Bom dia Leitores do Acordei!! Hoje vamos falar de um livro voltado para o público juvenil que discute as diferenças ainda existentes entre homens e mulheres e também sobre questões culturais que envolvem essa questão.







Sinopse - "Sara tinha bons motivos para desconfiar dessa igualdade... dentro e fora de casa. De um lado, o pai, associando sucesso ao universo masculino. De outro, as amigas, desistindo dos sonhos tão logo começavam a namorar. Insegura no início, Sara aceitou o desafio de lutar por seus sonhos". 







Minha opinião - "Meu Destino Sou Eu" tem como protagonista Sara, uma jovem que estuda no colégio Literatus. Sara tem uma irmã gêmea, a Clara, e um irmão mais novo, o Pedro. O convívio familiar apresenta um certo desequilíbrio no que se refere a dinâmica dos pais. Júlio acredita que D. Edna precisa estar em casa quando ele chega do trabalho, e que não precisa trabalhar fora, pois ele é o provedor da casa. D. Edna por sua vez, mesmo querendo abrir suas asas, acata as vontades do marido. 

"Sara já sabia o fim da história. Tinha assistido inúmeras vezes. Ele pediria desculpas, assumiria que tinha exagerado na sua reação, no seu ciúme, na sua sensação de posse, na sua autoridade. Edna, ainda aborrecida, o perdoaria, e os dias passariam tranquilos até que algo parecido acontecesse outra vez...." (p. 39)

No colégio, um novo professor de artes plásticas, Paulo Fontoura, tenta conscientizar a sua turma de que eles podem fazer o que quiserem, desde que se esforcem, mas começa a observar que as garotas de sua sala são mais hesitantes em acreditar em si mesmas.
Começa aí uma reflexão sobre alguns valores. Será que ainda vivemos em uma sociedade machista? Ainda moldamos as jovens de maneira que as façam acreditar que precisam se esforçar mais apenas para serem consideradas para uma determinada vaga de emprego ou promoção?
Existem personagens femininas no livro que representam essa "agressividade" no trabalho, como a Bárbara, funcionária da agência de viagens. 
Sara começa a observar os exemplos em sua volta e a questionar se consegue ou não atingir seus objetivos, quando a diretora do colégio resolve promover um concurso, onde um único ganhador irá viajar em um intercâmbio. 
Júlio acredita que a filha não vá conseguir, por ser garota, e mesmo que consiga, não poderia viajar sozinha. Regra essa que não se aplica ao filho mais novo e imaturo Pedro, apenas pelo fato dele ser um garoto.
O professor Paulo acredita que todos têm chances iguais de ganhar. E as amigas de Sara encontram-se divididas por razões diferentes: Isabel não quer abrir mão do namorado, pois sabe que ao destacar-se mais do que ele, o relacionamento será terminado. Cíntia não gosta de perder, pois sabe que para impressionar a família, o primeiro lugar é o único que conta e Estela precisa conhecer algumas realidades diferentes da sua para entender como é difícil para algumas famílias sobreviverem diariamente. Clara, a outra metade de Sara, não quer competir, pois não se sente tão deslocada como a sua irmã.
O enredo fala de diferenças culturais e sociais entre homens e mulheres, mas também fala da necessidade do jovem acreditar em si mesmo, explorar seus potenciais e não deixar que terceiros o impeçam de realizar os seus sonhos.
O livro ainda possui algumas ilustrações de Marcos Guilherme para enriquecer ainda mais o conteúdo.

"- Você já reparou como os brinquedos não mudaram, Paulo? - Magda indagou - A base de tudo ... de sua vivência, que determina grande parte do seu comportamento, continua povoada de bonecas, casas e panelinhas... Apesar desses brinquedos estarem supermodernos, a mentalidade que eles transmitem é exatamente igual. Essa é consciência que elas têm de um comportamento esperado. Esse é o estereótipo feminino". (p. 77)




O que a autora fala sobre a obra:




