Sinopse - "Lucie Walker não se lembra de quem é ou como foi parar nas águas geladas da Baía de São Francisco. Encaminhada para uma clínica psiquiátrica, ela aguarda até que um homem chega afirmando ser seu noivo. Entretanto, com seu retorno para casa, essa mulher sem memória vai tomando conhecimento de sua personalidade antes do acidente, da pessoa controladora, fria e sem vida que era, e dos segredos da infância e da família, assim como da situação do noivado e dos mistérios que podem ter provocado o acidente. Será que ela quer isso de volta? Será que essa nova Lucie conseguirá manter o amor por Grady, ou a oportunidade de recomeçar será sua salvação? Intenso, franco e incrivelmente emocionante, Enquanto eu te esquecia é um livro delicado, que nos questiona sobre a maneira que vivemos e nos lembra que sempre temos uma nova chance de ser feliz"




Minha opinião - "Enquanto eu te esquecia" é narrado em terceira pessoa que alterna o ponto de vista da história em três pessoas: Lucie, Grady e Helen.
O primeiro capítulo é o único que não tem o nome dos personagens no topo, isso porque é nesse primeiro capítulo que o leitor se depara com uma mulher com a água até os joelhos em meio a Baía de São Francisco. Essa mulher, que em breve descobrimos que é a Lucie Walker e tem 39 anos está em um pavilhão psiquiátrico e foi diagnosticada com um distúrbio raro, chamado de fuga dissociativa. Como estava sem identidade, ela terá que aguardar alguém identificá-la. E é nesse instante que conhecemos seu noivo Grady...
Lucie é uma personagem especial. A primeira impressão que temos é a da fragilidade dela, o que é esperado dado a sua situação. Ela vai aos poucos descobrindo o mundo novamente e percebendo que não era uma pessoa inteiramente feliz consigo mesmo.
Grady é um homem um pouco inseguro. Vemos um homem que tem uma baixa estima que se inicia na infância, sendo o único filho homem e o mais novo de um grupo de fortes mulheres. Durante a leitura é possível perceber que o relacionamento de ambos não era muito saudável e que Lucie tinha sérios problemas.
Além disso, ao voltar para casa os dois tem que se deparar com uma nova realidade: no momento são dois estranhos que não sabem nada um do outro e que moram juntos, estão noivos e deveriam dividir suas vidas. 

"Ele sentiu o peso, o que estava por baixo, o silêncio, o esforço terrível. Havia muitas outras coisas acontecendo em sua vida para se importar com aquilo, com ele e com seus sentimentos. Precisava ser paciente, mas não sabia quanto tempo mais aguentaria". (p. 355)

Helen é a tia de Lucie. As duas estavam há anos sem se falar, pois Lucie foi embora e nunca mais olhou para trás. Helen é uma personagem que toca o leitor de uma maneira diferente, pois agora está pagando por alguns erros que cometeu e agora se vê sozinha, idosa e doente. A única distração que ela tem é trabalhar como voluntária no clube Tulalip de Meninos e Meninas.
A trama é delicada e tem a habilidade de fascinar o leitor desde o início, que fica se perguntando porque Lucie foi parar lá em São Francisco e por qual motivo ela teve a fuga dissociativa em primeiro lugar. 
O enredo foi construído de forma magistral. Existem pequenas informações que vão sendo passadas em meio as conversas e eventos que dão pistas para se construir o final do livro. 
Com personagens fortes e delicados ao mesmo tempo, que representam as inseguranças, anseios e buscas do indivíduo. O livro fala de relacionamentos, segundas chances e perdão.
Em relação à revisão, diagramação e layout a editora realizou um trabalho fantástico. A capa é linda, traz a sensação de fuga da Lucie e desperta a atenção.

"O que é amor, ela conjeturou, o que é lembrança? Onde é que os dois se intersectam e quando deixará de importar qual veio primeiro?" (p. 379)



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