Aiaiaia onde que a Daiane quer chegar com isso, to morrendo de curiosidade pessoal,hoje são 3 capítulos para vocês kk 


Ahh não se esquece que se você comentar, no final vai ter um belo presente sendo sorteado para quem comentou ^^

Capitulo 7


Os primeiros sintomas começaram a aparecer no mês de abril. Vômitos pela manhã, perda de peso, intolerância a cheiro de perfume e frutos do mar. Não passaram despercebidos por Toni.
     - Não sou estudante de medicina, - ele comentou numa manhã, enquanto iam atrasados pra faculdade, pois Diana passara por uma nova sessão de mal estar – Mas diria que há uma grande possibilidade de você estar grávida.
     Observou a amiga empalidecer.
     - Há essa possibilidade? – ele insistiu com delicadeza.
     - Há essa possibilidade. – ela admitiu apavorada - Nada para no meu estomago. Meus seios doem...
     - Calma lá. Sou seu amigo, mas não quero saber os detalhes.
     - O que vou fazer?
     Toni a abraçou.
     - Primeiro tenha certeza. Depois se descabela.
     Ela assentiu sem esperanças.
     A tarde ele foi ao apartamento Diana, encontrando-a encolhida no sofá-cama.
     - Vamos tirar a duvida.
     - Como? – ela perguntou sem tirar o travesseiro do rosto.
    - Com isto! – ele afirmou arrancando o travesseiro que a escondia e mostrando três diferentes testes de gravidez.
     - Três?
     - Para termos certeza. Levante e vá ao banheiro fazê-los.
     - Agora?
     - Sim. Segundo o farmacêutico eles podem ser feitos a qualquer hora e caso dê positivo, não há margem para erro.
     - Está bem.
    Quase se arrastando Diana se trancou no banheiro. Saiu de lá alguns minutos depois, segurando três bastões.
     - Não olhei. Não tive coragem.
     Toni não titubeou.
     - É... Vamos ter um bebê na pensão da tia Beatriz.
     Diana ainda conferiu as listras duplas em todos os bastões antes de cair de joelhos no chão e se entregar ao choro compulsivo.
     - Calma, Diana! Isso não é o fim do mundo.
     - É sim! Como vou estudar com um bebê?
     - Daremos um jeito. Você tem amigos, sabia?
     - O que vou dizer pros meus pais? Eles vão me matar!
     Toni sentou no chão ao lado dela, abraçando-a carinhosamente.
     - Bobagem. Você não é a primeira moça solteira que engravida. Já pensou se todas fossem mortas?
     - Você não entende. Não posso sustentar um bebê. Vou ter de voltar pra casa!
     - Acalme-se! Você não fez esse bebê sozinho. O pai tem metade da responsabilidade. 
     Toni reparou que havia tocado num ponto sensível. O choro de Diana aumentou, beirando o desespero. Recapitulou rapidamente suas conversas e não a recordou comentando sobre algum namorado que houvesse deixado em sua cidade.
     Ele fez chá e a deixou chorar a vontade. Quando Diana recobrou o controle, convenceu-a a contar a novidade a Beatriz.
     - Tenha certeza de que vou cuidar desse bebê como se fosse meu neto. – afirmou a tia, surpreendendo Diana com sua calma e controle - Você não vai deixar de estudar por causa disso. Aqui é sua casa agora.
   Diana achou que não havia mais lagrimas pra chorar, mas abraçada a tia chegou a exaustão, principalmente por gratidão ao seu apoio e por ela não insistir em saber quem era o pai do bebê.
     Mas a prova de fogo ainda não havia chegado.

