Bom dia!! Hoje no Divã do Acordei, temos Amanda Reznor, autora de "Delenda":

Biografia - A autora Amanda Reznor registra estórias desde que aprendeu a escrever. É também apaixonada por toda forma de arte, cultivando o canto, a dança, o desenho, a pintura, o teatro, a composição musical e a fotografia. Tem muitos projetos em mente, tanto na escrita quando na área musical e multimídia, e, como a qualquer bom leitor, cada livro digerido lhe fornece um novo leque de possibilidades fantásticas.
Interessada no fomento à leitura, participa de eventos e programas de incentivo, como do Projeto De Mão em Mão, parceria entre a Prefeitura de SP e a Editora UNESP, e do blog Concursos Literários, fundado por Rodrigo Domit, que visa a divulgação do maior número de editais de participação gratuita a quem estiver interessado.
Contato, sugestões, críticas: amandareznor@hotmail.com / @AmandaReznor
Sinopse - "Cláudia Blaise é uma garota quase comum: vive com sua avó em um bairro nobre, sustentada por uma generosa pensão deixada por seu avô. A única coisa que a difere de seus colegas da faculdade é que ela não conhece a mãe, que sumiu após o parto, e o pai, que foi assassinado no mesmo dia em que ela nasceu. No seu décimo oitavo aniversário, porém, uma surpresa está para alterar todo o rumo de sua vida. Mas o que vem disfarçado de um presente tentador pode ser, na verdade, uma cilada de encantos, mistério e morte...
Será que ela descobrirá os importantes enigmas do Vale dos Segredos e, mais importante, saberá como escapar desse terrível labirinto? "

Vale lembrar pessoal que essa entrevista foi feita logo após a Bienal de São Paulo ok?
Oi Amanda, tudo bem com você?
Amanda - "Oi, pessoal! Em primeiro lugar, agradeço à Carol pela oportunidade neste espaço especial! E sim, estou bem, apesar de cansada com a semana da Bienal, mas foi ótimo ter participado durante os dez dias – é, eu devo ser meio louca, prefiro eventos literários do que um domingo de descanso! rs".

Quando surgiu a “Amanda, autora”? Você sempre sonhou com isso?
Amanda - "Eu comecei a escrever depois que uma professora da segunda série elogiou uma redação minha (na verdade, era a fábula de um sapinho). Era a matéria na qual eu mais me destacava, e aquilo de certa forma me animou. Meus pais se separaram quando eu ainda estava por completar 8 anos, porém, e nesse processo eu me tornei uma criança mais isolada, mais reflexiva, o que me fez fantasiar amigos e mundos imaginários, uma forma de lidar com a dor. Desde então, eu comecei a escrever e desenhar sempre que podia, e cheguei a criar uma estória mais longa, da Mirela, a Moska, aos nove anos, um livro sobre uma menina que um dia acordava na forma de uma mosca-de-fruta e que usava suas “24h de vida” para descrever a sociedade sob a perspectiva de um inseto. Atingiu 40 páginas, sem finalização, pois depois da separação de meus pais nós nos mudamos diversas vezes e eu perdi a maior parte dos meus cadernos e rascunhos. Agora o engraçado é que eu nunca havia parado para pensar na real possibilidade de publicação das coisas que eu escrevia, não até 2010, quando vi um edital de publicação de livro do SESC-SP".

Como é ser autora e compositora?
Amanda - "Bom, eu também invento músicas desde criança. Eu tenho mais de 60 melodias letradas e musicadas atualmente, mas o processo de gravação será mais lento que o de publicação, pois envolve gastos enormes. Eu não consigo me separar como autora e compositora – acho que a música é uma estória, também, e a melodia consegue te dizer coisas profundas, mesmo sem usar palavras. Misturar letras e sons, dessa forma, cria uma síncope de sentimentos e significados".

Fale um pouquinho sobre os seus contos.
Amanda - "Eu comecei a escrever contos – na forma como devem ser escritos, com início, meio, fim e clímax bem definidos – apenas em 2011, quando descobri o mundo dos concursos literários, e essa escrita foi um grande aprendizado, pois nos prepara pra o processo de criar uma estória mais longa. O divertido dos contos é que, apesar de trabalhosos, são mais fáceis de se redigir e permitem o uso de recursos que às vezes ficam limitados em um romance – brincar com estilos, assuntos diversos, experimentar temas difíceis – e também possibilitam o surgimento de ideias que poderiam, futuramente, se tornar uma obra de ficção. Eu tenho uma predileção por terror-suspense, e mesmo para temas e gêneros maiores, como literatura fantástica ou ficção científica, eu tento sempre incluir uma nota de horror ou mistério. Assim, em contos como A Dama dos Corvos (publicado pela Estronho na antologia SteamPink), que é de um subgênero Sci-Fi chamado steampunk, ou Revelações de Páscoa, que é um conto de fundo histórico publicado na série História Fantástica do Brasil – Inconfidência Mineira, também pela Estronho, o elemento horror se faz presente como uma melodia fúnebre que embala as estórias. Para quem quiser conhecer um conto de terror legítimo, indico que baixe o E-Book Green Death – Ecoterrorismo Licantrópico, disponível gratuitamente no meu blog (amanda-reznor.blogspot.com), e leia o meu conto Os Headshooters sobre o mistério de uma vila que vem sendo aterrorizada com o sequestro dos cães da vizinhança, e cujas cabeças decepadas são posteriormente atiradas nos quintais das casas".

