficou pasma ao ver ambos os amigos corando - Nem pensar! Vou embora hoje, nem que tenha de fugir!
     - O que meus padrinhos vão fazer? – perguntou Gabriel fingindo inocência.
   Todos começaram a falar ao mesmo tempo. Alguns tentando fazer Gabriel mudar de assunto, outros convencendo Diana a ser paciente e tirar a ideia de fuga da cabeça. Assim como se calaram em uníssono quando a porta foi aberta e Conrado Portman e Melissa Klein entraram no quarto.
    - Podemos? – ele perguntou ao se deparar com o quarto lotado. Trazia nos braços um enorme arranjo de flores.
     - Entrem. – convidou Berenice, a primeira a se recuperar da surpresa.
    - Boa tarde. – ele cumprimentou a todos antes de se espremer ao lado da cama, sempre acompanhado de Melissa. Apesar de tímida, a menina parecia mais feliz do que no dia anterior – Queria ver como você estava? – perguntou a Diana.
     - Oi. – Diana o cumprimentou incoerentemente feliz – Não precisavam se dar ao trabalho.
     - Não é trabalho algum. – ele estendeu as flores a ela – Melissa irá embora amanhã e queria agradecer.
     - Oh! Que lindo! – comentou Beatriz inoportuna.
     - Vou tomar um café. Quem vem comigo? – perguntou Marcelo olhando para a cunhada.
     - Eu vou. – respondeu Toni.
     Como ninguém mais se manifestou, Marcelo segurou Beatriz pelo braço num convite nada sutil.
     - Mas porque só eu? – perguntou Beatriz indignada, alto o suficiente para que todos ouvissem.
     - Vou ficar com minha mãe! – afirmou Gabriel categórico, ganhando um olhar curioso de Conrado.
    - Eu também. – anunciou Berenice, ignorando o olhar malévolo do marido – Ela pode precisar de alguma coisa.
    - Vou ajudar Beren... – começou a dizer Nicole, não disfarçando o interesse em Conrado. Toni agiu rápido, e assim como Marcelo a segurou pelo braço, antes de arrastá-la pra fora – Ei! Você não é meu don...
    Sua voz sumiu no momento em que a porta foi fechada. Conrado fez força para se manter sério, mas Melissa sorria abertamente.
     - Desculpe por isso. – Berenice pediu a Conrado, satisfeita em perceber uma troca de olhares entre ele e a filha.
     - Não precisa. Sua família é divertida.
    - São loucos, isso sim. – Ela se dirigiu a Diana e tirou as flores de seus braços – Deixe-me coloca-las num vaso.
     - Obrigada por ter me protegido ontem. - agradeceu Melissa – Fiquei apavorada.
     - Não foi à impressão que tive. Você se comportou bem.
     - Melissa comentou que você a reconheceu. – Conrado completou.
    - Sim. Por isso fui para perto dela. Tive receio de que os assaltantes a reconhecem. – ela olhou de um para o outro - Vocês costumam sair sem seguranças?
     - Foi uma tentativa. Acreditei que aqui em Curitiba Melissa poderia levar uma vida mais tranquila do que no Rio. A mãe nunca a deixou sair sem uma tropa atrás.
     - Ela é neurótica com segurança. – completou Melissa – E agora vai piorar.
     Diana olhou para o filho e se viu no dever de defender Vanessa Klein.
    - Apesar de Curitiba aparentar ser mais segura do que o Rio, sua mãe tem razão. Proteção nunca é demais.
    - Principalmente quando são pequenos. Depois que crescem não podemos fazer mais nada. – fungou Berenice.
     Diana rolou os olhos.
    - A senhora tem toda a razão. – Conrado lhe lançou um sorriso arrebatador – Farei o que puder pela segurança da minha filha. E se quando ela vier me visitar, trouxer um bando de gorilas a tiracolo, não vou me opor.
     - Você mora em Curitiba? – Diana deixou a curiosidade fluir.
     - Há apenas seis meses. Estou montando uma fábrica, então fixei residência temporária.
     Trocaram um olhar cheio de especulações.
    - Pai! Temos de ir! – lembrou-lhe Melissa, interrompendo o diálogo visual dos dois - Nosso voo sai daqui a pouco.
    - Sim. Vamos! – ele olhou para Berenice – Além disso, seu marido e seu genro devem estar querendo voltar para o quarto...
     - Ele não é marido dela. – Berenice apressou-se em explicar.
     - Mamãe não é casada. – completou Gabriel, fazendo com que Diana corasse.
     - Ah! Tudo bem. – comentou Conrado sorrindo. Era tudo o que ele precisava confirmar.
     - Minha mãe quer ligar pra você! Ela pode? – perguntou Melissa alheia a situação a seu redor.
    - Claro... Pode sim... – balbuciou Diana a menção de uma pessoa tão famosa querer falar com ela – Mas explique que ela não tem de me agradecer por nada.
     - Ela faz questão. – afirmou Conrado - Assim como eu. Obrigado!
    Assim que eles saíram do quarto, os demais voltaram. O assunto durante o resto do dia girou em torno de Conrado. No quanto ele era bonito, bem sucedido e seria um excelente partido para Diana – opinião não partilhada por Gabriel.
     Somente quando a enfermeira do turno da noite expulsou implacavelmente as visitas, é que Diana pode descansar. E concordar que eles tinham razão. 