   Esperou o feriado do dia do Trabalho para voltar a Pato Branco. Depois de um jantar agradável, encontrou os pais sentados na cama. Sentou-se aos pés dos mesmos.
     - Pai... Mãe... Precisamos conversar. – sentenciou depois de respirar fundo.
    Seu pai arqueou uma sobrancelha, lembrando-lhe Nicole. E como o apoio dela seria importante naquele momento.
     - A ultima vez que disse isso, havia raspado o carro no portão.
     - Digamos que aquilo foi brincadeira de criança perto do que tenho pra falar.
     - Pior? – Marcelo perguntou sorrindo.
    - Deixe-a falar, Marcelo. – exigiu Berenice séria. Seu sexto sentido estava em alerta o suficiente pra saber que não ia gostar do que a filha contaria.
     - Eu... Eu... Bom... Eu...
     - Você está grávida. – Berenice completou serena.
    - Que idiotice pra se falar Berenice! Não brinque com essas coisas... – a voz de Marcelo sumiu e seu peito se apertou ao ver as lagrimas no rosto da filha, que concordava com a cabeça.
     - Como deixou isso acontecer? – exigiu Berenice seca.
    - Do jeito, óbvio, não é mesmo? – bradou Marcelo que nessa hora se levantou da cama e começou a andar nervoso de um lado para o outro – Ela não se cuidou.
    - Meu Deus, Diana! Você mal saiu de casa e já me apronta uma dessas... E eu contando com o bom senso da Beatriz pra cuidar de você...
     - Quem é o pai? – Marcelo exigiu - Quero saber quem é o pai pra poder matá-lo!
     Diana também levantou e secou as lagrimas, recuperando o controle.
    - Vocês tem todo o direito de estarem revoltados e decepcionados com a besteira que fiz. Podem me expulsar de casa, me bater, mas... – ela pediu com a mão que Marcelo esperasse – Não vou dizer, em hipótese alguma, que é pai dessa criança.
     - Sua ingrata! – gritou Marcelo – Alguma vez bati em você?
     - Não.
     - E porque acha que eu faria isso agora, com você nesse estado? O que você acha que eu sou?
     As palavras doeram mais em Diana do que qualquer agressão física.
     - Me desculpe. Estou nervosa...
     - Você não vai contar quem é o pai? – perguntou Berenice ainda no controle da situação.
     - Não, mãe. Não vou dizer. Esse filho é só meu.
     - Mas que porcaria é essa...?
     - Marcelo, pare de gritar! Diana vá para o seu quarto!
     Diana obedeceu, saindo do quarto dos pais, mas ficou parada ao lado da porta fechada.
     - Viu o que deu deixá-la estudar fora? – Marcelo perguntou enfurecido.
     - Se ela quisesse transar faria aqui, lá, seja onde for! Já aconteceu! Precisamos nos concentrar no agora.
     - E essa historia de não querer dizer quem é o pai? Quem ela está protegendo?
     - Por mais que me doa dizer isso, pode haver a possibilidade dela não saber quem é o pai.
     - Meu Deus! Onde foi que eu errei...
   Diana voltou para o seu quarto mais aliviada. Ainda estava inteira e era preferível que seus pais pensassem que ela não sabia quem era o pai do bebê, do que saberem que engravidara de um homem casado.
     Para ela fazia toda a diferença.

   Na manhã seguinte, quando entrou na sala de refeições para o café, encontrou seu pai mal humorado. Sua mãe parecia serena, mas as olheiras sob os olhos deixavam claro que ela havia chorado boa parte da noite. Diana se sentiu mais culpada - Berenice odiava ficar com olheiras.
     - Bom dia. – ela os cumprimentou timida.
     - Bom dia. Eu e seu pai conversamos e decidimos que é adulta o suficiente para saber o que é melhor pra você. Se quiser voltar para casa será recebida de braços abertos. Se quiser continuar os estudos, Beatriz se comprometeu a cuidar do bebê enquanto você estiver na faculdade.
      - Obrigada, mãe... Pai. Prefiro continuar em Curitiba.
    - Humf! – Marcelo limitou-se a grunhir e Diana soube que penaria muito pra conseguir a confiança dele novamente.

