Quase chorei, mas me segurei =\ Olha posso dizer que o final desse livro é perfeito ^^ Todos vão amar, me conta no comentário o que você achou?


Lembrando que se você comentar, vai estar no sorteio do ultimo post ^^

Capitulo 6


   Diana, que nunca havia saído de casa por mais de duas semanas, e sempre na companhia dos pais, achou que a adaptação a Curitiba seria difícil.

     Mero engano.
     Beatriz era uma mãe substituta maravilhosa, não somente para ela, mas para todos os estudantes que ali residiam. Ela fazia questão de preparar diariamente o café da manhã de todos, numa cozinha construída no andar térreo. Objetivava fazer com que seus protegidos fortalecessem laços de amizade, numa cidade conhecida por sua população individualista e com cara de poucos amigos.
     Na manhã do inicio das aulas, Beatriz preparou um café especial para seus filhos adotivos, surpreendendo aos novos, como Diana, e deliciando os veteranos que a idolatravam.
     - Diana! - Beatriz a chamou assim que ela entrou na cozinha – Venha aqui filha. Quero que conheça o Toni.
     Diana se aproximou da tia, a qual compartilhava a mesa com um rapaz ruivo sentado a sua frente.
     - Bom dia! – Diana o cumprimentou com um sorriso e observou as orelhas dele ficarem vermelhas.
     - Bom dia. – respondeu Toni, levantando-se rapidamente. Era quinze centímetros mais alto do que ela - Eu sou o Antonio. Mas todos me chamam de Toni.
     - Toni também faz Direito na Federal. – explicou Beatriz - Ele pode lhe acompanhar nos primeiros dias, ate você se enturmar.
     - Estou no segundo ano. – Toni apressou-se em explicar.
     Diana notou que ele possuía esplendidos olhos azuis. Estava longe de ser um modelo, mas era bonito.
     - Ótimo. Estava com medo de ficar perdida.
     - Excelente! – alegrou-se Beatriz – Agora tomem seus cafés e se mandem. É uma bela caminhada até lá.
     Diana gostou instantaneamente de Toni. Ele a ajudou a encontrar a sala de aula, assim como a biblioteca, o laboratório de informática e o melhor lugar para um chocolate quente no meio da manhã. Quando voltaram para casa na hora do almoço, já eram grandes amigos.
     Toni lhe revelou que Beatriz não obtinha lucro com o aluguel das quitinetes, uma vez que cobrava dos estudantes valores irrisórios, que mal cobriam as despesas básicas como água, luz e gás. Dava prioridade a inquilinos vindos de famílias de classe média a baixa, sobrevivendo tranquila dos lucros obtidos com os aluguéis de apartamentos de luxo espalhados pela cidade.
     Ele se considerava sortudo por ser um dos quarenta e quatro felizardos acolhidos por Beatriz – ela não admitia mais de um morador por apartamento. Oriundo de uma pequena cidade do interior, sem a ajuda dela não teria condições de se manter na capital, e acabaria tendo que largar os estudos.

     Diana não sentiu o primeiro mês de aulas passar, até receber um telefonema acuador de Nicole.
     - Que dia você vai pra casa? – ela lhe perguntou sem rodeios.
     - Nas férias de julho.
     - Ah! Que engraçada.
     - Não estou fazendo graça. É serio.
     - Sem drama, Diana. Esqueceu do carnaval?
     - Não. E não acho que seja motivo de ir pra casa. Além disso, meus pais nem vão estar lá.
     - E daí? Quero que vá por mim!
     - Por quê? Aconteceu alguma coisa? – Diana perguntou preocupada.
     - Precisa acontecer alguma coisa pra que eu possa matar as saudades da minha melhor amiga?
    Diana gostou da chantagem. Não havia percebido até aquele momento como sentia falta da amiga de infância.
     - Não. Não precisa. Mas não me programei pra viajar.
     - Então se programe! Tem menos de uma semana.
     - Vou conferir se ainda tem passagem pra sexta-feira à noite.
    - Sem chance! Viaje na quinta! – Nicole ordenou - Temos de aproveitar a noite de sexta. No sábado eu...
     A voz de Nicole sumiu quando percebeu seu deslize.
     - No sábado você vai ao casamento do Rodrigo. – Diana terminou por ela - Já estou sabendo.
     - Desculpe amiga. Mas o Cesar é super amigo dele. Não tive como recusar o convite.
     - Desencana. Essa história é passado.
     - Mesmo?
     - Claro! Tanta coisa legal já aconteceu... Não tenho tempo pra perder com ex-casos.
     - Ótimo. Quero saber de tudo!
     - Não se preocupe. Contarei até os detalhes sórdidos.
     Apesar da aparente animação de Diana, Nicole só desligou o telefone depois de a amiga prometer viajar na quinta-feira à noite.

