E ai pessoal, quem está comentando???? Olha vou contar uma coisa que vai ter no premio srsr marcadores de pagina srrs A sim, to pensando em colocar um livro no final ^^  A sim, esse é o penúltimo post dessa serie o próximo é ultimo ^^ 


Livro Diana- 22º Capitulo - Daianne Coll

   Rodrigo estava tão cansado que perdeu a noção das horas. Foi acordado ao meio-dia por um telefonema de sua agente, que histérica perguntava onde ele estava e como poderia ter esquecido o almoço com empresários de uma gravadora italiana. Rodrigo deixou claro que não havia esquecido o compromisso, mas que o trocara por algo mais importante – constatou com satisfação o perfume de Diana nos travesseiros - Tudo o que ela e Roger decidissem ele acataria. Isso a acalmou e ele pode encerrar a ligação.



     Aleardo demorou a encontrar o endereço passado por Diana - uma chácara na região metropolitana. Ele e Rodrigo surpreenderam-se pela quantidade de motos estacionadas no local, bem como o estilo exagerado de alguns de seus condutores.
    Apesar do convite para que o acompanhasse, Aleardo preferiu ficar assistindo TV no carro. Rodrigo caminhou em meio aos presentes sentindo-se deslocado com sua camisa e tênis esportivos. Depois de alguns minutos avistou Diana e Gabriel, ambos vestindo a mesma roupa que parecia ser o uniforme do encontro: calça jeans, botas e camisetas pretas com logotipo do clube de motos. Sorriu ao ver o menino sentando em uma enorme Harley, enquanto Diana lhe servia cachorro-quente.
     Ela o avistou antes de Gabriel e abriu um sorriso convidativo. Sem se incomodar com as neuras de Diana, Rodrigo a beijou na frente do menino, que continuou a comer indiferente.
     - Você demorou. – foi tudo o que Gabriel disse ao ser cumprimentado por Rodrigo.
     - Perdeu o melhor da festa. – complementou Diana tentando relaxar.
     - Perdi a noção das horas, isso sim. Se a Janete não tivesse me ligado, não sei quando acordaria.
     - Quem é Janete? – perguntou Gabriel.
     - Ela é minha agen... – ele esqueceu o que ia dizer ao estudar o rosto do garoto – Seus olhos não eram azuis?
    - E verdes também. Eles mudam de cor. – o menino explicou dando de ombros, mais do que acostumado a aquela indagação.
     Diana observou o corpo de Rodrigo ficar tenso como o seu.
     - Quantos anos você tem mesmo?
     - Dez. Nasci no dia trinta e um de novembro. – esclareceu Gabriel, dando a Rodrigo toda a informação de que ele precisava.
     Rodrigo virou-se para Diana. Apesar da opressão que sentia no peito, ela empinou o nariz em desafio.
     - Avisei que tinha algo pra contar.
     Ele abriu a boca, fechou, olhou para o filho e depois se virou de novo para ela, pegando-a pelo braço.
     - Não saia daqui Gabriel! Já voltamos! – ordenou.
    Diana não protestou enquanto era arrastada sem cerimônia até uma área nos limites da propriedade, onde não seriam ouvidos.
     - Como? – ele perguntou angustiado – Como pode fazer isso comigo?
     Diana havia prometido a si mesma que não iria chorar, mas já sentia os olhos embaçados.
     - Queria que eu fizesse o quê? Contasse pra todo mundo que estava grávida de um homem casado?
     - Quem sabe... Se eu soubesse...
     - Se você soubesse o que? Iria deixar sua esposa grávida pela outra tonta que fizera a mesma coisa? Ou pior. Teria coragem de abandoná-la só porque eu ia te dar o que ela não havia conseguido?
    - Eu não sei... Não acho que teria sido assim. Mas você não podia ter me escondido isso! Eu tinha o direito de saber!
     - Eu sei disso. Hoje eu sei disso! – ela apressou-se em explicar – Mas na época fiquei apavorada.
     - Diana! Eu tenho um filho de dez anos. Dez anos! Olhe tudo o que perdi!
     - Rodrigo! Você precisa se acalmar. Nós ainda temos de contar a verdade ao Gabriel...
     - Nós?
     - É claro! Ele vai entender melhor se...
     - Nós uma ova! Eu vou contar a verdade a ele!
     - Você não pode fazer isso.
     - Posso e vou. Você teve sua chance. Dez anos de chances! Agora vou contar a verdade ao meu filho.
     Havia desprezo em suas palavras e Diana preferiu não argumentar.
     - Para onde vai levá-lo? – perguntou secando os olhos. Rodrigo caminhava determinado em direção ao filho.
     - Não se preocupe. Vou passear com ele por ai. Até o anoitecer ele estará de volta em casa.
     Ele estava tão furioso que ela aceitou sem retrucar. 
    Com pesar viu o filho saindo com Rodrigo. Com medo tentou não imaginar como ele a trataria quando voltasse.