     À tarde, quando Nicole chegou pra visitar a amiga, Diana escutou seu pai gritar pela casa.
    - Ela está no quarto. Chegou em casa cheia de novidades. Veja se consegue colocar um pouco de juízo naquela cabeça!
    - Do que seu pai está falando? – Nicole perguntou assim que entrou no quarto – Nunca, na minha vida inteira, o vi tão bravo com você.
   - Sente. – pediu Diana antes de fechar a porta do quarto e, por precaução caso o pai estivesse coincidentemente por perto, a janela.
     - Está me deixando curiosa. O que aprontou?
     - Estou grávida.
     Nicole olhou séria para amiga, mas aos poucos um sorriso foi tomando conta do seu rosto.
     - Fala sério! O que aconteceu?
     - Estou grávida.
     - Você não pode estar grávida.
     - Por que não?
     - Você é virgem!
     Diana fez uma careta exausta e Nicole deixou o sorriso morrer.
     - Espere ai! Está querendo dizer que não é mais virgem e escondeu isso da sua melhor amiga?
     - Digamos que não foi um momento do qual me orgulhe.
     - Por isso achou que não era importante contar pra mim? – Nicole perguntou ressentida.
     - Estou grávida, Nicole! E você está preocupada sobre quando perdi a virgindade?
     - Uma coisa não aconteceu sem a outra.
     - Tem razão.
     - Quem é o pai?
     - Eu...
    - Aposto que é aquele tal de Toni. Na ultima vez que nos vimos você não parou de falar nele. O Toni isso, o Toni aquilo...
     - Não é o Toni.
     - Então quem é? – Nicole perguntou impaciente.
     Diana se aproximou, deixando os olhos na mesma altura dos de Nicole.
     - Se eu contar, vai ter de jurar, por tudo que é mais sagrado, que não vai contar pra ninguém.
     - Nossa! É tão grave assim?
     - É. É muito grave. Se acha que não vai conseguir guardar segredo, admita e eu não conto.
     - É claro que posso guardar segredo. Alguma vez provei o contrário?
     - Mesmo dos meus pais? Porque eles vão perguntar.
     - Meus deuses. De todo mundo!
     - Até do Cesar?
     - Mais fácil ainda. Não estamos mais juntos e... - os olhos de Nicole se arregalaram - Não vai me dizer que...
     - Sim. É do Rodrigo.
    Nicole abriu a boca, fechou e abriu de novo. Diana imaginava as engrenagens em sua cabeça tentando formular as palavras.
     - Quando...?
    - Na sexta-feira de carnaval. Naquela maldita sexta-feira em que eu nem queria estar aqui, mas você insistiu...
      - Bem que você sumiu sem dar tchau para ninguém.
      - Acredite. Não raciocinei aquela noite.
    Depois de arrancar todos os detalhes da única noite de amor da vida de sua melhor amiga, e que resultara numa gravidez não planejada, Nicole arrematou tudo com uma óbvia conclusão.
     - Você foi a despedida de solteiro dele!
     - Belo consolo!
     - Se precisa de consolo, ele não foi um noivo dos mais felizes.
     - Não precisa tentar me animar.
     - Estou falando a verdade.
     - Deixa isso pra lá. Essa é uma parte da minha vida que já era.
     - Mas deixou sementes.
     - Para que eu nunca mais consiga esquecer.


Livro Diana- 8º Capitulo - Daianne Coll 


Capitulo 8

 Berenice exigiu que Diana se consultasse com o ginecologista delas antes de voltar a Curitiba. Como Diana não estava em condições de impor nada perante os pais, aceitou e dois dias depois chegou ao consultório, onde pagou pela consulta e foi conduzida a uma sala de espera lotada.
     - O doutor está atrasado no atendimento hoje. – explicou a recepcionista, aflita com olhares que recebia das clientes indignadas.
     - Tudo bem.  – Diana concordou simpática.
    Conseguiu uma revista mais ou menos atual e se pôs a ler sobre a vida dos ricos e famosos, quando cerca de vinte minutos depois ouviu a voz que a fez congelar.
     - Sou o marido da Helena Massignan. Onde minha esposa está?
    Diana cobriu o rosto com a revista que segurava e pelo canto dos olhos estudou Rodrigo. Ele estava tão agoniado, que não prestou atenção as pessoas ao seu redor.
    - Me acompanhe por favor. – pediu a recepcionista. Quando ela retornou sozinha e com fisionomia infeliz, acabou desabafando com uma senhora que perguntara o que estava acontecendo – A esposa dele perdeu o bebê. Estava com seis meses de gravidez.
    Diana sentiu a sala girar. Um suor pegajoso começou a escorrer por sua nuca e ela sentiu vontade de vomitar.
     Sabendo que não seria nada discreto desmaiar ali, levantou e seguiu rapidamente em direção a saída.
    - Algum problema? – perguntou a recepcionista solicita.
    - Não. A consulta está demorando demais e tenho outro compromisso.
    - Mas você já pagou pela consulta. – lembrou-lhe a recepcionista.
    - Não faz mal. – respondeu Diana antes de ignorar o elevador e começar a descer as escadas. Precisava de ar puro.
    Conseguiu chegar ao carro do pai e sentar, antes que suas pernas cedessem. Teve que esperar as mãos pararem de tremer antes de ligar o carro e seguir em direção a sua casa, onde seus pais ligaram a sua tristeza ao fato de se descobrir grávida e sozinha. Jamais imaginariam que tratava-se de empatia pela perda da esposa e do pai de seu filho.
     Quando seus pais a levaram a rodoviária naquela noite, ela fez um pedido a mãe.
     - Me ajude a fazer com que ele não me odeie. – ela pediu apontado discretamente para o pai.
     - Ele não te odeia, querida.
     - Mas ele está tão bravo.
     - Ele está carrancudo e preocupado. Nunca irá admitir, mas não quer que o neto seja criado longe dele.