Livro Diana- 12º Capitulo - Daianne Coll


Um mês depois, a vida de Conrado Portmann corria numa metódica rotina. Praticava exercícios físicos todas as manhãs, trabalhava doze horas por dia, levava clientes para jantar e viajava em visitas a fornecedores. Conversava quase diariamente com a filha, na mesma proporção em que ainda aturava acusações da ex-mulher por sua negligencia em relação à segurança de Melissa.
     Em meio a tudo isso ele pensava em Diana.
    Recordava dela entrando apressada na loja de conveniências, seus cabelos loiros contrastando com a roupa totalmente preta. Durante o assalto se mostrara confiante, e não decepcionara os que dela dependiam naquele momento. Depois a vira no hospital cercada de uma família amorosa e barulhenta. Sorte que ele não tivera.
    Cansado de lembrar, resolveu agir. Ligou para a Delegacia onde ela trabalhava, mas recusaram a passar seu telefone, alegando que a informação era confidencial. Depois de um dia estressante de trabalho, conseguiu sair mais cedo e foi direto ao local. Estacionou ao lado de uma reluzente Harley e se permitiu passar alguns minutos admirando a máquina. Lembrou com melancolia os tempos de juventude, quando conseguiu comprar uma CB/125, a qual seu pai o obrigou a vender depois da terceira queda.
     Conseguiram manter Diana em casa por duas semanas. Depois disso, ignorando ordens médicas e a ira de Berenice, voltou a dirigir e ao trabalho administrativo. Gradualmente voltou a rotina e um mês depois estava totalmente recuperada.
    No fim de tarde de uma sexta-feira, estava saindo do trabalho quando se deparou com Conrado examinado sua Harley Davison Softail. Permaneceu onde estava conferindo seu visual correto de homem de negócios. Os cabelos castanhos bem cortados, o corpo alto e torneado envolto num terno de marca. O único sinal que indicava seus quarenta anos – ela havia se dado ao trabalho de pesquisar – eram leves linhas de expressão no canto dos olhos castanhos.
     Conrado saíra com muitas mulheres bonitas em sua vida. Sua ex-esposa Vanessa, era tida como uma das mulheres mais lindas do Brasil. Mas não estava preparado para a beleza ambígua de Diana. Seus cabelos claros e encaracolados davam ao rosto suave um aspecto angelical. A roupa preta e justa, a jaqueta curta de couro e as botas de salto alto lhe conferiam ar sedutor, e ele se viu desejando conhecê-la. Em todos os sentidos. 
     Ela sorriu e se aproximou.
     - Perdido?
     Ele sorriu em resposta, analisando-a da cabeça aos pés. Diana sentiu sua pulsação acelerar. 
     - Não. Na verdade vim subornar alguém pra que me fornecesse seu telefone.
     - Algum motivo especial?
     - Depende de como você encare um convite para jantar.
     - Um convite pra jantar é sempre bom.
     - Então? Já que parece totalmente recuperada, aceita sair comigo hoje?
    - Hoje? – ela perguntou dividida entre o que havia se programado a fazer e a tentação parada a sua frente.
     - Já tem compromisso, não é? Só eu pra imaginar que você estaria disponível...
     - Não! Tudo bem. Aceito sair com você.
     Ele se aproximou. Com os saltos Diana ficava quase na mesma altura dele.
     - Diana, não há problema. Marcamos para outro dia.
     - Não é necessário. Desde que eu possa escolher o local. – pediu misteriosa.
     - Se essa é a única imposição, estou em suas mãos.
     - Gostou da minha moto?
     - Essa moto é sua? – perguntou surpreso.
     - Meu antidepressivo natural. Tem problemas com elas?
     - Não! As adoro! Por quê?
     - Para onde vamos é o transporte recomendado.
     Conrado estudou as próprias roupas.
     - Você está ótimo! – ela antecipou a resposta à pergunta que seguiria.
     - Não para andar de moto. Além disso, há o meu carro. – ele indicou um Audi A4 preto.
    - Faremos o seguinte. – ela falou depois de pensar alguns segundos – Você vai pra casa e coloca uma roupa mais informal. Daqui à uma hora, passo pegá-lo.
    Naquele momento Conrado soube que ela era uma mulher acostumada a dar ordens e ser obedecida.   Estranhamente isso o excitou.
     - Está bem. Quer anotar o endereço?
     - Não preciso. – ela afirmou sem titubear.
     Conrado levantou uma sobrancelha interrogativa.
     - Sou uma policial. Esqueceu?
     - Não. – ele sorriu e caminhou para seu carro. – Não demore!
   Assim que ele saiu, Diana voltou para dentro da Delegacia buscar um capacete sobressalente. Havia ganhado o mesmo dos colegas de trabalho em seu aniversário de vinte e sete anos, mas não tivera oportunidade de usá-lo. Possuía uma pintura única, nas cores vermelha e ouro, mais chamativo do que seu usual capacete preto.
