Sinopse - "Belle já tinha problemas suficientes preparando a comida da casa-grande e cuidando para se manter longe dos olhos de D. Martha e de seu filho, Marshall. Eles não sabem que, na verdade, ela é filha ilegítima do capitão James Pyke, por isso imaginam o pior em relação à preferência do capitão pela escrava mestiça. Ser responsável por uma menina meio doente que acaba de chegar à fazenda é um tormento do qual Belle não precisava. A garota parece incapaz de reter comida no estômago, mal fala, não se lembra de nada e, às vezes, é até meio assustadora, com sua cara de avoada. Além de tudo é branca e tem cabelos cor de fogo. Mas Belle sabe que, entre as pessoas que a acolheram, a cor da pele não significa nada e por isso acaba recebendo Lavinia de braços abertos. Esse é apenas o início da saga de uma família formada por laços que vão muito além do sangue. Uma história de coragem, esperança, força e amor à vida".


Minha opinião - "Escravas de Coragem" é um livro que narra com extrema sensibilidade a história das duas protagonistas: Belle e Lavínia. Conforme a sinopse explica, Belle é filha do dono da casa com uma escrava. Apesar de não ser reconhecida, ela recebe o que poderia ser considerado como "tratamento especial" do capitão, que permite que ela trabalhe apenas na cozinha e traz presentes para ela quando volta de suas viagens. Sem contar a verdade sobre o relacionamento, o capitão acaba gerando grandes ressentimentos por parte de sua esposa e de seu filho mais velho Marshall. 
A outra protagonista é Lavínia, uma garotinha que perdeu seus pais na viagem da Irlanda no navio do Capitão James. Para pagar a "dívida" de seus pais, ela é levada para a fazenda, onde irá trabalhar também na cozinha ou onde for necessária. 
A história começa em 1791 e avança os anos de forma ordenada, com exceção do prólogo que mostra o ano de 1810.  Os capítulos são narrados em primeira pessoa, alternando a visão entre Belle e Lavínia. Junto com essas duas, iremos acompanhar os demais escravos da fazenda, como Mama Mae e Papa George, que possuem filhos biológicos, mas que também tem filhos de coração, como Belle e Lavínia. 
A história retrata anos de acontecimentos e infelizmente nem todos são bons. Graças a maldade presente em algumas pessoas, observamos o sofrimento de toda essa família, que sofre constantes violências físicas, abusos e perdas, mas que continua firme e juntos não importa o que aconteça. 
Vários núcleos são apresentados no livro: durante a infância de Lavínia, acompanhamos sua inocência junto com as gêmeas Fanny e Beattie (filhas mais novas de Mama Mae e Papa George), ou sua primeira "paixonite" por Ben, o filho de 18 anos do casal Mae e George. 
Pelo lado de Belle, vemos a proibição do capitão dela se relacionar com um dos escravos, o interesse lascivo do capataz Rankin e o ódio profundo de Marshall.
São diversos os assuntos discutidos no livro e torna-se impossível realizar a leitura sem ter lágrimas nos olhos. 
Belle e Lavínia se complementam: onde perdura a inocência de Lavínia, Belle aprende a necessidade de superar e seguir em frente. Onde Belle demonstra não ter medo de assumir quem ama, Lavinia é reticente. Belle é uma escrava que defende seu ponto de vista, Lavínia aprendeu a se submeter a vontade dos outros, percebendo que não tem a sua total liberdade.
Existem diversos outros personagens que compõem essa belíssima obra, mas seria um crime não comentar sobre a força de Mama Mae e Papa George. São dois personagens que conseguem iluminar uma vida de trevas.
Os personagens desse livro são extremamente humanizados, até mesmo aqueles que despertam sentimentos sombrios nos leitores. O modo como a autora apresentou cada um deles, construí as personalidades durante os anos e os moldou tão perfeitamente imperfeitos é incrível.As descrições são fortes, não existe suavização dos cenários criados. 
Em relação à revisão, diagramação e layout a editora realizou um ótimo trabalho. 
Um livro arrebatador, que tira o fôlego ao mesmo tempo que cria um sentimento de impotência diante das situações. 
Uma história capaz de fazer o leitor chorar, sorrir e se apaixonar por personagens fortes e resistentes.

"- Eu também posso ser sua filha? - perguntei depressa.
.....
- Olha que eu acho que ia gostar muito disso.
- Mas eu não sou parecida com as suas outras filhas...
- Quer dizer, porque ocê é branca?
- Assenti.
- Abini - disse ele, apontando para as galinhas - , olha praquelas ave. Umas é marrom, umas é branca e preta. Ocê acha que, quando elas têm pintinho, aquelas mamães e papais se incomoda com isso?
Sorri para ele, que apoiou sua manzorra na minha cabeça.
- Acho que acabei de arranjar mais uma fiota". (p. 29)

5 Comentários

  1. Achei a capa bonita. A Arqueiro sempre faz umas capas bem condizentes com a história. Lembrou um pouco as capas dos livros da Julia Quinn, mas como esse é de época também, faz sentido, haha. Curti a sinopse e pela resenha ele é bom, mas não sei se é muito a minha praia. Nos de época to mais acostumada a ter cenas hot kkkk

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    1. Oi Grazi, tudo bem?
      Esse livro não é como os das séries histórias que a Arqueiro têm publicado. Ele tem uma história bem mais emocional e voltada a acontecimentos mais condizentes com a época, como a exploração e abuso dos escravos. É uma história linda, mas muito triste e emocionante.
      Bjkas

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  2. Oi!
    Achei a capa bonita, gosto de histórias de época e essa me pareceu boa. Sendo os personagens fortes me atraiu mais ainda. A sinopse não nos trai algo impressionante, mas acho que essa história fica fascinante no desenrolar do enredo.

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  3. Olá!
    A capa não me chamou muita, mas lendo a sinopse e a resenha, gostei da história.
    Gosto de histórias de época.
    Espero poder ler esse livro em breve.
    www.eraumavezolivro.blogspot.com.br

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  4. Esse livro é fantástico... Não conseguia parar de ler, queria devora-lo completamente rsrsrs. Muito bom super indico. Chorei horrores kkkkk. Ele despertou sentimentos em mi que nenhum outro livro conseguiu... deveria ser transformado em filme.

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