     Não havia outro lugar onde Diana pudesse estar naquele instante.
    Assim que chegara arrasada ao apartamento de Toni e Nicole, os amigos abriram uma vaga para ela no meio deles na cama, onde foi consolada.
     - Eles vão perdoar você. – disse Toni amável – Os dois são loucos por você.
     - Mas eu menti. Descaradamente. – Diana assoou o nariz com o vigésimo lenço de papel.
    - E por dez anos. – completou Nicole, ganhando um olhar reprovador do marido – Mas por um bom motivo. – concluiu perguntando por cima da cabeça da amiga o que?
     - E se Rodrigo não me perdoar... Pior. Se ele tentar tirar a guarda do Gabriel de mim?
     - O Rodrigo que conheço jamais faria isso.
     - Nicole tem razão, Diana. Por mais que ele possa estar revoltado nesse momento, sabe que você é uma boa mãe e que o Gabriel precisa de estabilidade. Ele não poderia dar isso ao menino com a vida itinerante que leva.
     - Mas ele comprou um apartamento aqui e montou um quarto pro Gabriel.
     - Ele fez isso? – Nicole perguntou encantada – Antes de saber que era pai dele?
     - Sim. Ele disse que amava o Gabriel tanto quanto me amava.
     E ao sentir o peso das próprias palavras, Diana caiu num chorou convulsivo.
     Ao casal restou esperar que ela se acalmasse sozinha.

     Diana voltou pra casa no fim da tarde e deitou em sua cama, a espera do retorno do filho. Ficou mais de uma hora encarando o teto, desviando os olhos somente para conferir o relógio de poucos em poucos minutos. Apesar de estar aguardando, se assustou quando ouviu a porta do apartamento bater.
     Levantou-se devagar e ajeitou a camiseta amarrotada antes de sair do quarto. Encontrou o filho sentando no sofá da sala tirando as botas.
     - Oi. – ela o cumprimentou sem se aproximar.
     - Oi. – ele respondeu sem olhar pra ela.
     Pelo menos não a estava ignorando.
     - Como foi sua tarde?
     - Boa.
     - Onde foram?
     - Eu e o Rodri... Quer dizer... - ele empinou o nariz como ela fazia quando era confrontada - Eu e o meu pai fomos a uma loja de brinquedos.
     - Legal. Então já sabe de tudo?
     - Que ele é meu pai?
     - É.
     - Ele contou.
     - O que achou?
     - Bom. Gosto dele!
     - Está chateado comigo?
     - Um pouco. Mas ele explicou que você teve seus motivos e que eu não deveria ficar bravo com você.
     - Hmmm.
     - E também acho que você me deu o melhor pai do mundo. Ele me deixou comprar tudo o que eu quis! – explicou sorridente e com os olhos brilhando.
     - E como conseguiram entrar numa loja de brinquedos, sem que seu pai fosse agarrado pelas fãs? – ela perguntou enquanto sentava ao lado do filho, aproveitando a brecha que ele lhe dera.
     - Foi fácil. Ele ligou para um amigo que mandou abrir a loja só pra mim. Dá pra imaginar?
    Em outra situação Diana diria ao filho que não deveria abusar da boa vontade do pai. Naquele momento, a última coisa que queria era ralhar com ele.
     - Onde estão os brinquedos?
   - Deixamos no apartamento dele. Ele disse que toda vez que vier a Curitiba, se você deixar, posso dormir lá. Eu posso, não é?
     - Claro que pode! – confirmou Diana, se conformando em ter sido excluída do convite.


