Sinopse - "Daniel, um anjo da ordem dos Principados, apesar de estar atribuído à Terra, despreza as fraquezas humanas. Quando designado a uma missão por um anjo abaixo dele na hierarquia celestial, negligencia sua tarefa. Acusado de Soberba – um dos Sete Pecados Capitais - é rebaixado à categoria de Anjo da Guarda de uma criança mortal, destinada a ser profetiza do Senhor. Clarissa, a quem Daniel foi incumbido de proteger, é uma menina tímida, marcada por perdas precoces em sua breve existência, e tem muita dificuldade em fazer amigos. Oito anos depois, e ainda deprimido com sua missão, Daniel torna-se indolente e apático, até ser visitado por Belphegor, o príncipe das trevas que representa o pecado da Preguiça. Visto que cometeu outro erro, procura os Céus e confirma que os Pecados Capitais são considerados Imperdoáveis aos anjos e que como castigo pode ser banido para o Inferno. Motivado por uma Virtude, Daniel assume a forma de um menino e entra em contato direto com sua protegida, a fim de aprender o significado de ser humano e a real importância de sua missão. Mas será Daniel capaz de permanecer longe das tentações mortais e de não pecar mais contra as leis divinas? Imperdoáveis é uma história de amor e amizade, onde as certezas são questionáveis, que se propõe a mostrar como as experiências podem ensinar algo novo, mesmo para aqueles que são sábios e imortais".



Minha opinião - Narrado em terceira pessoa e dividido em duas partes: "Condenados" e "Atrelados", "Imperdoáveis" conta a história de Daniel e Clarissa em um período de nove anos.
Começando em julho de 2000 no Rio de Janeiro, acompanhamos Daniel, um anjo um tanto que arrogante. Seus deveres em relação aos seres humanos não são cumpridos corretamente e graças a sua negligência, um bom homem falece. 

"- Não é minha função pajear humanos, salvá-los da morte ou de seus vícios. - Daniel voltou a se justificar. Estava sério, sem o ar zombeteiro com o qual ali chegara. - Sou um anjo de hierarquia, um Principado. Como poderia haver dignidade naquele aviso vil que me deste dias atrás? O demônio em questão era a ralé. Eu não tenho que me preocupar diretamente com ele". (p. 18)

O ponto de maior destaque no livro está exatamente no comportamento dos anjos de uma forma geral. Eles possuem uma certa autonomia e até mesmo podem ter relacionamentos entre eles, o que os torna com características mais humanizadas do que estamos acostumados a ler. Apesar de possuírem seus desígnios e suas missões, eles não passam a sensação de serem tão etéreos e intocáveis como na maioria dos livros sobre o assunto.
Voltando a Daniel. Desde o início do livro ele deixa claro que tem a impressão de ser superior aos seres humanos, e chega até mesmo ter um certo desprezo pela humanidade. Sua "penitência" por seu descaso é se tornar o protetor de Clarissa, uma garotinha que tem um futuro muito importante e é considerada especial para os Céus.
Para poder se aproximar mais da garotinha, Daniel assume a aparência de um garoto de 8 anos e terá o nome de Ângelo. O detalhe é que ninguém mais o enxerga, apenas Clarissa.
Clarissa é obviamente uma pessoa especial. Com oito anos de idade é muito introspectiva, mas ao mesmo tempo tem a capacidade de iluminar o ambiente. É inteligente, carismática e quando se solta, sua luz é emocionante. Mesmo sabendo que Clarissa é diferente e mais madura do que as crianças de sua idade é importante ressaltar que em alguns momentos é difícil acreditar que ela é uma criança graças aos seus diálogos complexos e raciocínio extremamente elaborado.
A relação dos dois é extremamente delicada e envolve o leitor com maestria. Enquanto Clarissa ensina Daniel a preocupar-se com o próximo e a ser mais humilde, ele a ensina a sair de sua concha e a vivenciar a vida. 
Existem outros personagens importantes no livro, como Anna, a avó de Clarissa e Elizabete, a mãe da garotinha. Temos também Sealiah e Anauel do lado do céu e alguns ex-anjos, mas o foco é realmente os dois. Quando eles estão em cena, fica muito difícil prestar atenção nos personagens secundários.
A escrita da autora é coesa e fluida e a trama tem o equilíbrio perfeito entre emocionar o leitor e prender a atenção dele no desenvolvimento da história. O final do livro é surpreendente e deixa a possibilidade para uma continuação. 
Um livro que fala de fé, amor e perdão. Sobre a capacidade das pessoas de se curarem emocionalmente e de conseguir seguir em frente. 
Em relação à revisão, diagramação e layout a editora realizou um bom trabalho. Na parte da revisão, seria necessário melhorar esse quesito. A capa é linda e chama a atenção. 

"Ângelo estava onde sentia que pertencia, nos braços de sua pequena estrela, junto ao bem mais precioso de sua existência". (p. 371)

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