Mais uma semana e mais post, cade os comentários, já estou separando os prêmios pessoal ^^ Olha mais três capítulos, esse livro é lindo ^^ 

Livro Diana- 13º Capitulo - Daianne Coll


Diana passou a semana flutuando. Pela primeira, desde que se relacionara com Rodrigo, se via realmente interessada em alguém. Houve um segundo, um terceiro e depois incontáveis encontros que se transformaram em namoro. Conrado passou a frequentar a casa dela, sendo bem recebido por Gabriel, Beatriz e Toni. Estavam felizes por verem-na relaxada e sorrindo.



   Tudo seria perfeito se não existisse Vanessa Klein. Ela, que nunca havia telefonado a Diana para agradecer, conforme havia prometido a Melissa, parecia saber exatamente o momento em que Diana e Conrado estavam juntos. Nessas horas ligava pra contar a ele sobre suas atividades cotidianas, pedir conselhos, reclamar da filha ou fofocar sobre algum amigo em comum. Diana aceitaria tudo numa boa, se não fosse o fato de Conrado sempre largar o que estivesse fazendo para atender a esses telefonemas. Desconfiava que ele não estava tão desligado da ex-mulher como queria que ela acreditasse.
   Apesar de se darem bem em todos os sentidos, não fizeram juras de amor. Por mais que estivesse satisfeita com o relacionamento, dizer que amava Conrado teria sido mentira. Não havia conseguido esquecer Rodrigo, agora com carreira consolidada com seu irmão Roger, tendo vendido milhões de discos nos últimos anos.
    Quando as festas de final de ano se aproximaram, Diana resolveu presenteá-los e comprou passagens para um resort na Bahia. Seria o primeiro Ano Novo juntos. O Natal, cada um passaria com suas família e filhos.
    Na semana de natal comprou uma bolsa exclusiva para dar de presente a Melissa e a levou para o apartamento de Conrado. Passariam a noite juntos, antes dele viajar ao Rio de Janeiro e ela a Pato Branco.
     - Você demorou. – ele acusou assim que abriu a porta para recebê-la, tomando-a nos braços para um beijo.
     - Shopping em período de natal. – Diana explicou, enquanto se mantinha abraçada a ele.
     - Fiz o jantar.
     Ela aspirou o cheiro convidativo.
     - Já disse que você é perfeito?
     Estavam jantando quando o telefone de Conrado tocou.
     - Melissa! - ele anunciou, antes de levantar da mesa para atender.
     Diana não interrompeu o ato de levar o Penne ao Molho de Salmão à boca. Não se surpreendia mais.
    - Oi filha... Sim... Estava jantando com a Diana... Ela não esqueceu... – ele apontou para o pacote de presente que Diana havia trazido.
    Diana sorriu, concordou com a cabeça e continuou comendo. Para ela, Melissa era um doce de menina, mesmo quando estava sendo manipulada pela mãe, como a intuição de Diana lhe dizia que estava acontecendo naquele momento.
     - Eu não decidi ainda... – continuou Conrado ao telefone – Não... Não sei... Acredito que sim...
    Diana soube que seu nome estava envolvido na Conversa. Conrado conversava em monossílabos quando isso acontecia, mesmo sabendo que depois ela lhe arrancaria todas as informações. 
     Para sua irritação, não precisou.
   - Tudo bem. Fica combinado. Mas vamos ficar no Hotel para os fogos. Não quero você no meio da multidão em Copacabana... Mesmo com seguranças.
    Diana respirou fundo varias vezes e bebeu seu vinho. Mesmo assim não conseguiu impedir a raiva que a invadiu. Quando Conrado desligou o telefone, ela não disfarçou como se acostumara a fazer.
    - Então? Vai passar o Ano Novo com a Melissa e a Vanessa no Copacabana Palace? – perguntou sem emoção. Apesar de não terem feito planos para as festas de final de ano, Conrado sabia que ela esperava que passassem a data juntos.
    - Sim. Alguns amigos alugaram uma suíte e a Melissa quer que eu fique com ela. O que é bom. Não quero deixa-la solta...
     - Melissa quer ou Vanessa quer?
     Ele se sentiu pressionado.
     - As duas querem.
     - E não passou pela sua cabeça perguntar primeiro se eu concordava?
     - Não. Não passou. – ele voltou a sentar - Não imaginei que precisasse pedir sua permissão.
     - Sabe do que estou falando.
     - Não! Não sei! Assim como não entendo sua irritação. Não me lembro de você ter dito que iríamos fazer qualquer coisa juntos no Ano Novo.
     - Achei que era óbvio.
     - Pois pra mim não foi! Não gosto de códigos, Diana. 