Meu destino sou eu – Sonia Salerno Forjaz -  FTD Editora 
Meninos e meninas têm realmente as mesmas oportunidades quando o assunto é sucesso, carreira, profissão? Sara tinha bons motivos para desconfiar dessa igualdade... dentro e fora de casa. De um lado, o pai, associando sucesso ao universo masculino. De outro, as amigas, desistindo dos sonhos tão logo começavam a namorar. Insegura no início, Sara aceitou o desafio. Lutaria por seus sonhos, construiria seu próprio destino.
Como é difícil ser mulher no século XXI! Como é difícil ser homem neste mesmo século. Depois das grandes evoluções nos costumes e nas relações, tudo acontecendo ao mesmo tempo e sem ensaios, dificilmente temos tempo para  observar os resultados que colhemos. Simplesmente vivemos, nos amoldando ao que é novo, sem querer ficar para trás. Felizmente,  analistas das Ciências Humanas fazem, nos seus consultórios, nos bastidores, estudos e pesquisas que aos poucos nos revelam quem são, afinal, essa mulher e esse homem de hoje, que precisam se mostrar: modernos, inteligentes, bem sucedidos, antenados, bem informados, internautas, especialistas... tantas coisas, enfim.
Querendo chamar atenção do jovem para essas mudanças de comportamentos e padrões sem esbarrar num discurso teórico, escrevi o livro Meu destino sou eu. Na trama, duas irmãs gêmeas e um irmão mais novo convivem com um pai machista que estabelece regras desiguais para os filhos, conservando ideais ultrapassados: o homem tudo pode, a mulher nem sempre, quase nunca. Em contraponto, criei uma figura masculina inovadora, revolucionária: um professor idealista.
São esses os dois adultos masculinos – pai e professor - que se contrastam fortemente na história, enquanto a mãe de Sara (a gêmea protagonista), mesmo discordando, se submete  às exigências do marido. É a opinião dele que prevalece na casa, gerando algumas injustiças.
Na convivência em casa (com o pai), na escola (com o professor) Sara começa a notar as artimanhas que sustentam a concepção machista da sociedade. Tudo está registrado em ideias, atitudes e palavras. Sim, palavras, pois o vocabulário carrega consigo  fortes marcas. E é nesse contexto de descobertas e desafios que os jovens se confundem, têm atitudes nem sempre coerentes com seus sonhos, revelando um mundo em constante ebulição, uma transformação de papéis que nunca se acomoda.
Sara, educada num padrão do passado, vive no presente. E se atreve a ter um sonho, um grande sonho que ultrapassa os limites da compreensão do seu pai. Se fosse o filho sonhando... Mas Sara? Cruzar o céu, olhar o mundo por outro ângulo, ter uma visão mais abrangente de tudo? Quem essa menina pensa que é?
Sara mostra quem é, o que quer e o que é capaz de fazer, enquanto Clara, a irmã, ainda acata as determinações paternas. Certo? Errado? Quem tem as respostas? Certo seria tudo aquilo que cabe em nós e nos faz bem, longe de rótulos, padrões e estatísticas. Cada um sendo aquilo que é.
Sara – a personificação da jovem de hoje - percebe isso e quer mais. Faz o que em outra época seria impensável. Mas não é fácil essa jornada. Muito ela precisa enfrentar, provar e vencer, revelando o quanto ainda temos a superar – homens e mulheres - para a liberdade de ser, para a verdadeira igualdade de gêneros.
Mais do que nunca, há que se ter coragem, foco e disposição para que o jovem possa afirmar: meu destino eu mesmo traço. O meu destino sou eu.


Sonia Salerno Forjaz

3 Comentários

  1. Oiee
    Não sou muito acostumada com nacionais mas gostei do livro, o tema abordado nele é interessante e que gera várias discussões.
    beijos

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  2. Acho essas dicas super importantes.
    As vezes esquecemos que crianças precisam de livros assim, com conteúdo, divertido e para a idade delas. Ultimamente só vejo criança lendo 50 tons, para ter noção rs

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  3. Li esse livro quando eu tinha 12 anos de idade. A melhor parte disso, foi entender que eu não estava sozinha por querer ter direitos iguais e questionar. Mudou minha vida! Estou esperando minha sobrinha crescer mais um pouco para entregar para ela ler. Ela ainda tem um ano, mas não quero nem saber, vou guardar esse livro especialmente pra ela. Espero mesmo que a minha família mude ao longo do tempo. É muito deprimente ouvir os discursos machistas e nojentos que a minha própria mãe tentava enfiar na minha cabeça e na cabeça da minha irmã!

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