Livro Diana- 23º Capitulo - Daianne Coll


As semanas seguintes foram tortuosas para Diana. 
     Conforme prometido por Rodrigo, ele adequou sua agenda de forma a passar o maior tempo possível na cidade, sempre na companhia do filho. Nessas ocasiões fazia questão de ignorar Diana, nunca entrando no prédio onde ela morava, tendo sempre o trabalho de ligar para o celular que havia dado a Gabriel, pedindo que o menino o encontrasse na portaria.
     Assim que a verdade veio à tona, Diana teve de suportar um telefonema enlouquecido dos pais de Rodrigo, principalmente de Sandra, que a chamou de ingrata e egoísta por ter tirado deles a chance de ver o neto crescer. Diana tolerou as ofensas, pois eles tinham razão. Preparou-se pra receber tratamento semelhante de seus pais, mas para sua surpresa foram eles quem mais lhe deram força, tendo inclusive ido a Curitiba lhe acalmar e dizer que haviam conversado com os Massignan.
     Outro ombro amigo com o qual ela não contava foi Conrado. Ele lhe ligou no inicio de junho pra lembrá-la de que, quando ainda estavam juntos, haviam sido convidados para serem padrinhos de casamento de um primo dele. Como a família da noiva era de Curitiba, o casamento seria realizado na cidade. Em outras circunstâncias Diana teria inventado uma desculpa e se esquivaria do convite. Mas como sua vida social estava praticamente inexistente, achou que merecia se divertir. Foi definitivamente convencida quando narrou os últimos acontecimentos a Conrado e ele lhe presenteou com uma enorme caixa de brigadeiros caseiros.
     Na véspera do casamento, Diana teve um dia difícil.
   Em uma diligência rotineira, seus investigadores se depararam com assaltantes de Banco e na perseguição três deles se envolveram num acidente. Diana passara a madrugada acordada nos corredores do Hospital zelando por seus subordinados. Quando teve certeza de que eles estavam bem, amargou um dia de cansaço pela falta de sono, preenchendo relatórios, acalmando familiares e dando satisfações a seus superiores. Tudo isso sem contar que os assaltantes haviam conseguido fugir.
     Quando no final do dia ela entrou em seu apartamento e encontrou o filho pronto para sair, tentou não ficar mais irritada do que estava - não conseguiu.
     - Daí ele falou que nas férias vou viajar com ele pra assistir os shows. De avião ou com o ônibus que ele disse que é uma verdadeira casa... – ela escutou Gabriel tagarelando a Beatriz.
     - Do que está falando? – perguntou ao filho enquanto tirava o casaco.
     Beatriz observou que a sobrinha havia emagrecido. A arma parecia maior em sua cintura.
     - Meu pai me convidou pra viajar com ele nas férias.
     - Ah! Ele convidou? Sem nem ao menos perguntar se eu não tinha planos com você?
    - Não sei. Ele disse ao tio Roger que tinha o direito de aproveitar todos os momentos ao meu lado. – discursou Gabriel arrogante. Postura que havia aprendido com o pai, ela imaginou.
     O celular de Gabriel tocou e ela o impediu de atender.
     - Diga pra ele subir. Quero falar com ele agora!
   Gabriel não discutiu. Conhecia a mãe o suficiente pra saber que, alterada como estava, não havia discussão a vencer.
     Rodrigo encontrou Beatriz e Gabriel no corredor.
     - Oi filhão. – ele abraçou o filho com força – Estava louco de saudades.
     - Oi pai! Estou quase pronto.
     - Sem problemas. Oi Beatriz. – ele a beijou no rosto – Diana quer falar comigo?
     - Quer. Vou com o Gabriel ali em casa pegar algumas coisas pra ele levar. Fique a vontade.
     - Ela está uma fera! – Gabriel o alertou antes de seguir a tia.
    Rodrigo entrou no apartamento sem bater, encontrando Diana em pé do outro lado da sala. A postura rígida, com os braços cruzados, não o impediram de perceber como ela parecia cansada.
     - Você está um caco! – ele informou.
     - Obrigada. Estou ciente disso. Só preciso de algumas horas de sono.
     Com raiva de si mesmo, se viu preocupado com ela.
     - Queria falar comigo?
    - Sim. Como você quase não vê o Gabriel, não me importo de que passe com ele o seu tempo disponível.
     - Ok! Isso é bom.
     - Mas agora ele só sabe falar que nas férias vai ficar seguindo você em shows.
     - Não é me seguindo. É junto comigo.
     - Que seja! Não me lembro de ter pedido minha autorização.
     - E desde quando preciso? Ele é meu filho também.
     O comentário fez toda a raiva acumulada de Diana vir à tona.
    - Escute aqui, Rodrigo Massignan! As férias escolares do Gabriel sempre serão divididas, entendeu? Metade do tempo comigo e metade com você!
     Ela se dirigiu a porta e a abriu, num convite claro pra que ele saísse.
     - Fique sabendo que o Gabriel só irá viajar com você, quando eu tiver cem por cento de certeza de que será seguro pra ele.
     - Você acha que eu...
    - E se não estiver satisfeito, procure por meu advogado. – ela afirmou antes de bater a porta na cara dele.
   Satisfeita foi para seu quarto. Mal teve tempo de tirar a arma e os sapatos, antes de cair em sono profundo, como há semanas não acontecia.