     Ela arfou. Como ele podia confundir surpresa com códigos?
     - Você está certo. – argumentou controlada - Da próxima serei mais clara.
     - Aonde você vai? – ele perguntou ao presenciá-la se levantar. Não haviam acabado de jantar.
     - Embora!
     - Diana! – ele meneou a cabeça - Isso não é necessário...
     - Pra mim, é!
     Ele a seguiu até a porta.
     - Me desculpe. Fique. Por favor.
    Diana poderia ficar se em algum momento ele houvesse dito que desmarcaria o compromisso assumido com Melissa. Mas quando ficou obvio que Conrado não o faria, Diana decidiu ir embora antes que falasse algo do que poderia se arrepender depois. E por mais que estivesse irritada, não queria perder o que eles tinham.
     Segurou a porta aberta e o encarou.
    - Não estou falando em códigos agora. Estou indo embora, vou passar o Natal e, apesar de não ter planejado, o Ano Novo em Pato Branco. E depois que voltar, eu ligo e a gente se encontra.
     Conrado, que jamais a havia visto tão aborrecida, se viu concordando.
     - Tudo bem.
     Diana beijou-o brevemente e saiu sem mais palavras.

    - O que está faltando agora? – Diana perguntou impaciente, ao entrar na cozinha de onde a mãe a chamara.
      Era dia vinte e sete de dezembro, aniversário de Marcelo, e Berenice queria fazer o almoço perfeito para homenagear o marido.
     - Só tenho batatas graúdas e para batatas sauté elas têm de ser miúdas.
     - É só cortar as batatas.
     - Não é a mesma coisa. Além disso, preciso de salsa fresca. Seu pai adora salsa na comida.
     - Meu Deus! Que exagero!
     - Pare de reclamar Diana e vá comprar pra mim! Por favor?
    A última coisa que Diana desejava era sair de casa. Mas a expressão de sua mãe não lhe dava alternativa.
     - Eu vou. – anunciou sem vontade, enquanto tirava o avental que vestira para ajudar Berenice na cozinha. Não queria correr o risco de sujar seu vestido Colcci preferido.
     - Aproveite e traga frutas bem bonitas pra decorarmos a mesa.
     - Pode deixar. – resmungou Diana, antes de sair com pressa. Berenice poderia querer fazer uma lista.
    Ignorando a preferência da mãe pelo mercado Massignan, se dirigiu a uma feira do centro da cidade. Havia escolhido as batatas e a salsa, e cheirava uma lustrosa manga, quando seu coração parou de bater para depois disparar. Rodrigo se encontrava poucos passos a sua frente, tranquilamente escolhendo espigas de milho.
     Diana paralisou encarando-o. Quando conseguiu despertar, largou a cesta de compras e se virou para ir embora. Não havia dados três passos quando a conhecida voz rouca a fez parar.
     - Diana?
     Diana respirou fundo e colocou no rosto um sorriso que acreditou transparecer despreocupação, antes de se virar para ele.
     - Oi Rodrigo. Quanto tempo!
     Ele se aproximou e pra completa estupefação dela, abraçou-a.
    - Muito tempo. – ele respondeu no seu ouvido. Sensações que há anos Diana não sentia, voltaram como dilúvio.
     Antes que pudesse abraça-lo de volta, ele a soltou.
     - Fazendo compras na concorrência? – ela perguntou tentando iniciar uma conversa inteligente.
    - Acredite. Não há lugar nessa cidade que consiga concorrer com essas frutas e verduras. Chegam a dizer que são geneticamente modificadas. – ele anunciou em tom de confidencia, conseguindo arrancar um sorriso dela.
     - Se você está dizendo.
     - Trabalhei no ramo. Posso atestar.
     Diana olhou ao redor antes de fazer a pergunta, para a qual não queria saber a resposta.
     - Sua esposa está com você?
     Ele a olhou enigmático.
     - Não. Não sou casado.
     Isso chamou sua atenção definitiva.
     - Como assim, você não é casado?
     - Não sou. Faz mais de três anos que eu a Helena estamos separados.
    Diana engoliu em seco. Precisava digerir aquela informação antes de falar sobre o assunto. Como nunca lera nada sobre isso em revistas de fofoca?
     - E você pode andar tranquilo por ai, sem ser assediado?
    - Não em todo lugar. Aqui em Pato Branco levo uma vida relativamente normal. As pessoas estão acostumadas comigo.
     - Tanto que pode até fazer compras na concorrência.
     - Pra que querer mais da vida?
     Ele sorriu e Diana sentiu suas defesas fraquejarem. Desviou o olhar para sua cesta de compras no chão.  A mãe ficaria decepcionada pela falta das frutas, mas ela precisava ir embora.