     A medica de Diana calculou o nascimento do seu filho para a ultima semana do mês de novembro.
     Toda noite em seu quarto - Diana havia se mudado para o apartamento de Beatriz – enquanto lia para o filho, ela pedia que ele esperasse mais um pouco para nascer, pois tinha de acabar as provas semestrais ou poderia ficar em apuros.
     Para provar que estava ouvindo, as contrações de Diana começaram durante a última prova do semestre. Com seu relógio calculou o intervalo entre as dores e ao final da prova pediu a um colega que chamasse Toni.
     - O que foi? – ele perguntou alarmado.
     - Está na hora. – Diana conseguiu responder com uma careta de dor.
    - Você está louca? Porque não me chamou antes? – ele perguntou andando de um lado para o outro, sem saber o que fazer.
     -Toni! Aqui! Preciso de você!
     - Eu sei, eu sei... Estou preparado...
     - Toni. Me ajude a descer e vá buscar meu carro.
     - Ta... Tá... Mas a mala do bebê...
     - Já está no carro.
     No fim, Diana teve de contar com o apoio de outros colegas, pois Toni estava mais nervoso que um pai de verdade. Pelo menos ele conseguiu dirigir o carro, que ela havia ganhado dos pais em seu aniversario de dezoito anos, até a maternidade, onde Berenice – que estava na cidade a espera do nascimento do neto – e Beatriz logo chegaram.
     Menos de seis horas depois, Diana estava com seu filho nos braços, o qual decidiu chamar de Gabriel em homenagem ao pai de seu pai. Era um bebê robusto e rosado, com uma pelagem clarinha na cabeça.
    Quando Marcelo chegou a maternidade naquela noite, chorou como criança ao segurar o neto. Diana soube que estava perdoada e poderia curtir sua vida ao lado do filho, sem culpas ou neuras.
    Cinco dias depois Diana viajou com seus pais e Gabriel para Pato Branco, onde ficou permaneceu até o reinício das aulas, três meses depois. Cuidou para que sua estadia na cidade fosse a mais discreta possível, recusando-se a sair de casa com o filho, tendo como uma única companhia constante a madrinha de Gabriel, Nicole.

Livro Diana- 9º Capitulo - Daianne Coll

Três anos depois...