    Diana colocou os minúsculos brincos de perola e olhou-se no espelho, conferindo se o elaborado coque continuava firme no lugar. Vestia um longo tomara que caia de tafetá bordô, com elaborados bordados em todo o cumprimento. Querendo saber a opinião de Gabriel e Beatriz se dirigiu a porta do quarto ao mesmo tempo em que a campainha tocava. Decidiu esperar pra que Conrado não a achasse ansiosa, mas foi a voz de Rodrigo que escutou.
     Não querendo vê-lo ou ouvi-lo, voltou a sentar na cama e colocou fones de ouvido, sintonizados numa rádio de rock. Abriu uma revista de variedades e não estava na quinta página, quando Gabriel bateu em seu ombro.
     Tirou os fones quando o menino falou e ela não conseguiu ouvir.
     - O que foi filho? Pensei que houvesse saído.
     - Quase. Vim avisar que o Conrado chegou.
     - Obrigada, meu anjo. – ela beijou o filho.
     Diana pegou a bolsa de noite, encontrando Conrado e Rodrigo se encarando irritados.
     - Hmmm. Boa noite Rodrigo. – disse antes de se dirigir a Conrado e lhe beijar no rosto – Oi.
     - Oi. Você está maravilhosa, como sempre. Vamos?
     - Vamos. Não se esqueça de trancar a porta ao sair. – Diana pediu ao filho, ignorando Rodrigo.
     - Pode deixar.
     Saíram de mãos dadas e esperavam o elevador, quando ouviram Rodrigo esbravejar:
     - Ela voltou a sair com esse panaca?
     - Nem pense nisso. – ela pediu quando Conrado fez menção de voltar ao apartamento – Não vale a pena.
     - Ele é abusado.
     - Ele é um idiota.
     - Disso não tenho duvidas.
    Dentro do apartamento Gabriel tentava disfarçar a satisfação. Havia feito tudo direito, conforme tia Beatriz instruíra: segurar o pai no apartamento até a chegada de Conrado.
     E conforme ela previra, o pai estava morrendo de ciúmes.