    - Bom, vou ótimo rever você! - ela se abaixou e pegou a cesta - Preciso levar essas batatas para minha mãe, senão ela surta.
     - Você casou?
     A pergunta pegou Diana desprevenida.
     - Não. 
     Ele sorriu.
     - Então posso convidá-la para jantar? Hoje? 
     - Jantar?
     - Para podermos conversar melhor, sem batatas com prazo de entrega. Aceita?
     A cabeça de Diana disparou em reflexões.
    É claro que não. Você quebrou meu coração ao casar com outra, ficou famoso e aparecendo na mídia para nunca me deixar esquecê-lo, e por causa disso nunca pude dizer eu te amo ao meu namorado, que é um homem maravilhoso, e principalmente, me deixou grávida de um filho que não conhece o pai...
     - Sim. – ela se ouviu dizendo – A que horas?
     - As oito está bom pra você?
     - Está.
    Rodrigo beijou-lhe no rosto antes de voltar a suas compras, como se fossem amigos que se viam toda semana. 
     Atordoada, Diana foi para o caixa. Não resistiu a olhar para trás antes de sair da loja, sendo presenteada com um sorriso promissor.

Livro Diana- 14º Capitulo - Daianne Coll



 - Aonde você vai? – perguntou Gabriel enquanto assistia a mãe se arrumar.
     - Jantar.
     - Com quem?
     - Com um amigo.
     - O conheço?
     - Não... Pessoalmente.
     - O Conrado não vai ficar bravo?
     Diana olhou para o filho.
     - Não tem por que. Nunca proibimos um ao outro de termos amigos.
     - Parece esquisito.
     - Eu saio com o Toni.
     - O papito é diferente. E vai ficar noivo da tia Nicole.
     - Noivo? Que história é essa?
    - Ouvi os dois conversando. Ele disse que assim que ela se mudar para Curitiba, vão noivar e morar juntos.
     - Não diga! Ela vai se mudar e não me contou...
     - Ela ficou dizendo que não podia, que tinha uma carreira solida aqui. Mas quando ele disse que a amava, eca, ela falou que ia dar um jeito.
     Diana olhou maravilhada para o filho. Quem diria que um menino de dez anos podia ser tão boa fonte de informações?
     - Isso é maravilhoso. Finalmente seus padrinhos vão levar uma vida decente.
     - Vida decente significa fim do sexo casual?
     Diana levantou de um pulo e se virou para o filho, estirado em sua cama de solteira.
     - O que você anda assistindo na televisão?
     - O de sempre. – respondeu dando de ombros – Desenhos, filmes, novelas com a tia Beatriz...
     - Quando voltarmos terei uma conversa seria com sua tia Beatriz.
     Gabriel rolou os olhos de maneira idêntica a que a mãe costumava fazer.
     - Então? Como estou? – Diana perguntou enquanto girava na sua frente.
     Gabriel analisou a mãe com olhar critico, não gostando do vestido preto ser curto.
     - Prefiro a calça jeans com a blusa verde.
    Diana olhou para o conjunto de roupa que ele apontava. O terceiro que ela havia experimentado num total de nove.
     - Está quente pra usar calça jeans.
     - Então o vestido vermelho que vai até os pés.
     Diana apertou as bochechas do filho.
     - Não quero que me diga com qual roupa ir e sim se estou bonita com esta?
     - Você sempre está bonita.
     Ela se derreteu e passou a beijar o filho.
     - Meu homenzinho lindo! Eu amo você!
     - Pare mãe! Está me enchendo de batom!
     - É gloss.
     - É nojento!
     - Vamos ver até quando.
     Escutou a campainha tocar e deu um ultimo beijo no filho, antes de advertí-lo:
     - Se comporte.
     - Sempre me comporto, mãe.
    Diana correu atender a porta, querendo evitar que convidassem Rodrigo para entrar. Não foi rápida o suficiente e o encontrou conversando com Marcelo.
     - Estava me perguntando quem havia conseguido a façanha de fazer com que Diana saísse nessa cidade.
    - Assumo daqui, pai. – Diana falou, pegando Rodrigo pelo braço e o arrastando sem cerimônia para o carro.
     - Volto pra conversarmos, seu Marcelo. – afirmou Rodrigo.
     - Se divirtam. – desejou Marcelo, antes de fechar a porta.
     Somente quando saíram da frente da casa que Diana começou a relaxar. Olhou a sua volta percebendo o luxo e o conforto do carro.
     - Não sei por que, mas estava esperando o Astra da sua mãe.
     Rodrigo riu.
     - Faz anos que ela o vendeu. Agora consigo ter meu próprio carro.
     - Imagino. Milhões de CDs...
     - Gosta da nossa musica?
