Sinopse - "R é um jovem vivendo uma crise existencial - ele é um zumbi. Perambula por uma América destruída pela guerra, colapso social e a fome voraz de seus companheiros mortos-vivos, mas ele busca mais do que sangue e cérebros. Ele consegue pronunciar apenas algumas sílabas, mas ele é profundo, cheio de pensamentos e saudade. Não tem recordações, nem identidade, nem pulso, mas ele tem sonhos. Após vivenciar as memórias de um adolescente enquanto devorava seu cérebro, R faz uma escolha inesperada, que começa com uma relação tensa, desajeitada e estranhamente doce com a namorada de sua vítima. Julie é uma explosão de cores na paisagem triste e cinzenta que envolve a "vida" de R e sua decisão de protegê-la irá transformar não só ele, mas também seus companheiros mortos-vivos, e talvez o mundo inteiro. Assustador, engraçado e surpreendentemente comovente, Sangue Quente fala sobre estar vivo, estando morto, e a tênue linha que os separa". 

Minha opinião - Eu não sabia o que esperar do livro quando li que o zumbi teria pensamentos e de certa forma, sentimentos. Considerando os pré-conceitos que eu tinha sobre os zumbis (seres nojentos, algumas vezes com pedaços do corpo faltando, sem pensamentos, vagando a esmo pelo mundo), foi surpreendente ler um livro narrado por um zumbi e com direito a discussões filosóficas.

“Não sei por que não conseguimos falar. Esta nuvem de silêncio sufocante que existe no nosso mundo pós-morte nos isola uns dos outros como um vidro bem grosso daqueles de prisão. Preposições são dolorosas, artigos são árduos, adjetivos são conquistas incríveis. Será que esta mudez é mesmo uma deficiência física? Um dos muitos sintomas de se estar Morto? Ou será simplesmente que não temos mais nada a ser dito?” (pág. 21).

Acredito que é a primeira vez que eu me encanto com um personagem que é um zumbi. Sim, R é um zumbi, mas que de certa forma mantêm um pouco de humanidade. Ele come para sobreviver, e ao comer cérebros consegue algumas lembranças da vida pré-zumbis. Até mesmo o modo como ele descreve seu amigo M, os ossudos e todos os outros zumbis é ao mesmo tempo engraçado e reflexivo.
Em uma de suas saídas do aeroporto (R mora em um aeroporto) para se alimentar, ele e um grupo de zumbis encontram um grupo de jovens humanos, e entre eles está a Julie. R tem um “insight” e acaba protegendo Julie, levando-a até um dos aviões parados do aeroporto e a partir disso, começamos a ver o relacionamento dos dois.
O livro é fofo, engraçado e inteligente. As reflexões que ocorrem no relacionamento dos dois servem para qualquer relacionamento, e o autor conseguiu criar uma trama extremamente bem delineada. Em alguns momentos, a história fica um pouco reflexiva demais, e eu gostaria de um pouco mais de agilidade em um ou outro momento; mas a leitura é simplesmente apaixonante.
O livro é sem dúvida uma lição de esperança, amor, fé e humanidade. Uma ótima leitura com pitadas de humor.

“Não vamos deixar a Terra virar uma tumba, um grande túmulo girando pelo espaço. Vamos nos exumar. Vamos lutar contra a maldição e quebrá-la. Vamos chorar, sangrar, desejar e amar. Vamos curar a morte. Nós seremos a cura. Porque queremos ser”. (pág. 252).

Amei os desenhos no início dos capítulos, achei a revisão, diagramação e layout do livro maravilhosos. Na capa, o nome do livro tem destaque tanto pela cor como por ser realçada, uma graça.
Espero que tenham gostado da resenha!
Beijos
Carol

2 Comentários

  1. Eu li esse livro e devo admitir que não gostei tanto assim não sabe? eu tava esperando tão mais... mas ele é bem engraçadinho... hahahah
    Você assistiu o filme? Ri muuuuito e é bem fiel ao livro....
    Adorei tua resenha =)

    Beijos,
    Carol e seus livros.

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  2. Oi, Carol.
    Gostei muito da frase que você destacou. Uma das coisas que mais me impressionou no livro é a forma como o autor explica o surgimento dos zumbis... E é algo que já vejo acontecer!!
    Beijos
    Camis - Leitora Compulsiva

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