    Diana e Conrado se divertiram como velhos amigos no casamento, e a uma da manhã ele a deixou em casa. Assim que entrou no apartamento, a luz da secretária eletrônica chamou sua atenção. Cinco ligações não atendidas, todas do celular de Gabriel. Estava para telefonar em resposta, quando se convenceu de que não devia ser nada urgente, senão Rodrigo teria ligado em seu celular. Além disso, não havia mensagens na secretária.
   Imaginando que Rodrigo poderia estar por detrás daqueles telefonemas, teve mais uma noite de sono revigorante.
     Foi acordada por novo telefonema do filho, às dez horas da manhã.
     - Alô. – sua voz estava rouca de sono.
     - Estava dormindo mãe?
     - Uhum. Aconteceu alguma coisa?
     - Não. Meu pai pediu pra perguntar se você quer almoçar com a gente?
     Houve uma pausa, onde Diana imaginou Gabriel recebendo instruções.
     - Hã... Ele quer conversar sobre as minhas férias.
    - Hmmm. Meu amor. A mamãe quase não dormiu essa noite. Diga ao Rodrigo que a hora em que eu    realmente acordar, ligo pra saber onde vocês estão.
     - Tudo bem.
     - E agradeça o convite para o almoço.
     - Tá.
     - Te amo. Tchau!
     Mesmo tendo dormido nove horas, Diana se sentia tão bem que adormeceu novamente.

Livro Diana- 24º Capitulo - Daianne Coll



  Perto das cinco horas da tarde Diana estacionou sua moto defronte ao prédio de Rodrigo, encontrando-o sentado na calçada com Gabriel. O menino sorriu feliz ao vê-la bem humorada, enquanto Rodrigo não escondeu sua contrariedade. Imaginava o que teria acontecido nas últimas horas para ela parecer radiante.



     Sem tirar os óculos, ela beijou o filho.
     - Oi, Xuxu. Está pronto pra ir?
     - Já. Minhas coisas estão arrumadas. Meu quarto está super legal! Quer ver?
     - Sim, mas em outro dia. Quero voltar pra casa antes que esfrie demais pra andarmos de moto.
     - Está bem.
     - Suba pegar suas coisas, campeão. Quero conversar com sua mãe.
     Gabriel concordou com a cabeça, antes de obedecer ao pai.
     - Quer falar sobre as férias dele? – Diana perguntou sem rodeios, enquanto encostava-se à moto.
    Apesar de ainda irritado e magoado com a história da paternidade de Gabriel, e agora com o fato dela ter voltado a ser intima de Conrado, não conseguiu evitar se sentir atraído.
     - Sim. Falei serio quando disse que quero leva-lo em turnê comigo.
     - E eu falei serio que ele vai. Desde que eu tenha certeza de que é seguro para um menino de dez anos. Você há de convir comigo que não poderá estar de olho nele enquanto estiver cantando no palco. Ele pode se perder no meio daquelas pessoas.
     - Você fala como se Gabriel fosse um bebe!
     - Pra mim ele é!
    - Que seja. Se faz tanta questão de garantir a segurança dele, deixe o segundo fim de semana de julho livre para viajar conosco. Eu e o Roger teremos uma maratona de shows no interior de Minas Gerais e quero que você acompanhe tudo. Que veja como a minha equipe é competente e principalmente como somos uma família. Ou seja, mesmo que o Gabriel não esteja comigo, vai estar protegido.
    A primeira reação dela foi de recusa. Mas pensou melhor e percebeu que ele tinha razão. Seria mesquinho impedir o filho de acompanhar o pai em seu trabalho e ele estava lhe dando a oportunidade perfeita de conferir tudo de perto.
     - Ok. Combinado!
     Ele procurou não demonstrar a satisfação que sentiu repentinamente.
     - Obrigado.
     - Faço qualquer coisa para ver meu filho feliz. E ele quer viajar com você.
     - Não sei se já falei, mas fez um excelente trabalho com Gabriel.
     - Eu tentei. Também preciso te agradecer.
     - Pelo quê?
     - Por ter pedido a ele pra não me odiar... Você sabe... Quando ficaram sabendo de tudo.
     - Jamais pediria o contrario.
     - Agora eu sei.
    Ela começou a olhar por trás dele a procura do filho, quando um silencio desconfortável se instalou entre eles.
     - Sua moto é sensacional!
     - Também acho.
     - Combina com você.
     Diana baixou a guarda e sorriu com o comentário.
     - Meus pais não acham isso.
     - Você e o Conrado estão juntos?
     A pergunta a pegou de surpresa, mas foi salva de responder pela chegada de Gabriel.
     - Pronto. Está tudo aqui.
     - Ótimo! Agora vista a jaqueta e coloque o capacete.
     Gabriel obedeceu à mãe antes de dar um abraço demorado no pai.
     - Tchau, pai.
     - Tchau, campeão. Daqui a duas semanas você irá viajar comigo e com sua mãe.
     - É sério, mãe? – o menino perguntou empolgado antes de subir na garupa da moto.
     - É serio.
     - Essa semana lhe envio o itinerário por e-mail e o horário em que o avião virá buscar vocês. – Rodrigo anunciou enquanto se aproximava da moto. As mãos enterradas nos bolsos.
     - Vou ficar aguardando. – Diana consentiu sem conter o sorriso.
     Foi o que manteve Rodrigo são pelos próximos dias.

