Sinopse -  "Exibido pela primeira vez no Brasil na 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2009, o filme sueco Deixa Ela Entrar é um fenômeno cult. Conquistou prêmios em mais de 40 festivais pelo mundo e foi refilmado por Hollywood. Concebida por John Ajvide Lindqvist, a história que deu origem ao filme foi publicada em 2004 na Suécia, onde se tornou best-seller instantâneo, lançada em mais de 30 países. Trata-se de uma das mais perturbadoras ficções de terror dos últimos tempos. Grande parte de seu impacto se deve à originalidade com que Lindqvist aborda a seara do vampirismo. Vários elementos dessa literatura estão presentes - a começar pelo título que faz referência à crendice de que vampiros só podem entrar em lugares para os quais são convidados -, porém ambientados no mais cru realismo. No enredo, Oskar, um garoto de doze anos, vive com a mãe no subúrbio de Estocolmo, na década de 1980. Solitário e alvo de bullying na escola, passa o tempo lendo e colecionando notícias sobre serial killers e planejando se vingar de seus perseguidores. No entanto sua rotina é alterada quando uma garota de doze anos, Eli, se muda para o apartamento ao lado. Uma profunda identificação aproxima o menino a Eli, ao mesmo tempo em que a vizinhança passa a ser assolada por uma onda de mortes misteriosas. Muito mais que sustos, o livro de Lindqvist desperta os horrores de quem tem de passar da infância para a maturidade em circunstâncias adversas e em um cenário opressivo. Com habilidade, o autor recorre a um registro naturalista, temperado de referências à cultura pop, para desenvolver uma história em que os medos são despertados tanto por elementos sobrenaturais quanto pela realidade concreta". 


Minha opinião - É possível que muitos leitores já tenham ouvido falar do filme sueco "Deixa Ela Entrar" ou da sua adaptação norte-americana. Com filmes tão magníficos (principalmente a versão sueca) a expectativa ao realizar a leitura é extremamente alta. E posso dizer que as minhas expectativas foram superadas!
O livro foca em dois personagens: Oskar, um garoto de doze anos de idade que não tem uma vida fácil. Oskar é um garoto que sofre constantemente bullying na escola. Sua personalidade é muito permissiva, tornando-o um alvo que não reage. Tentando "sobreviver" dia após dia, a uma existência triste. Sua vida começa a mudar quando novos vizinhos surgem. Eli é uma garota que vive isolada no apartamento ao lado, tendo um pouco de liberdade às noites, que é o momento em que tem contato com Oskar. Eli é magra e pálida e vive com Hakan, um homem que tem sentimentos doentes em relação a Eli.

"Sua bochecha estava inchada e coberta de sangue meio coagulado. Tomas deve ter batido com o máximo de força. Oskar lavou o rosto e se olhou no espelho de novo. A ferida tinha parado de sangrar, não era profunda. Mas riscava quase a bochecha toda". (p. 106)

O livro é uma perfeita mescla entre terror e suspense, sem abusar de cenas clichês e excesso de descrições desnecessárias. A grandiosidade da obra está na sutileza e nos detalhes. Quantos leitores prestaram a atenção nos pronomes utilizados no livro? Não foi um erro de digitação e sim um detalhe importante sobre a identidade do personagem, mas de maneira sutil.
A trama ainda mescla a história de diversos outros personagens que acabam cruzando o caminho de pelo menos um dos personagens principais.

"A pele do pescoço do homem se rompeu porque... porque a cabeça tinha sido torcida. Uma volta inteira. O pescoço estava quebrado". (p. 92)

Uma obra rica, bem elaborada e inteligente. Os fãs do gênero não podem deixar de ler e os aspirantes a escritores precisam compreender todas as nuances do livro.
Em relação à revisão, diagramação e layout a editora realizou um excelente trabalho. A capa é simples mas extremamente apelativa, tem detalhes relacionados ao tato e a sua simplicidade combina perfeitamente com a trama.

"O sangue fizera percursos, deixara vestígios em lugares (teto, vigas do teto) que davam a impressão imediata que aquilo tudo tinha sido feito por alguma coisa que... voava. Era isso que eles tentavam esclarecer agora. Ou negar". (p. 499)


Deixe um comentário

Comentários ofensivos e/ou preconceituosos não serão aceitos.

Obrigado por visitar e comentar.