Sinopse - "Minha tristeza se tornou rotina, ninguém percebe mais. Não consigo mais dormir direito. Sinto-me egoísta. Continuo tentando impressionar as pessoas como se ainda fosse criança. Choro sozinha e sem motivo no banho. Só fiz amor com vontade mesmo uma vez em muitos meses – e você sabe bem de que dia estou falando. Já considerei que tudo isso seja um rito de passagem, consequência de eu ter passado dos 30 anos, mas essa explicação não basta. Sinto que estou desperdiçando minha vida, que um dia vou olhar para trás e me arrepender de tudo o que fiz. Menos de ter me casado com você e tido nossos lindos filhos. – Mas isso não é o mais importante?  Para muitas pessoas, sim. Mas para mim não é o suficiente". 


Minha opinião -  Narrado em primeira pessoa, o livro nos apresenta Linda, uma mulher de 31 anos, casada há dez anos e que chegou a um a um ponto que se sente estagnada e podemos até dizer, infeliz. E por se sentir infeliz em uma vida que poderia ser vista como perfeita (tem um ótimo marido, filhos, emprego e situação financeira) não consegue dizer em voz alta suas dúvidas e medos.

"Na verdade, estou cansada de ter uma vida feliz e perfeita. E isso só pode ser sinal de alguma doença mental". (p. 18)

O livro retrata um relacionamento forte mas que por conta de suas obrigações tornou-se monótono. Não há romance, não há paixão. Existe rotina, um script a ser seguido até mesmo na cama. 
Após começar a perceber que a sua situação não é comum (pois acontece com várias pessoas), mas ainda sem forças para admitir seus problemas. Linda encontra em atitudes inesperadas. Inicialmente Linda irá entrevistar um político para o jornal em que trabalha. Esse político é Jacob Konig, um ex-namorado da adolescência, agora com 30 anos, casado com Marianne. O que começa com um ato de rebeldia a sua rotina, se torna uma obsessão.

"- Apatia. Fingir a alegria, fingir tristeza, fingir orgasmo, fingi que está se divertindo, fingir que dormiu bem, fingir que vive. Até que chega o momento em que há uma linha vermelha imaginária e você entende que, se cruzá-la, não haverá mais volta. Então para de reclamar, porque reclamar significa que ao menos está lutando contra alguma coisa. Você aceita o estado vegetativo e procura escondê-lo de todo mundo". (p. 21)

O interessante da história é que não se trata de um caso extraconjugal baseado em amor ou até mesmo em luxúria. Jacob e Linda tem necessidades emocionais, precisando preencher um vazio pessoal enorme. 
Durante a leitura, fica perceptível que a intenção não é fazer com que os personagens se tornem agradáveis ou carismáticos e sim se aprofundar na psique da protagonista, entender sua vulnerabilidade, seus defeitos e aprender com os seus erros.
"Adultério" leva o leitor a uma reflexão pessoal, sobre a necessidade do consumismo desproporcional da sociedade para preencher sua solidão ao invés de avaliar os problemas intrínsecos do ser humano.
Em relação à revisão, diagramação e layout a editora realizou um ótimo trabalho. A capa é simples, mas o vermelho dá um toque extra a capa.

"No fundo somos todos iguais. Cometemos os mesmos erros e continuamos com as mesmas perguntas sem resposta". (p.164)



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