    Diana chegou ao aeroporto do Bacacheri com meia hora de atraso. Tivera pendências de ultima hora para resolver no trabalho e depois tivera de dar sinal verde para que Aleardo dirigisse como louco pelas ruas da cidade.
     Reconheceu que ser rico, mas acima de tudo, famoso, tinha suas vantagens. Aleardo recebeu permissão pra conduzir o carro até a pista do aeroporto, estacionando-o na porta do pequeno jato. Esse tipo de tratamento nunca havia acontecido nas poucas vezes em que viajara com o avião da companhia de Conrado.
     Piloto e co-piloto aguardavam para recebê-los na porta do avião, o que Diana achou muita formalidade. Esqueceu completamente disso quando avistou Rodrigo sentado dentro da aeronave falando ao telefone. Gabriel não deu atenção a esse detalhe e correu abraçar o pai.
     - Pensei que haviam desistido.
    - O que está fazendo aqui? – Diana perguntou brusca. Não queria que ele tivesse a mínima ideia da alegria dela por vê-lo mais cedo.
     - Como é a primeira viagem de show de vocês, achei natural que começássemos juntos.
     - E se eu me atrasasse mais? – ela perguntou se acomodando no banco em frente a ele e Gabriel.
     - O show atrasaria. Acontece com frequência.
     - Esse avião é demais, pai!
     - O melhor é que é rápido. Em menos de duas horas estaremos lá.
     - E o ônibus? A gente vai andar no ônibus?
     - Claro! Amanhã mesmo.
     - Uau! Vão ser as melhores férias da minha vida!
    - Ingrato. – alfinetou Diana enquanto afivelava seu cinto, conforme instruções da comissária de bordo, mais bonita do que ela teria gostado.
     - Empatada com alguma outra, então? – Gabriel perguntou político.
     Diana meneou a cabeça e rolou os olhos, enquanto observava o avião içar voo.