   Conrado a aguardava defronte a seu prédio. Quando Diana estacionou a moto e tirou o capacete, espalhando os cabelos loiros pelos ombros antes de lhe sorrir, ele soube que estava apaixonado.
     - Estava em dúvida se você tinha outro. – ele comentou quando ela lhe estendeu um capacete preto, sem, contudo descer da moto.
     - Você fica com o velho, eu com o novo.
     Ele colocou o capacete e aspirou um sutil aroma doce.
     - Suba na garupa caubói. Vamos viajar!
    Em poucos minutos Diana estava cortando o transito em velocidade incompatível com a moto tradicional. Entraram numa rua estreita de paralelepípedos, dominada por motos estacionadas de ambos os lados, até onde a vista de Conrado conseguia alcançar. Diana encontrou uma vaga que acabara de desocupar, e depois de Conrado descer da moto, ela a estacionou de ré, não tendo nenhuma dificuldade em manter o equilíbrio do pesado veículo.
    - Assustado? – perguntou depois de tirar o capacete e a jaqueta, revelando estar vestindo uma singela camiseta regata, que em nada camuflava a curva dos seios firmes.
   Conrado só percebeu que ainda não havia tirado o próprio capacete, quando ela se aproximou e começou a fazê-lo.
     - Deslocado seria a palavra mais apropriada.
     - Nós, motociclistas, somos um bando sociável. De vez em quando aceitamos engomados por aqui.
     Conrado a encarou tentando descobrir se falava sério.
    - Estou brincando! – argumentou caindo na risada – Ninguém vai te atacar com correntes ou calibres doze. Relaxe.
     - Há restaurantes por aqui além de bares? – perguntou apontando para as várias portas abertas de onde pessoas, na maioria vestidas com jaquetas de couro semelhantes à de Diana, entravam e saiam sem parar.
     - Não exatamente. Já comeu carne de onça?
     - O que é isso?
     - Vai ver. Não dá pra se tornar curitibano sem provar carne de onça. A daqui é a melhor.
     - Não sei por que, mas não me sinto confiante.
    Diana rolou os olhos, segurou sua mão e o conduziu a uma bodega lotada. Tiveram de aguardar meia hora por dois bancos em frente ao bar. Quando Conrado se viu diante do prato de carne de onça, sua reação não foi animadora.
     - Confie em mim. É bom! – incentivou Diana.
  Somente para agradá-la, ele pegou um pedaço de broa escura com carne crua temperada, e corajosamente enfiou na boca. Mastigou por uma eternidade e só conseguiu engolir depois um longo gole de chope.
     - Tem fritas? – perguntou ao garçom, fazendo com que Diana gargalhasse.
     Para sua angustia, ela comeu a porção dos dois, do exótico prato.
    Não conseguiram conversar dentro do bar, pois a todo o momento eram interrompidos por amigos de Diana, que queriam confirmar se ela estava bem. Decidiram ceder a vaga a outras pessoas e voltar para a moto. Conversaram sobre trabalho, filhos e hobbys. Não falaram sobre relacionamentos amorosos e Diana imaginou que ele deveria estar traumatizado nessa área como ela. Era de conhecimento publico que a única coisa boa que sobrara do casamento dele com Vanessa Klein, era Melissa.
    Diana foi ao bar a procura de um banheiro. Quando voltou, além de um novo copo de chope para Conrado, carregava uma sacola preta.
     - Comprei um presente. Espero que não se importe. – anunciou.
     - Presente?
   Diana passou-lhe o copo antes de abrir a sacola. Tirou de lá tirava uma jaqueta de couro marrom, parecida com a dela.
     - Para não se sentir excluído e sim tentado a voltar. – explicou diante do olhar indagativo dele.
     Conrado colocou o copo de chope no chão, antes de pegar a jaqueta e vesti-la.
     - Então? – perguntou. Sentia-se encabulado por estar sendo presenteado por ela.
     - Você está sexy. – opinou sincera.
     Conrado sorriu, enlaçou Diana pela cintura e a puxou para si, surpreendendo-a.
     - Obrigado.
     - Na há de quê. – ela respondeu, antes de fechar os olhos e permitir que ele a beijasse.
     Foi surpreendida.
   Conrado deixou claro que não seria comparado aos homens sem graça com quem ela havia se relacionado nos últimos anos. Num momento ele invadia sua boca com a língua hábil, no outro mordiscava seu lábio inferior. Ao mesmo tempo suas mãos invadiram a cintura fina por debaixo da camiseta, fazendo seu corpo se fundir ao dele.
     Quando parou de beijá-la Diana estava atordoada. E tão excitada quanto ele.
     - Agradeci o suficiente?
     - Foi um presente caro.
     Conrado a presenteou com um sorriso diabólico antes de voltar a quitar sua divida.




2 Comentários

  1. Nossa esse livro está muito bom. Adorei os capítulos que já li aqui no blog.

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