Sinopse - "Amor & Amargor: crônicas agridoces ressalta a contradição que permeia os aspectos fundamentais da nossa existência: o amor à vida, ainda que diante da certeza da morte; a angústia da morte, apesar do conforto dessa convicção única; o nosso desprezo pelo tempo, a despeito de sua indissociável relação com a vida; o amor obstinado à fé, em oposição ao progresso da ciência; o amor ao conhecimento e ao desconhecido, mesmo diante de nossa miséria social e cultural; e, por fim, o despercebido amor ao fútil, ao estéril e ao desnecessário, em detrimento do amor à natureza e à própria vida. Mas se, por um lado, esse ciclo vicioso de amores contraditórios pode revelar-se profundamente embaraçoso, por outro, é a incoerência desses sentimentos que oferece o tempero agridoce da realidade humana. E quando o assunto é incoerência, o autor não hesita em colocar-se como exemplo ilustrativo, numa desatinada tentativa de vivenciar a essência como forma de superação do supérfluo e do mesquinho de cada dia". 


Minha opinião - "Amor & Amargor" é uma coletânea de crônicas divididas em quatro partes: "I - Um pouco de amor" com 9 textos; "II - Amargor a gosto" com 9 textos; "III - Mais amargor (sem perder o humor)" com 10 textos e "IV - Agridoce" com 14 textos. 
Antes de começarmos a ler as crônicas, o escritor inicia uma discussão interessante: o propósito das crônicas é apenas o de distrair o espírito do leitor ou é capaz de evocar sensações e sentimentos profundos?
O escritor Ricardo Otavio Costa consegue responder a esse debate com uma crônica mais emocionante do que a outra.
Narrados em primeira e terceira pessoas, os textos apresentam assuntos diversos, que vão desde discussões políticas, como o texto de "A Carta", como a perda de um filho em "Indelével Ingenuidade".
A obra foi dividida de modo extremamente perspicaz, pois evoca emoções que vão gradativamente aumentando. Começamos com textos mais suaves, gentis, avançando para textos mais sofridos. Na parte III observamos um lado mais divertido, irônico, nos textos "Receita de Hipocrisia Social" e "Sua excelência, o babaca". A discussão sobre a genialidade e a importância de se adquirir conhecimento, de evoluir como indivíduo.
Quando chegamos à última parte, estamos mais reflexivos, pensativos e os temas abordam o "ser": escritor, poeta e Criador.
Em relação à revisão, diagramação e layout a editora realizou um ótimo trabalho. As partes possuem uma divisão clara e a escolha da ordem dos textos foi perfeita! 

"A nós, então diante da mediocridade da nossa babaquice, só resta nos deixarmos tomar por um sincero sentimento de apreço e afeição ao babaca. Por sua obstinação, por sua inabalável convicção, por sua tolice contumaz, por sua inesgotável e recorrente babaquice, desejemos, todos juntos:
- Saúde e vida longa à Sua Excelência, o babaca". (p. 111 -  "Sua excelência, o babaca").

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