     - O Brasil inteiro gosta.
     - Não estou interessado na opinião nacional. Só na sua.
     A noite não seria simples como Diana desejava.
     - Eu gosto. Falando nisso, poderia me dar um autógrafo? Não é pra mim! - ela se apressou em explicar   quando ele sorriu convencido – É para a mãe do meu amigo Toni. Ela sim é fanática... E ele também.
     - Dou-lhe quantos quiser. Só me lembre até o fim da noite.
     - Aonde vamos?
     - Jantar.
     - Não diga! Aonde?
     - Preocupada?
    - Não por mim. Mas se tirarem fotos nossas, poderão publicar que o famoso cantor sertanejo está de caso novo.
     - Não seria assim. Seria mais o famoso cantor sertanejo está saindo com a policial heroína das lojas de conveniência.
     Ela suspirou.
     - Até você sabe dessa história?
    - Confesso. Quando vi seu nome envolvido fiquei muito preocupado. Não sosseguei até conseguir falar com o seu pai. Ele havia acabado de sair do Hospital e afirmou que você estava bem.
     - Ele nunca me contou isso.
     - Compreensível. Não devo ter sido o único a ligar pra ele.
     - Sem dúvida era o mais famoso.
    - Que seja. – ele deu de ombros - Está preocupada em sermos vistos juntos por mim ou por causa do seu namorado? Como é mesmo o nome dele?
     Diana remexeu desconfortável no banco.
     - Conrado.
     - Isso! O mega empresário que teve a sorte de ser salvo por você.
     - Não foi bem assim. Eu não salvei...
     - Adoraria ter sido salvo por você. – afirmou para ele mesmo, enquanto parava o veículo numa rua mal  iluminada – Então? – ele se virou para ela - Pode correr o risco de ser vista em minha companhia?
     - Claro que sim. Meu relacionamento com Conrado já passou da fase da desconfiança.
    Ainda mais quando ele vive sendo visto com a ex-mulher. Ser vista com outro homem bonito seria uma troca de gentilezas.
   - Bom. Não tenho nada contra ser fotografado ao lado de uma mulher linda. Mas iremos ao restaurante de um amigo. Não é o lugar mais charmoso do mundo, mas a comida é de primeira.
    Diana olhou ao redor. O único sinal de que ali poderia haver um restaurante, era uma estreita porta aberta com luzes dentro.
     - Que lugar é esse? – perguntou curiosa.
     - Um lugar discreto.
     - Disso não há duvidas.
    Rodrigo desceu e deu a volta pela frente do carro, parando para abrir a porta de Diana. Ela aceitou a mão que ele lhe oferecia e sentiu o braço inteiro formigar quando ele não a soltou.
    O restaurante era simples, não maior do que uma sala comum. As paredes eram pintadas de verde e as mesas de madeira estavam cobertas com toalhas de plástico em xadrez vermelho e branco. Duas estavam ocupadas por famílias.
     - Aí! Quem é vivo sempre aparece! – exclamou um rapaz forte e sorridente, assim que os avistou.
     Ele e Rodrigo deram-se um abraço demorado.
     - Ora Cadu! Deixe de ser chorão!
     - Chorão? Não era bem eu que chorava por qualquer coisa.
     Rodrigo fez um sinal com os dedos, pedindo silencio ao amigo.
     - Minha acompanhante não precisa saber dos fracassos do meu passado.
   - Oh! É claro. – confirmou Cadu olhando interessado para Diana – E onde encontrou essa mulher maravilhosa?
     Cadu se aproximou, ergueu a mão de Diana e a beijou.
     - Muito prazer. Cadu ao seu dispor.
     - Diana. O prazer é meu! E ele me encontrou aqui em Pato Branco, mesmo.
     Cadu olhou inconformado para Rodrigo.
     - Como consegue isso? Passa meses longe e quando volta encontra uma mulher linda que nunca cruzou o meu caminho? Eu que estou aqui todos os dias!
     - Em minha defesa esclareço que ela não mora aqui.
     - Sendo assim, me conformo um pouco. Mas não vieram aqui pra ficar de conversa fiada comigo. Sente onde quiser Rodrigo. Vou providenciar aquele vinho especial.
     - Obrigado.
     Rodrigo conduziu Diana a mesa mais afastada da porta, puxando a cadeira para que ela sentasse.
     - Então você chorava muito? – perguntou Diana tentando iniciar uma conversa e evitar qualquer tipo de silencio constrangedor entre eles.
     - Digamos que era pequeno demais pra me defender. E Cadu, com seu singelo tamanho, era meu herói.
     - Hoje você é o herói dele?
     - Quem me dera. Não pense que venho jantar aqui em devoção ao que ele fez por mim no colégio. A comida é excelente.