     Diana acordou depois de uma noite de sono revigorante, assustando-se ao perceber que já eram mais de dez horas da manhã. O fato de estar na casa dos pais e não ter obrigações com aulas ou estágios, era o suficiente para que recuperasse as horas de sono perdidas cuidando do filho.
     Lembrar de Gabriel a fez sorrir. Decidiu levantar e procurar por ele. O fato de Gabriel fazer questão de dormir com os avós na cama deles, era outro relaxante natural nas noite de Diana.
     Depois de um banho rápido encontrou Toni confortavelmente acomodado numa farta mesa de café da manha, enquanto folheava o jornal. Ao perceber a presença de Diana, abriu um sorriso em reconhecimento.
     - Bom dia, Bela Adormecida. Achei que não acordaria mais.
     - Bom dia. É o efeito casa dos pais. Não tem lugar no mundo onde eu consiga relaxar mais.
     - Compreensível.
    - Onde está o Gabriel? – ela perguntou olhando para o jardim dos fundos. Esperava vê-lo correndo atrás do cachorro que o avô havia lhe dado no aniversário de três anos.
     - Saiu com a sua mãe dar uma volta – respondeu Toni entre goles de café – Ela disse que precisava mostrar o neto as amigas.
     Diana tentou esconder a súbita agonia que subiu por sua garganta.
     - Mamãe não toma jeito.
     - Ela avisou que se caminhassem demais ligava para irmos buscá-los.
     - Típico.
     Toni esperou a amiga servir-se antes de tocar no assunto que lhe interessava.
     - E a Nicole? Vai aparece por aqui hoje?
    Diana sorriu sob a borda de sua xícara de chá. O fato do amigo fazer questão de acompanhá-la até Pato Branco, antes de ir passar os feriados de fim de ano com seus pais, não se devia apenas por ele fazer questão de cuidar de Gabriel, enquanto Diana dirigia.
     - Ela disse que chegaria hoje, então é bem provável. Você sabe como ela gosta do Gabriel.
     - E quem não gosta do pestinha?
     - E quem não gosta da Nicole?
     Toni abaixou o jornal e fez cara de mal.
     - Você sabe muito bem que só estou perguntando porque quero entregar pessoalmente o convite dela para a minha formatura. É o mais educado a fazer.
     - Claro, é só por isso. Você é muito educado.
    Diana lembrava em detalhes a primeira vez que Toni e Nicole se conheceram na casa dos pais dela. Diana havia convidado os dois para serem padrinhos de seu filho, mas nunca achou que seria possível a troca de olhares interessados que presenciou. 
     Não haviam duas pessoas mais diferentes no mundo. Toni, com sua vida certinha de estudante e planos para um prestigiado escritório de advocacia. Nicole com sua preocupação excessiva com roupas, maquiagens e acessórios.
   Como que, para provar que não tinham o mínimo interesse um pelo outro, desde a primeira troca de palavras o dois procuravam se ofender, levemente é claro, mas com evidente desagrado. Diana ficava no meio do fogo cruzado escutando Toni reclamar que Nicole era uma esnobe sem miolos, e ela revidar dizendo que ele se vestia como um nerd ridículo.
     Diana imaginava que no fundo a troca de farpas não passava de pura tensão sexual. Esperava não estar por perto quando ela explodisse.
    Neste momento Mirtes, uma das funcionárias de Berenice, entrou na sala interrompendo os devaneios de Diana.
     - Diana, sua mãe ligou e pediu para que você fosse buscá-la no mercado. Disse que se empolgou com as compras. – completou Mirtes com um sorriso, como se isso fosse corriqueiro.
     - Que mercado? – Diana perguntou distraída.
     - No Massignan.
    Diana se afogou com o chá e Toni teve que dar palmadinhas em suas costas, até que ela conseguisse voltar a respirar.
     - Meu Deus, Diana! Como consegue fazer essas coisas?
     - Ela ainda vai me matar. – disse Diana antes de se levantar e procurar pela chave do carro.
     - Posso ir junto? – pediu Toni – Quero ver a cidade.
     - Vamos. – ordenou Diana mau humorada.
    Quando estavam chegando ao mercado, o fato de haver na entrada um grande outdoor com a foto de Rodrigo e Roger, piorou em muito o humor de Diana.
   - "Bem vindos ao Supermercado Massignan. Temos orgulho em sermos tão patobranquenses como a dupla Roger e Rodrigo". – leu Toni – Não acredito que eles são da sua cidade e você nunca me contou.
     - Grande coisa. – ela resmungou fazendo uma careta para o cartaz.
     Há mais de um ano a dupla Roger e Rodrigo havia explodido no mundo da musica sertaneja. O fato de haver cartazes e outdoors espalhados por todos os lados de Curitiba, e deles aparecerem quase que semanalmente em programas de televisão, não ajudava Diana a melhorar seu humor.
     - Grande coisa? Você sabe que eu adoro a musica deles.
     - Que mal gosto.
    Toni revirou os olhos e não disse mais nada. Conhecia Diana bem demais para saber que quando ela teimava com alguma coisa, não mudava de opinião facilmente. E no momento ela queria odiar a dupla Roger e Rodrigo.
     - Será que consigo um autografo pra minha mãe?
     - Como se fosse possível eles estarem por aqui. Agora eles são famosos e devem ficar viajando o tempo todo.
     - Todo mundo precisa de um descanso.
     - Não quando se está ganhando rios de dinheiro.
     Entraram juntos no mercado e não avistaram Berenice e Gabriel.
     - Você vai por aqui e eu por aqui. Assim achamos mais rápido e vamos embora daqui de uma vez.
     - Está bem, mandona.
    Diana encontrou sua mãe e Gabriel no setor de hortifrutigranjeiros, no exato momento em que eles se encontrava com Sandra, mãe de Rodrigo. Seu coração deu um salto no peito e ela ficou oculta atrás de uma gôndola de verduras, de onde podia ouvir as palavras trocadas por elas, sem ser vista.