     - Não sei como vocês aguentam! – Diana comentou quando conseguiu entrar no ônibus oficial da dupla Roger e Rodrigo.
     - Nem ligo mais. – explicou Marisa – Senão já teria pedido o divorcio.
     - E como conseguem dormir com a mulherada gritando a noite inteira na frente do hotel?
     - Tampões de ouvido. Não vivo sem eles.
   Diana olhou para a porta do ônibus no exato momento em que Rodrigo entrava. Sua camisa estava esganiçada e seus cabelos despenteados, como se algumas dúzias de mãos tivessem se metido por ali, como realmente havia acontecido.
     - Loucura, não? – ele perguntou sorridente a Diana.
     - Pelo jeito você adora. – comentou irônica.
     - O velho ditado. Se não pode com o inimigo, junte-se a ele. E você campeão, gostou do ônibus?
   Gabriel, que havia verificado cada canto do enorme veículo reformado e que agora abrigava uma confortável sala/cozinha e duas suítes, estava embasbacado.
     - Poderia morar aqui.
    - No começo também pensava assim. – disse Roger. Ficara tão apaixonado pelo sobrinho que não parava de pedir à mulher que engravidasse – Depois enjoa.
     Gabriel ignorou o tio e foi sentar com os motoristas.
    - Então? Você não disse o que achou de ontem a noite? – perguntou Rodrigo a Diana, enquanto estudava um mapa sobre a mesa.
      - Sobre o que  em especifico? O show? As fãs enlouquecidas?
      - Tudo.
     - Legal. Não porque estou na frente dos interessados, mas o show é fantástico. Principalmente quando vocês tocam somente com os violões. Acho que deveriam incluir mais musicas nesse estilo.
     - Anotado. – Roger afirmou. Sorriu enquanto trocava um olhar cúmplice com a esposa.
     - Quanto à segurança, seus funcionários são muito eficientes. A Janete havia me passado a qualificação de todos e os verifiquei antes de viajar. Foram bem recomendados.
     - Não acredito que fez isso? – Rodrigo estava atônito.
     - Precisava checar.
     - Eles foram checados. Ou acha que contrato o primeiro que bate na minha porta.
     - Não vou discutir.
    - Você é... É... – tendo dificuldades em descrevê-la sem correr o risco de irritá-la, preferiu passar as mãos pelo rosto, antes de encará-la – Por que não quis jantar com a gente ontem?
    A resposta era simples. Quando o show acabara, Diana estava em êxtase pelo desempenho da dupla, mas principalmente de Rodrigo. Estava tão animada que iria mandar a cautela as favas e assim que ele se aproximasse lhe beijaria, mesmo que ele ainda não a houvesse perdoado. Mas antes que pudesse cometer a loucura, foi atropelada por uma horda de fãs enlouquecidas. Em vez de querer mata-las, agradeceu por terem-na impedido de fazer algo do que poderia se arrepender.
    Mesmo morta de ciúmes, não pode deixar de constatar que a área reservada para Gabriel era completamente segura desse tipo de ataque.
       Reconhecendo que tivera um momento de fraqueza declinara do convite, pois pizza levava a vinho, que levava a pensamentos menos coerentes. E por mais que soubesse que nenhum homem substituiria Rodrigo em sua vida, não daria a ele o prazer de uma recaída de sua parte.
     - Estava sem fome. Voltando ao que interessa, me preocupo com meu filho. – elas justificou quando Roger, Rodrigo e Marisa ainda a encaravam.
      - Pelo mesmo agora você vai deixar ele viajar comigo?
     - Ah! Se fosse tão fácil assim. – ela respondeu maliciosa – Só vou dar meu veredicto final quando voltarmos a Curitiba, sãos e salvos.
     - Essa é osso duro de roer, Rodrigo. – comentou Marisa.
     - E eu não sei disso.
     - Pelo menos o show de hoje vai ser mais calmo. – anunciou Roger.
     - O que devo entender por mais calmo?
     - Menos pessoas. Será em uma casa noturna chique de Uberlândia. Pessoas sentadas...
     - Mulheres acompanhadas dos maridos e por isso menos abusadas. – completou Marisa.
     - Isso é outra coisa que não sei como você agüenta, Marisa. Aquelas mulheres agarrando seu marido, tentando beijá-lo, e ele lá, sorrindo, como se aquilo fosse natural.
     - No começo confesso que cheguei a puxar o cabelo de uma ou outra. Mas depois vi que era uma causa perdida e desisti. Desde que ela não tirem as calças dele...
     - Hum. Bom saber. – anunciou Roger presunçoso.
     - Idiota! - Marisa se voltou a Diana - É tudo questão de convivência. Você também vai se acostumar, afinal o Rodrigo é bem mais...
    - Hmmm, vou ver se o Gabriel colocou o cinto de segurança. – anunciou Diana, cortando o discurso de Marisa.
     - Oh! Desculpe!
     - Não se estresse, cunhada. Diana não sente ciúmes de mim, não é mesmo?
     Ela parou na porta que levava a cabine do motorista, mas não se virou.
     - Digamos que elas tem de agradecer o fato de eu ter deixando minha arma em casa.
     Se tivesse olhado para trás antes de sair, teria visto Rodrigo levando suas mãos juntas ao coração, numa clara demonstração de que estava rendido.




Um Comentário

  1. A história é envolvente a cada capitulo postado, vc fica curioso e ansioso pela continuação!

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