     Cadu voltou com duas taças de vinho tinto.
     - O que vão pedir? – perguntou formal assumindo o papel de garçom.
     Rodrigo olhou para Diana.
     - Alguma restrição gastronômica?
     - Pareço alguém com restrições gastronômicas?
    Ele conferiu seu visual, desde a ponta dos pés em sandálias de salto, passando pelas pernas nuas, o vestido justo que realçava todas as curvas existentes, chegando aos cabelos louros amarrados num elaborado rabo de cavalo.
     - Parece. – respondeu com a boca seca.
     - Pois não sou. – ela olhou para Cadu – O que indicar, eu aceito.
     - Pois então vai ser parmegiana com arroz e fritas. O prato preferido do nosso conquistador.
     - É o meu também! – ela afirmou.
      Cadu voltou à cozinha e Diana provou o vinho. Era forte, encorpado, delicioso.
     - Aprovado? – Rodrigo perguntou atento a todas as reações dela.
     - Bom.
     - Um tio de Cadu fabrica na colônia. A produção é pequena, mas sempre tenho minha reserva especial.
     - Parece sempre ter o que quer.
     - Não. Nem sempre.
     Ele bebeu um gole de vinho sem parar de encará-la. Diana desviou o olhar achando mais seguro estudar o padrão xadrez da toalha.
     - Cansativa a vida na estrada?
     - Às vezes. Já houve fins de semana em que fizemos cinco shows em cidades diferentes.
     - Nossa!
     - Hoje não cometemos mais essas loucuras. E o Roger não gosta de ficar muito tempo longe da esposa.
     - Não sabia que o Roger havia casado.
     - Faz poucos meses. A Marisa, esposa dele, é daqui de Pato Banco.
     - Engraçado. Vocês rodam o Brasil inteiro e ele encontra a esposa aqui.
     - E não é? Ela trabalhava como caixa no nosso Mercado.
     - Uau!
     - Então. Por causa disso entramos num acordo. Um fim de semana por mês não fazemos shows. 
     - Um fim de semana? Parece pouco.
     - Pra quem vê de fora. Cantar é viciante. Quando entramos no palco, não há cansaço que se imponha.
     - O bom de trabalhar no que gosta.
     - E você? Gosta do que faz?
     - Ser policial?
     - É.
     - Muito. Sempre quis isso.
     - Eu lembro. Você me disse quando nos conhecemos.
     - Disse? 
     - Sim. E aposto que também não tem muito tempo de folga.
     - Há períodos mais tumultuados que outros. Mas dificilmente saio de perto de casa.
     A conversa fluiu agradável durante o jantar e ambos evitaram falar de relacionamentos.
   - Acredito que esteja na hora de irmos. – Diana opinou, apontando discretamente para Cadú que bocejava por trás do balcão. Todos os demais clientes haviam ido embora.
     - Tem razão. Às vezes esqueço como o pessoal do interior costuma dormir cedo.
     - Pede a conta?
    - Não é necessário. – Rodrigo tirou da carteira algumas notas e as largou sobre a mesa. O suficiente para pagar pelo jantar de um restaurante cinco estrelas.
    Despediram-se de Cadu que insistiu para que ficassem mais um pouco. Rodrigo alegou compromissos inadiáveis no dia seguinte e o amigo aceitou satisfeito com a visita.
    Quando estavam acomodados no carro, Rodrigo inclinou-se em direção a Diana pegando-a desprevenida. Automaticamente ela recou para a porta temendo que ele fosse beijá-la.
     - Pra onde agora? – perguntou sem se afastar.
     - Pra casa. – pediu resoluta.
     - Tem certeza? – ele parecia decepcionado.
    - Tenho. – Diana ajeitou-se no banco e olhou para a rua a frente. A atitude deixava claro que não iria discutir o assunto.
     Ele respirou fundo. Precisava ser paciente. Quando a reencontrou naquela manhã, teve certeza da duvida que rondara sua vida desde a manhã de seu casamento – Diana era a mulher da sua vida.
    Convidara-a para jantar num ato de desespero. Não poderia mais deixa-la sair de sua vida. Passara a tarde desconcertado, imaginando formas de recuperar o que perdera no passado. O fato dela estar dispensando-o só poderia ter duas motivações – ou ele a havia magoado mais do que podia imaginar, ou ela estava realmente apaixonada pelo namorado. 
     Independente da causa, ele precisaria de muito mais esforços para reconquistá-la.
     Seguiram em silêncio até a casa dos pais dela. Assim que estacionou, Rodrigo desligou o carro, mas não fez menção de descer. Ao perceber isso, Diana virou-se para ele.