     - Berenice, minha querida. Quanto tempo!
     - Oi, Sandra – Berenice a cumprimentou com um beijo rápido no rosto – Eu vivo dentro deste mercado. Você que nunca sai daquele escritório.
     - Pior que é verdade. Mas se eu não ficar em cima, as coisas não andam nesse negócio.
     - Eu entendo. E depois os homens acham que são eles que dão conta de tudo.
   - E esse rapazinho, quem é? – Sandra perguntou olhando com carinho para Gabriel, enroscado nas pernas de Berenice.
     - É o meu neto. – respondeu Berenice, evidentemente orgulhosa.
     - Neto? Não sabia que tinha um neto.
     - Pois tenho. Ele mora com a mãe em Curitiba, então é raro conseguir sair com ele por aqui.
    - Não fazia idéia de que a Diana era mãe. Também, faz milênios que não a vejo. Deve estar um mulherão.
     - Ela está sim.
     Sandra abaixou-se quase ao nível de Gabriel.
     - Posso saber seu nome?
    Gabriel olhou-a assustado, mas em poucos segundos abriu um sorriso tímido, demonstrando que tinha gostado dela.
     - Gabriel e já tenho três anos. – ele afirmou seguro, mostrando três dedinhos erguidos.
     - Que lindo! – disse Sandra se endireitando – Ele me lembra alguém.
     Diana sentiu o sangue gelar em suas veias.
     - Quem? – perguntou Berenice com tanto entusiasmo que Sandra a olhou confusa.
     - Não sei quem, mas que ele é parecido com alguém que eu conheço, é.
    Diana ainda conseguiu sorrir. Sandra devia estar muito distraída, pois fora os cabelos super claros, Gabriel era quase uma copia do pai, inclusive com direito a olhos que mudavam da cor azul para a verde, quando menos se imaginava.
     - Sandra, se você pudesse...
     Diana decidiu que era hora de intervir e evitar que a mãe fizesse perguntas embaraçosas. Mas antes que  pudesse se revelar, Toni os encontrou.
     - Gabriel, meu pirralho. Onde estava se escondendo?
     Gabriel abriu o maior dos sorrisos a Toni e correu para os seus braços.
    - Papito! – ele gritou enquanto Toni o colocava de cavalinho em seus ombros, como tinha costume de fazer desde que sentira que não havia mais possibilidade de quebrar seus ossos.
     - Olá! – Toni cumprimentou Sandra e Berenice.
   Sandra abriu um sorriso para Toni, olhando dele para o menino. Diana compreendeu que ela havia observado os olhos azuis céu de Toni, quase da mesma tonalidade que os de Gabriel aquele dia, e o fato de Gabriel ter chamado Toni de papito, deve tê-la feito concluir que o menino era filho dele.
     Diana lembrou de uma das primeiras palavras de Gabriel. Ele chamara Toni de papai, fazendo os olhos de seu padrinho marejarem. Mas Diana tratou de explicar que Toni não era seu pai e seria errado chamá-lo assim. Gabriel entendeu, mas como Toni se mostrara teimosamente ofendido por não poder ser visto como um pai para o menino, Diana incentivara Gabriel a chamá-lo de papito, afinal como padrinho do menino, ele era de certa forma um seguindo pai.
     E naquele momento, o uso daquela simples palavra, estava fazendo milagres.
   Por sorte uma funcionaria chamou a atenção de Sandra e ela teve que se despedir de  Berenice, Toni e Gabriel, indo em direção aos depósitos.
    Diana se emparelhou com a mãe e depois de dar um beijo rápido no filho, começou a empurrar o carinho de compras em direção aos caixas.
     - Não consegue ficar um dia sem entrar no mercado? – perguntou Diana bufando.
   - Precisava de algumas coisas para o almoço, senhora mau humorada. Só me empolguei um pouco.
     - Um pouco? – resmungou Diana apontando o carrinho lotado.
     - É você quem vai pagar por acaso? Vai mudar sua vida as minhas compras?
    Diana revirou os olhos. Sabia que não adiantava discutir e no fundo sua mãe não havia feito nada de errado. Pelo menos consciente.
     - Desculpe.
     Toni só ouvia a discussão confuso, tentando entender as atitudes da amiga. Enquanto esperavam no caixa, descobriu a venda CDs e pôsteres da dupla Roger e Rodrigo.
     - O CD eu tenho. - ele explicou a Gabriel – Mas vou levar um pôster para minha mãe.
     - Vai espantar os mosquitos da casa. – comentou Diana, recebendo um olhar raivoso da moça do caixa que não devia estar acostumada a ouvir criticas sobre os seus patrões.
     - A mulher que estava conversando comigo é a mãe deles, Toni.
     - Não diga? Então eles devem vir sempre para cá.
     - Pelo menos um vez por mês eles vem a cidade visitar os pais. – anunciou a moça do caixa.
     Toni lançou um olhar venenoso a Diana.
     - Viu?
     - Ah! Tá, tá. Espero vocês no carro. – disse Diana, saindo num rompante da loja.
     - Mas o que deu nela hoje? – perguntou Berenice.
     - Dormiu com a bunda descoberta. – respondeu Gabriel, repetindo as palavras que a mãe dizia a ele quando estava emburrado.
     Já no banco de trás do carro Toni abriu o pôster para mostrar a Gabriel sentado ao seu lado. Mostrava Roger com sua estatura mais alta, pele morena, cabelos castanhos escuros e olhos verdes. Ao seu lado estava Rodrigo um pouco mais baixo que o irmão e com a pele mais clara, assim como cabelos castanhos claros e olhos de um tom raro de azul com pinceladas verdes.
     Toni sentiu um dèjá vu com relação a cor daqueles olhos e não precisou pensar muito. Bastou olhar para seu afilhado, com os olhos naquele momento na mesma tonalidade. Conferiu ainda o mesmo nariz reto e a mesma boca cheia, e não teve duvidas sobre o motivo de tanto mau humor de sua amiga.

