Sinopse - "Escrever sobre temas polêmicos de maneira ardilosa,realista e envolvente é o trabalho de Gilberto Abrão. Se o leitor se surpreendeu com O muçulmano e a judia, se renderá definitivamente neste seu novo trabalho, O escriba de Granada. De um lado, temos a história contada pelo escriba, Abul Qacem, narrando o auge e a queda de Gharnata para os reis católicos. Essa história é entremeada por um tórrido e proibido romance que o escriba vive com a sultana Aisha, esposa do rei de Gharnata. Tal romance será tanto motivo de glória como de tragédia para o escriba. Do outro, temos Jorge, um funcionário público brasileiro que vive seus dias sem propósito, apenas criticando e julgando comunistas, homossexuais, muçulmanos e negros. Jorge tem um segredo que não revela a ninguém. Na tentativa de compreender esse segredo, ele inicia uma empreitada que revelará muito mais do que ele sonha encontrar. Duas histórias paralelas com um ponto em comum. Leia, descubra e se deixe tomar pelo caleidoscópio de emoções"


Minha opinião -  O livro é narrado em terceira pessoa e inicialmente somos apresentados a Jorge, um homem que teve uma vida rica em acontecimentos, mas que infelizmente a maioria deles não foram felizes. Seu pai, Juan Xavier, de Andaluzia, abandonou mulher e filho quando o Jorge tinha apenas sete anos de idade. Sua mãe o enviou para um internato, onde Jorge teve experiências pessoais terríveis. Muitos anos e muitos tormentos se passam na vida do protagonista e aos 65 anos de idade, ele se encontra em Granada, na Espanha, a procura de um significado em sua vida, uma conexão com algo bom. E é quando ele encontra o manuscrito que conta a história de Abul Qacem ibn Salman al-Qurtebi, do rei Abul Hassan Ali, da sultana Aisha e seu filho Mohamed Abi Abdilleh, a partir do ano de 1527.
Apesar de serem duas histórias totalmente distintas no tempo e no espaço elas apresentam ao leitor a necessidade do ser humano em ser amado,  em precisar ter uma conexão com algo no mundo. Fala também sobre fé e a esperança. 
O livro é composto de personagens humanos, repleto de fraquezas, dores e tormentos que uma vida pode trazer. Mas também mostram seus momentos de felicidades, mesmo que fugazes. A construção dos personagens foi muito bem elaborada, deixando o leitor indeciso sobre os seus sentimentos em relação aos protagonistas. 
Uma história que não se propõe a se tornar um conto de fadas e sim um relato sobre as pessoas que enfrentam o dia a dia com as dores de um passado turbulento.
A escrita do autor é cativante, ela tem um ritmo próprio e as descrições detalhadas enriquecem o contexto, principalmente nos trechos em que é discutido não apenas os sentimentos do escriba, mas também a história de Gharnata.
Em relação à revisão, diagramação e layout a editora realizou um ótimo trabalho. Foram encontrados alguns errinhos, mas nada que interferisse na leitura ou no entendimento do texto. Em relação à capa ela contêm elementos da trama e desperta a atenção. 

"Sem saber como, a cidade estava linda como sempre. Mas as sedas coloridas, as flores, a feição vivaz da cidade tinham desaparecido". (p. 343)



Sobre o escritor: Gilberto Abrão filho de imigrantes sírios, nasceu em Curitiba, em 1943. Dos 10 aos 14 anos foi enviado pelo pai ao Líbano para estudar a língua árabe, a religião muçulmana e, também, ser circuncidado. Durante a adolescência de Gilberto, em Curitiba, seu pai foi proprietário de um bar próximo à biblioteca pública, onde o futuro escritor passava os dias devorando tudo que lhe caía à mão. Por falar inglês e árabe fluentemente, prestou serviços militares na Faixa de Gaza, nos anos 1960, pelas Forças de Emergência das Nações Unidas. Foi colunista do jornal Zero Hora, nas décadas de 60 e 70. Hoje é proprietário de uma escola de inglês e mora em Novo Hamburgo (RS) com Suzana, sua esposa há 40 anos. Mohamed, o latoeiro é seu primeiro livro.


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