     - Obrigado pelo jantar. Estava muito bom. – agradeceu com um sorriso sincero.
     - Não por isso. Sempre que no encontrarmos aqui, podemos prestigiar a comida de Cadu juntos.
     - Eu adoraria. – Rodrigo notou a apreensão em suas palavras – Bom. Preciso entrar.
     - Por que a pressa? Nosso encontro está tão ruim assim?
     - Não. E isso não é um encontro.
     - Poderia ser.
     Rodrigo aproximou-se de Diana, passando de leve a ponta dos dedos pela base do seu pescoço. Sentiu com satisfação os batimentos cardíacos acelerarem, enquanto ela fechava os olhos. Não havendo objeção, continuou a exploração subindo os dedos pela nuca. Num movimento preciso libertou os cabelos volumosos, na caricia mais sensual que ela havia recebido.
     - Você é linda Diana. Sempre foi.
    Ele a esperou abrir os olhos para acabar com os poucos centímetros que os separavam. Mas Diana espalmou as mãos em seus ombros e o conteve.
     - Não faça isso. – pediu num sussurro – Não posso.
     Ele a estudou durante alguns segundos antes de se afastar.
     - Desculpe.
     Diana esperou sua pulsação desacelerar antes de voltar a falar.
     - Foi bom reencontrar você.
     - Espero que a próxima vez não leve tantos anos.
     - Eu também!
      Ela beijou-lhe de leve no rosto.
     - A gente se vê.
     - Espero que sim.
    Rodrigo a esperou entrar em casa antes de ir embora. No coração apenas um desejo - poder mudar o passado.

Livro Diana- 15º Capitulo - Daianne Coll


- Ah! Mui amiga! Obrigado por ter me deixado ser a ultima a saber. – queixou-se Diana a Nicole.
Era véspera de Ano Novo. Diana, seus pais, Gabriel e Toni haviam jantado no apartamento dos pais de Nicole. Para surpresa da maioria dos presentes, Toni fez um discurso apaixonado e pediu a mão da namorada em casamento, fazendo os pais dela suspirarem de alivio.
- Sabe o que significa a palavra surpresa?
- Sou sua melhor amiga. Tinha o direito de saber antes e assim poder comprar um presente.
- Você me deu o melhor presente do mundo quando me apresentou o Toni. – afirmou Nicole, enquanto trocava olhares com o futuro marido.
- Pelo menos agora irá se mudar para Curitiba. Finalmente!
- Vou. Teimei por muito tempo. Não há nada que faça aqui que não possa fazer lá. Mas tinha de botar pressão em cima do Toni, se é que você me entende.
- Estou tentando. – afirmou Diana enquanto a abraçava.
- Sua vez de contar as novidades. Estou sabendo que houve um encontro essa semana...
- Encontro? Quem te disse isso?
- Quem? O Gabi! Ele me contou, indignado, diga-se de passagem, que você estava traindo o Conrado.
Diana não se surpreendeu pelo uso da palavra traição. Gabriel tinha imaginação fértil e não fazia muito tempo que ela havia sido chamada na secretaria da escola. Ao ler uma redação sobre o dia dos pais em frente à classe, o filho explicara que não conhecia o seu por ter sido concebido durante uma orgia.
- Primeiro. Não foi um encontro. Só um jantar com um velho amigo. E segundo. Não vou te dizer nada. Também posso ter meus segredos.
- Não vai fazer isso comigo! – Nicole reagiu indignada, colocando as duas mãos na cintura fina, numa postura de guerra.
- Vou sim! Alias é quase meia-noite. A não ser que você se ligue em tradições, vou agarrar seu noivo na virada do ano.
Ignorando a expressão de descrença de Nicole, Diana se dirigiu a sacada onde os demais aguardavam para assistir a queima de fogos à meia-noite.
Como Toni não ficou disponível, Diana abraçou Gabriel a força pra lhe dar o primeiro beijo no ano novo.
- Mãe! Quantas vezes tenho de dizer que não gosto de beijos. – alegou limpando o rosto.
- Não importa quantas vezes diga. Você é meu filho e tenho o direito de te beijar quantas vezes eu quiser.
Ele conseguiu se soltar e fugiu para o outro lado da sacada.
- Já comemoramos e está na hora de irmos embora. – anunciou Berenice uma hora depois.
- Concordo. Já se foi minha época de passar madrugadas na farra. – fez coro Marcelo, enquanto arrastava o neto quase adormecido.
- Onde pensa que vai, Diana? – perguntou Nicole – Ainda temos de comemorar meu noivado.
- Pensei que havíamos feito isso aqui.
- Eu também. – concordou Toni, não afeito a noites em claro.
- Qual é a de vocês? A noite é uma criança e o baile do Pinheiros deve estarbombando!