    Toni estava confortavelmente sentando numa cadeira do jardim da casa dos Lorenz, e bebia cerveja enquanto escutava Nicole contar a Diana as ultimas novidades ocorridas desde que as duas haviam estado juntas. Ao contrario do que poderia pensar um observador desavisado, Toni não estava enfadado com a tagarelice sem fim das amigas, pois cada vez mais ele sentia prazer somente por estar ao lado de Nicole. Ainda mais quando ela passara a retribuir sua paciência com sorrisos ou apertos inesperados em sua mão.
     Diana, que havia percebido a mudança de comportamento dos dois, sabia que estava cada vez mais perto o dia em que seus conselhos de que uma amizade valia mais do que uns amassos, seria ignorado por eles.
     Estava pensando nisso quando as palavras seguintes de Toni a fizeram voltar para Terra.
     - Então, quando pretendia me contar que o pai do Gabriel é o famoso Rodrigo Massignan?
     Nicole engasgou com sua cerveja, molhando as pernas de sua calça jeans de marca.
     - Cacete! – ela praguejou sem pensar – Como descobriu?
     - Desconfiei, mas agora você confirmou para mim. – afirmou Toni confiante.
     Diana o olhou séria por alguns segundos.
     - Como descobriu?
    Ele pegou o pôster que estava dobrado no bolso de sua jaqueta, abrindo o mesmo em frente a eles. Diana se deparou com Rodrigo sorrindo para ela.
     - Pelo pôster?
     - Pelos olhos. A mesma cor incomum que Gabriel tem nos olhos hoje.
     - O que é a genética? – comentou Nicole observando cuidadosamente o pôster – Eles são iguaiszinhos Diana. O Gabriel é o Rodrigo em miniatura.
     - Como se eu não percebesse isso todas as manhãs.
     - E agora posso saber porque nunca contou quem é o pai do menino se ele está ai, vivo?
     Diana se recostou em sua poltrona e fechou os olhos.
     - Não posso falar nisso de novo. Nicole, por favor.
   - Com prazer. – Nicole aproveitou para sentar junto a Toni, enquanto segurava sua mão – Tudo aconteceu quando nossa amiga conheceu o senhor cantor sertanejo em...

3 Comentários

  1. Eu também quero saber aonde ela quer chegar...hehehe
    Está ótimo acompanhar esses capítulos.

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  2. Não tinha lido nada dessa história mas, pelo o que li nesses três capítulos fiquei super curiosa.
    Agora ovu ter que ler do começo.

    bjs.

    http://booksandmuchmore.blogspot.com

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  3. a cada capitulo mais vidrada na historia!

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