     Já passava da meia-noite quando Nicole e Diana adentraram ao baile de carnaval. Ambas vestiam shorts jeans e sandálias rasteiras, além de camisetas idênticas, customizadas por Nicole.
   Haviam passado a tarde juntas na casa de Diana, narrando tudo sobre suas novas e agitadas vidas acadêmicas. Nicole percebeu, mas não comentou que Diana nada tinha a contar sobre sua vida social, a não ser o convívio com os colegas de moradia.
     - Isso aqui está bombando! – comentou Nicole sem parar de pular ao som das marchinhas.
     - Boa maneira de perder calorias. – Diana gritou em resposta.
     - Isso me lembrou do Cesar. Vamos procura-lo!
     Diana perdeu a companhia da amiga que matava saudades do namorado, mas não se importou. Popular como era não ficou um minuto sequer sem companhia.
     Estava voltando ao salão, vinda do banheiro das mulheres, quando avistou Rodrigo conversando com um rapaz desconhecido. Amaldiçoou-se por seu coração se acelerar para depois se apertar numa dor inconfundível. Temendo ser vista, deu uma volta completa no salão, se posicionando as suas costas e longe dos amigos. 
     Na medida em que os minutos passavam, confirmou que ele estava sem a companhia da noiva. E bonito. Muito mais bonito do que poderia imaginar. 
    - Chega! – declarou para si mesma, assustando um garçom que passava a seu lado. Disposta a não deixa-lo estragar sua noite, voltou para a companhia dos amigos decidida a ignorá-lo.
     - Pensei que houvesse ido embora! – declarou Nicole assim que a avistou.
     - Estava no banheiro.
     - Mentira! Fui lá procura-la. – ela explicou quando Diana lhe fez uma careta.
     - Dei uma volta no salão. É proibido?
     - Nossa! Só fiquei preocupada. Mas já que está tudo bem... Ops! – o olhar de Nicole estreitou-se – O que ele está fazendo aqui?
     Mesmo sabendo a quem Nicole se referia, Diana acompanhou seu olhar, deparando-se com Rodrigo a encará-la a poucos metros.
     - É muita cara de pau ficar olhando-a desse jeito. – Nicole nem tentava disfarçar sua ira – Será que ele esqueceu que tem uma mulh...
     - Nicole, venha comigo!
    Diana captou as palavras de Cesar, mas não tomou conhecimento do que este fez para calar Nicole e tirá-la de perto. Estava presa, hipnotizada no olhar de Rodrigo, o qual se aproximava com determinação.
     Seu coração bateu forte e sua mente lhe ordenou que virasse as costas e o ignorasse. Mas suas pernas se recusaram a obedecer. Ignorando os presentes, ele pairou seu rosto a poucos centímetros do dela.
     - Tentei ficar longe... – justificou sofrido - Mas sou louco por você!
     Diana fechou os olhos e baixou sua cabeça no ombro dele.
     - Não piore as coisas.
     - Não tem como piorar, Diana.
     Ele estava sóbrio e ela acreditou em suas palavras. Ecos exatos do que estava sentindo.
     Ele se afastou e lhe estendeu a mão.
     - Vem comigo?
     O que ela tinha a perder? Ele? Já havia perdido. Merecia ao menos se despedir.
     Decidindo deixar os arrependimentos para o futuro, segurou a mão dele o seguiu até o carro. Seus lábios se juntaram em desespero e tudo o mais foi esquecido.
     - Preciso de você! – ela sussurrou tirando o resto de sanidade que ele possuía.
     Foram para casa dela. Mais segura do que poderia imaginar, Diana o guiou pela residência escura até seu quarto, onde se despiram com calma, sem parar de se beijar. Quando ele se ajeitou sobre ela, Diana não sentiu medo ou nervosismo por sua virgindade, mas sim poder, desejo. Naquele momento ele era dela - só tinha sentidos pra ela.
     Amaram-se até os primeiros indícios de claridade surgirem no horizonte. Ainda dentro dela uma ultima vez, ele soube que cada vez que o dia nascesse se lembraria daquele momento.
     - Eu amo você. – falou com clareza, garantindo despropositadamente que ela também marcasse para sempre aquele momento.
     Ele esperou ela adormecer para ir embora.
    Não havia necessidade de despedidas. Nada mais que fizessem ou falassem poderia amenizar a sensação de perda.

     Diana dormiu até às quatro horas da tarde. Não precisou conferir a cama pra saber que ele não estava ali. Surpreendeu-se por não sentir raiva, mas apenas tristeza.
     Sem disposição para comer, e muito menos sair naquela noite, cobriu a cabeça com o edredom e dormiu. Só voltou a sair do casulo improvisado por breves segundos. Tempo suficiente pra ler a mensagem de texto enviada por Nicole às nove horas daquela noite, e que reforçou sua disposição em se isolar do mundo.

     Ele casou.

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