- Existe esse baile ainda? – perguntou Diana desdenhosa. Queria provocar Nicole.
- É claro que existe, sua metida! Duvido que haja baile melhor em Curitiba.
- Tudo bem! Deve ter razão. Mas não seria o caso de você comemorar somente com seu noivo? – Diana apontou pra Toni – Não quero pagar vela.
- Se você não for eu não vou. – anunciou Toni querendo se livrar dos planos da noiva – A Nicole fica de conversa com os amigos e acabo largado num canto.
- Vocês dois são incríveis! – sua voz aumentou - Dá pra se esforçarem um pouco para me fazer feliz?
Inconformada com a chantagem, Diana olhou para Toni em busca de apoio. Ele deu de ombros. Não queria brigar com a noiva.
- Tudo bem. – concordou exasperada – Posso levar minha família pra casa, pelo menos?
- Pode meu amor – Nicole a abraçou feliz e tascou um beijo barulhento em sua bochecha – Encontramos você lá.
Depois de colocar Gabriel para dormir, Diana seguiu para o clube. Como previsto estava lotado e viu-se obrigada a estacionar longe. Depois de uma breve caminhada aproveitou o grande espelho do hall de entrada para verificar o visual. Ficou satisfeita como o vestido prateado caia com perfeição e combinava com os sapatos da mesma cor. Os cabelos secados ao natural caiam em cachos descoordenados pelos ombros, dando-lhe uma aparência mais angelical do que madura.
Entrou no salão lotado e cumprimentou conhecidos, até encontrar Nicole e Toni cercados por amigos - dela. Como Toni previra, Nicole era o centro das atenções e ele estava deslocado. Quando avistou Diana sorriu de alívio.
- Ainda bem que ela vai embora comigo pra Curitiba. - confidenciou assim que Diana sentou ao seu lado - Se fosse o contrário, não sei se sobreviveria.
- Se eu fosse você não me sentiria tão aliviado. Nicole é naturalmente sociável. Vai fazer amigos em Curitiba também.
- Amigos não deveriam dar força aos amigos? – ele perguntou mal humorado.
Diana ia provoca-lo mais, mas Toni deixou de prestar atenção nela, arregalando os olhos e abrindo a boca em assombro. Ela seguiu seu olhar e deparou-se com Rodrigo e Roger parados na frente deles.
- Quando Rodrigo comentou que você continuava linda como no passado, suspeitei, Diana. Mas agora vejo que não há exagero nenhum. – alardeou Roger, antes de puxá-la para um abraço de urso.
- Bom ver você Roger. Soube que desistiu de me esperar e casou.
- É verdade. Você precisa conhecer a Marisa. Vou apresentá-las assim que a encontrar no meio dessa bagunça.
Rodrigo nada falou. Preferiu ficar sorrindo torto para Diana. Foi salva de entrar em transe por um pigarro alto de Toni.
- Oh! Desculpe-me. Roger... Rodrigo. Esse é meu amigo Toni.
Toni levantou-se desajeitado e recebeu cumprimentos calorosos da dupla sertaneja.
- Toni acabou de noivar com a Nicole. – Diana anunciou.
- Isso pede comemoração. – afirmou Roger.
- O que venho dizendo a noite toda. – concordou Nicole, abraçando os amigos de infância.
- Champanhe?
- Demorou!
Brindaram e riram das historias contadas por Nicole. Marisa logo se juntou a eles, demostrando ser uma pessoas sensata e paciente. Requisitos indispensáveis à esposa de uma celebridade.
- Foi para Toni que me pediu o autógrafo aquela noite? – perguntou Rodrigo.
Toni e Nicole lançaram olhares gêmeos de curiosidade para eles.
- Foi.
- Você pediu um autografo pra mim?
- Pedi. Mas esqueci de pegar. – respondeu Diana com o rosto corado.
- Foi com o Rodrigo que você saiu àquela noite? – perguntou Nicole sem rodeios e alto o suficiente para que todos na mesa escutassem.
- Não sabia que era segredo. – afirmou Rodrigo se divertindo.
- Não era segredo. – reafirmou Diana antes de esvaziava sua taça de champanhe num gole só – Só para Nicole.
- Pode me dar um autógrafo agora? – pediu Toni encantado – Ou dois?
Diana rolou os olhos e ignorou os olhares indagativos de Nicole.
Não era um assunto sobre o qual quisesse falar. O reencontro com Rodrigo havia mexido com ela, assim como estava magoada por ele não ter lhe telefonado. No fundo sabia que ele não o faria, afinal ela tinha namorado. Um namorado pra quem também não havia ligado.