Amanda, você compõe, escreve, desenha e faz charges. Devo dizer: Uau, pois eu nem tenho talento para desenhar um boneco de palitinhos decente rs. Como é o seu processo criativo?
Amanda - "Olha, eu acho que vivo no mundo da Lua, como dizem por aí, mas nem sempre isso é bom, pois às vezes eu fujo da realidade mais importante de todas – a da minha vida. Mas eu tenho muita facilidade imaginativa, e as estórias costumam vir na minha cabeça, seja quando estou dormindo ou acordada, e praticamente “imploram” para que eu as coloque para fora. Às vezes estou no ônibus ou metrô e alguma ideia surge – preciso imediatamente pegar o celular e anotar o que estou pensando ou acionar o gravador de voz e cantar mais ou menos a melodia que apareceu na minha mente. Depois, quando chego em casa, eu transpasso aquelas ideias para o papel ou violão, e quando tenho mais tempo eu trabalho nelas. Tenho uma pasta física e outra no PC só de ideias a serem trabalhadas futuramente, então, no que depender de mim, estarei sempre produzindo músicas, livros e quadrinhos. Em relação aos desenhos e pintura, atividades que eu amo, faz alguns anos que não me dedico a elas, por real falta de tempo. Mas assim que a pós-graduação e o emprego estiverem encaminhados, poderei repensar com mais calma a ressuscitação dessa minha veia artística!"

O que os leitores podem esperar de “Delenda”? Fale um pouquinho dos personagens.
Amanda - "Mais de quinze pessoas já terminaram de ler o Delenda da Bienal para cá, e todos me deram retornos bastante positivos – alguns acabaram de ler o livro durante a madrugada, pois disseram que não conseguiam parar de ler até o final. Uma dentre esses leitores queridos me contou que estava gostando da estória, porém achou a minha narrativa um pouco fria, depois, quando terminou a leitura, me disse que a única palavra para descrever o livro era: “surpreendente” (para quem quiser conferir comentários dos leitores, eu posto na página do Delenda, no Facebook, ou no próprio blog do Vale dos Segredos). Eu acredito que o Delenda tem uma estória original e intrigante a passar, porém haverá, sim, defeitos no estilo e na narrativa, uma vez que eu sou também autora iniciante e será a partir desses primeiros trabalhos que terei condições de avaliar melhor o que devo aprimorar na minha escrita e na criação de um livro. Porém lanço o desafio de que o leitor, qualquer que seja, não se assombre com o final da estória (penúltimo e último capítulos), em que há o clímax seguido por um segundo clímax, e eu considero a parte mais intrigante do livro, como também uma das minhas melhores finalizações até então. As personagens foram criadas com base na minha interação com o mundo, e talvez todas sejam alteregos de mim mesma; isso porque há uma dose especial de cada uma daquelas personagens em mim, e é como se eu houvesse vivenciado cada um daqueles papéis, ou alguns deles funcionam como espelhos do que eu reprimo ou condeno, do que admiro ou desejo. Assim, Cláudia Blaise, a protagonista, seria a minha personificação imatura, representando o lado cético e racional que existe em mim; Maurício, um segundo personagem, representaria aquele modelo masculino que eu considero atrativo, mas que ao mesmo tempo pode ser uma cilada para as moças inexperientes; as personagens que encarnam figuras avoengas do livro em geral aparentam docilidade, mas têm seus segredos perversos – e aqui há também um outro ponto: o de que nenhuma das minhas personagens é 100% boa ou má. No começo, alguns podem parecer bons (ou maus). No final, os maus podem mostrar que eram bons, e os que pareciam bons provam que podem ser maus. Ainda, no entanto, é discutido o fato de que cada um teve sua razão, sua motivação, e, no final, a bondade ou maldade humana é apenas enlevada pelos desejos mais secretos e intensos do coração".

