Sinopse - "Numa terra devastada por uma hecatombe nuclear, uma jovem e misteriosa mulher com o incomum nome de Onyesonwu – que pode ser traduzido como Quem Teme a Morte – descobre que tem superpoderes e foi escolhida para salvar a humanidade. Este seria um romance distópico como qualquer outro se não transcorresse na África e sua autora não fosse a surpreendente Nnedi Okorafor, elogiada pelo prêmio Nobel nigeriano Woyle Soyinka. Fantasias, batalhas, tradições e alta tecnologia, sonhos, visões, discriminação racial e sexual, tudo se mistura numa narrativa tensa e poética que confere uma nova linguagem para os romances do gênero". 



Minha opinião - "Quem teme a morte" conta a história de uma protagonista de origem triste mas que tem o destino e a jornada de uma heroína. A história conta que existem dois povos que vivem em constantes conflitos, os Nurus e os Okekes. Por questões culturais, a história explica que um dos povos seria escravo do outro. Houve uma revolta e a partir daí, sempre que os dois povos se encontram, a violência eclode.
O livro é dividido em três partes: a primeira, chamada "Tornando-se"; a segunda parte "Estudante" e a terceira parte "guerreiro".
A história é narrada em primeira pessoa pela protagonista. Na primeira parte, a protagonista conta a história do seu pai de criação e de coração e também a jornada de sua mãe e ela até chegarem à Jwahir com seis anos de idade. Conhecemos Fadil Ogundimir, o ferreiro do local, um homem justo e gentil, que acabou casando-se com Najirba, a mãe de Onye. 
Onyesonwu é uma Ewu. Ewu significa "nascido da dor". Sua mãe foi estuprada por um Nuru. Esse Nuru em especial é extremamente maldoso e possui poderes especiais e planos para  os Okekes. Por ser filha de um Nuru com uma Okeke, Onye tem características físicas diferenciadas, pois mescla os dois povos. Por isso, é sempre repelida por todos e vista como uma entidade do mal, pois acreditam-se que os Ewus, por terem sido gerados da violência, são capazes de propagarem ainda mais a violência.
Conforme Onye descobre sobre sua origem e percebe o quanto seus pais sofrem por causa dela (já que todos a repelem) ela tenta se adequar aos costumes locais, inclusive ao rito dos 11 anos de idade praticado pelo povo de Jwahir, a circuncisão feminina. 
Um dos aspectos que se destacam no livro é exatamente o fato dela ser uma sociedade extremamente patriarcal, que coloca as mulheres como cidadãs de segunda categoria, mas que por ironia do destino, tem uma mulher, que é Ewu, como protagonista de uma profecia que poderá salvar a todos. 
A segunda parte foca mais no treinamento de Onye, já que ela possui inúmeras habilidades especiais. O treinamento é árduo e emocionalmente desgastante, mas pelo menos Onye pode contar com Mwita.
Mwita é um jovem rapaz que também é Ewu. Desde o momento em que os dois se conhecem existem uma ligação emocional muito grande, e um companheirismo incrível. Mesmo assim, a relação dos dois não é apenas alegria. Mwita, mesmo sendo Ewu, é homem, tem dificuldades em aceitar que Onye tem um papel mais importante do que o dele. 
O último capítulo leva o leitor a um desfecho magnífico e cheio de reviravoltas, magia e lendas.
O livro é recheado de aspectos místicos, onde personagens mudam de forma, conseguem entrar no mundo dos mortos e curar as pessoas. A história é extremamente rica e possuí uma linguagem própria, um mundo novo criado de maneira magistral.
O conteúdo é denso e tem muitas descrições de violência contra as mulheres e também contra os mais frágeis. A história do Reino dos Sete Rios, que é localizado no atual Sudão e apresenta uma história forte, com personagens marcantes e uma trama que permite uma reflexão profunda por parte do leitor.
Os personagens são complexos, cheios de nuances e irresistíveis. Os povos do deserto, que vivem como nômades mas que aproveitam a vida ao máximo. O cenário desértico, a natureza em seu estado mais puro, tudo isso e muito mais conquistam nessa obra. 
Em relação à revisão, diagramação e layout a editora realizou um ótimo trabalho. Foram encontrados alguns errinhos de digitação, mas nada que interferisse com a leitura. A capa é muito bonita e combina com a trama.

"Esta noite você quer saber como me tornei o que sou. Quer saber como cheguei aqui... é uma longa história.. .Mas eu contarei a você.. contarei a você". (p. 10)


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