- Você sabe que me deve explicações! – afirmou Nicole. Para reforçar o argumento beliscou o braço de Diana, aproveitando uma rara ausência de Rodrigo.
- Ai! Isso vai deixar marca!
- Não devia provocá-la. – alertou Toni – Ela anda armada.
- Não me interessa! A senhorita certinha saiu num encontro com o grande amor do passado e não me contou!
- Não foi um encontro. Não foi planejado. E há milênios ele deixou de ser meu amor do passado.
- Ele não parece compartilhar seu pensamento. – comentou Toni banal, como se estivessem falando do tempo.
- Está falando do que?
- Acorda Diana! O cara está totalmente na sua.
- Sinceramente não acho...
- Meu Deus! O que vocês mulheres tem na cabeça? Laquê?
- Toni!
- Menos você, meu amor. Mas a Diana está me decepcionando.
- Amigo querido, você está deslumbrado. Quando um homem está a fim de uma mulher, ele demonstra.
- O que acha que ele está fazendo sentado a noite inteira ao seu lado, quando há dúzias de mulheres neste salão, bonitas e dispostas a qualquer coisa por alguns minutos com ele?
- Vai ver está cansado hoje.
- E os olhares que ele lança a você? – argumentou Nicole – Fico tremula só de presenciar.
- Ele não para de sorrir pra você!
- Chega! Se ele estivesse interessado teria pelo menos me convidado pra dançar.
Toni colocou suas duas mãos no rosto de Diana e a puxou pra si.
- Você está num local publico e tem namorado. Preciso dizer mais alguma coisa?
Diana abriu a boca de espanto. Desde que a noite iniciara, havia esquecido da existência de Conrado.
- Vocês tem razão. – ela confirmou enquanto se levantava – Talvez ele só esteja esperando a oportunidade de ficarmos sozinhos.
- Acredito que ele esteja contando com isso. – afirmou Nicole.
- Preciso ir embora. – afirmou Diana enquanto pegava sua bolsa.
- Não precisa ir embora coisa nenhuma!
- Preciso sim, Nicole. Não posso cair em tentação. O Conrado não merece isso.
- Você só tem de ser forte.
- Não dá Toni. Pergunte a Nicole. Nunca consegui ser forte com o Rodrigo. O Gabriel é a prova viva disso.
- Mas Diana...
- Se despeçam de todos por mim.
Sem mais palavras saiu com pressa do clube. Só voltou a respirar aliviada quando estava ao lado do carro e abria a bolsa pra retirar a chave.
- Indo embora sem se despedir?
Diana sobressaltou-se ao ouvir a voz de Rodrigo tão próxima e deixou cair a chave. Ele foi rápido e a pegou.
- Pois é. Lembrei que amanhã... Hoje, quero dizer, volto para Curitiba... Preciso acordar cedo e arrumar minhas coisas...
- Posso procurá-la em Curitiba?
Diana, que até então não havia percebido que estava prensada entre ele e o carro, sentiu o coração martelar.
- Não sei... Você é um homem ocupado...
- Posso ou não posso?
- Pode... É claro!
Ela sorriu e ele desistiu de ser bom.
Sem tocá-la, encostou seus lábios de leve nos dela, testando-a. Diana deixou escapar um suspiro enquanto fechava os olhos e se entregava. Quando abriu os lábios num convite a língua impaciente dele, a mesma descarga elétrica do passado os atingiu, provando a ambos que nunca havia existido mais ninguém - que eram destinados um ao outro.
Rodrigo pousou suas mãos na cintura de Diana, enquanto ela passava os braços pelo seu pescoço, enroscando suas mãos nos cabelos macios. Ele soltou um gemido de pura satisfação que fez Diana sentir sensações além do prazer, principalmente onde seu sexo roçava o dele. Era muito mais do que ele a fizera sentir no passado.
Sentir.
Ela achara que Conrado a fazia sentir. O que ela sentia com Conrado não era nada comparado ao que estava sentindo naquele momento.
Lembrar de Conrado fez com que Diana voltasse a realidade. Ela interrompeu abruptamente o beijo deles e desviou o olhar. Não ajudava em nada ver que Rodrigo tinha os olhos brilhantes de excitação, assim como respirava em arquejos como ela.
- Preciso ir. – anunciou ainda sem encará-lo.
Sem se afastar, Rodrigo subiu as mãos pelos seus braços, segurou seu rosto e a fez olhar pra ele.
- Vou esperar o tempo que for preciso.
- Você não sabe do que está falando...
Calou as palavras dela com um novo beijo.
- Nos vemos por aí. – ele afirmou antes de se virar e voltar em direção ao salão.




2 Comentários

  1. muito boa a historia estou entedendo melhor agora! Estou acompanhando os capitulos!

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