Quais são os autores/ compositores que te inspiram?
Amanda - "Em especial, não me inspiro em pessoa específica. Eu tenho minhas leituras e músicas favoritas, e isso com certeza influencia o meu estilo, mas procuro saber distinguir o estilo que eu gosto daquele com que eu trabalho. Sou admiradora de Cecília Meireles, com suas rimas ricas e afiadas; de Lygia Fagundes Telles, com seus monólogos inteligentes e enlouquecedores; de Anne Rice, com seu vocabulário provocante e estórias quase históricas; de Alberto Vázquez-Figueroa, com seu realismo fantástico; de Pearl S Buck, com sua sensibilidade humana; e, não poderia deixar de citar, de J K Rowling, com sua lógica impressionante, e Stephen King, de criatividade expressiva.
Já na música eu tenho muitos amantes, mas, para citar os prediletos, começo com Nine Inch Nails, cujo vocalista, Trent Reznor, me rendeu o pseudônimo; Blackmore’s Night, banda medieval com a voz encantadora de Candice Night e arpejos melódicos de arrepiar; Marisa Monte, com sua voz de veludo; Kid Abelha, com suas melodias animadas; e Zizi Possi, com sua doce voz afinada! Mas sim, aind há muitos outros, sou bastante eclética musicalmente falando – em se falando de ritmo, claro, porque em relação às letras..."

Qual é a sua citação favorita?
Amanda - "Eu sempre gostei desta: “A Higiene é filha das podridões seculares”, do Machado de Assis".

O que você acha que um novo autor precisa saber para conseguir se dar bem nesse mercado tão competitivo? Quais dicas você pode passar para os autores?
Amanda - "Primeiramente, ler é sempre o melhor treino para o escritor. E ler de tudo, desde livros técnicos a romances de banca, jornais, revistas, haikai, tudo o que cair em suas mãos. O porquê? Muito simples: quanto mais inteirado o leitor estiver do mundo e da sua história, das pessoas e dos seus problemas, dos estilos e seus autores, dos momentos e suas sutilezas, melhor será seu potencial criador, tanto em matéria imaginativa quanto em fluência textual. A gramática, importantíssima, não deve ser menosprezada, e o treino da escrita é também imprescindível àqueles que se enveredarem pelo caminho literário. Não tenham pressa, não sejam ansiosos (essa dica quase nunca é seguida por nós, iniciantes, pois é complicado segurar a emoção, queremos publicar logo o nosso primeiro livro, mas somos inexperientes e acabamos quebrando a cabeça – entretanto, às vezes errar é o caminho do aprendizado); procurem frequentar eventos literários das mais diversas origens, conheçam o mercado, conversem com profissionais da área, perscrutem editoras, demonstrem sempre seriedade e respeito pela função. Se souber aliar suas qualidades produtivas ao profissionalismo, o escritor iniciante só tem a ganhar! A quem já publicou o livro, atenção à continuidade do trabalho de publicação: divulgação, marketing, sorteios, anúncios, brindes, de tudo um pouco vale para chamar a atenção do público-alvo em potencial!"

O que podemos esperar da Amanda no futuro?
Amanda - "Uma menina-mulher que continuará sorrindo, escrevendo, pintando e bordando. Famosa? Quem dera, quem sabe. Cordial, amorosa? Sempre! Amiga de todos que se prestem à relação sincera, dedicada como uma fã dos próprios fãs – é assim que Amanda Reznor é, e não pretendo mudar!"

Amanda, vou encerrar a entrevista pedindo que você deixe um recadinho para os leitores do “Acordei com Vontade de Ler”.
Amanda - "Claro! Foi muito bom compartilhar com vocês um pouco mais sobre mim e minhas “crias”. Como eu digo no Delenda, a cada leitor que se dispuser a entrar em contato com meus textos eu ofereço algo único: um casamento literário. E, quer saber o que mais? Eu aceito!
Beijos a todos, e podem adicionar, perguntar, criticar, estejam à vontade! amandareznor@hotmail.com / @AmandaReznor / facebook.com/amandareznor"
Então pessoal, o que acharam? Eu adorei conversar com a Amanda!
Semana que vem tem mais um autor "No divã do Acordei".
Beijos

4 Comentários

  1. Super simpática a autora, adorei o livro, pela sinopse da para saber que é um livro bom!

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  2. Muito simpática!

    Não conhecia a autora, essas entrevistas são bem legais por nos proporcionar conhecer novos autores.

    ;)

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  3. Nossa como ela tem uma vida agitada, achei ela muito legal, muito linda e talentosa.
    Adoro o estilo literário que ela escolheu, "Delena" parece ser um livro incrível, e fiquei bastante interessada eu outro "A Dama dos Corvos"
    Ótima entrevista, adorei de verdade, espero que em breve possamos conhecer mais autores.

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