Bom dia Leitores do Acordei com Vontade de Ler, tudo bem com vocês? Estamos abrindo duas colunas novas, chamadas "Dica de leituras para os pequenos!" e "Dicas de Leituras Juvenis" onde tentaremos postar algumas resenhas sobre livros voltados para o público infanto-juvenil que trazem alguma lição interessante. 
Esperamos que vocês gostem da coluna e aguardamos comentários ;)
A dica de hoje é para os leitores um pouquinho mais velhos, e fala sobre a importância de se conhecer para entender o mundo em que vive.


Sinopse - "Espelhos Partidos faz referência ao conto, mas é, na verdade, um romance. Menciona as fadas, mas o que traz são mulheres corajosas que enfrentam seus problemas e buscam suas identidades. Traz também homens que com estas mulheres convivem e que aqui – como na vida – se expõe menos às emoções, mas estão também eles buscando um rumo nas relações pessoais que os tempos redesenham. A história de Flávia pode ser vista como uma narrativa maravilhosa, ainda que pela sua imagem reflexa. Flávia narra experiências vividas e nelas se observa. Enquanto narra, avalia o que viveu e amadurece: não apenas por ser jovem, mas por ter entregue ao objeto de sua paixão seu amor-próprio – como fazemos em qualquer idade. Flávia tem quinze anos e se apaixona por um homem de trinta. Manipulada pela de sensibilidade de Júlio, essa paixão evolui em encontros secretos, dentro de uma aura de proibição que a envolve totalmente. Depois de algum sofrimento, ajudada por uma amiga e psicóloga, Flávia retoma as rédeas da sua vida e dá os primeiros passos em direção ao amadurecimento que resulta de toda essa dor. E essa trajetória (como todas, e como acontece nos contos de fadas) tem etapas de superação. O tema principal desta história é a busca do autoconhecimento, pela via do amor: conhecer-se, reconhecer-se, perceber o que se sente. E, ao conhecer-se, encarar o próprio “lado escuro”, o lado que não é socialmente aceito, que rasga a máscara de “boazinha” que Flávia quer mostrar aos outros e ver no próprio espelho. Aparecem ainda como temas secundários a questão dos relacionamentos: entre pais e filhos, entre pais separados e entre irmãos, evidenciando diferenças de mentalidades e ideais. Todos querem, afinal, saber quem são, de onde vêm e para onde vão, como indaga o crocodilo à Marama e como sempre indagou a velha esfinge".


Minha opinião - O livro é narrado em primeira pessoa pela protagonista Flávia, uma adolescente que está vivendo as dores do primeiro amor. Flávia mora com sua mãe e sua irmã Lígia. Seus pais são separados e seu pai tem uma nova família, inclusive um filho. 
As melhores amigas de Flávia são Salete, Rúbia, Jane e Vilminha e o grupinho vive conversando sobre assuntos normais de adolescência.
A vida de Flávia segue a sua rotina até que Salete apresenta seu tio, Júlio Figueiredo. Júlio é um homem mais velho, bonito e sedutor. Flávia fica fascinada com Júlio desde o primeiro momento em que o vê e Júlio começa a entrar em contato com a garota para que os dois saiam.
O "relacionamento" dos dois é conturbado, seja pelos segredos que Júlio carrega ou pela rapidez que tudo acontece. 
O interessante da obra é que a autora trabalha muito bem com a questão da identidade, através da protagonista. Flávia é jovem e absorve as experiências do seu meio. O casamento desfeito de seus pais, o rancor de sua mãe pela nova família do ex-marido e o esquecimento do pai com a primeira família. 
Flávia é doce e muito insegura. A maneira como a insegurança e o crescimento pessoal são apresentados na obra prendem o leitor pelo seu realismo. 
O livro ainda apresenta o conto africano "Marama no rio dos crocodilos" que no início de cada capítulo irá trazer uma grande lição. 
A relação entre a história de Flávia e do conto demonstra que mesmo através de tempos e culturas diferentes, conhecer sua própria identidade para conseguir seguir em frente. 
A revisão, diagramação e layout foi muito bem feita. A capa não é muito atraente, mas o conteúdo é maravilhoso.

"Tanto quanto Marama, eu precisava me aceitar e me respeitar. Não podia pautar a minha vida segundo o pilão da minha mãe ou de qualquer outra pessoa, inclusive Julinho, em quem eu também tinha me escorado. Agindo assim, eu sempre estava colocando o meu valor fora de mim, por isso ele não se sustentava". (p. 120)


O que a autora fala da obra:

Muitos perguntam sobre o que, exatamente, motiva a escolha de um tema para se escrever um romance. Difícil responder, pois as motivações são várias, às vezes, imprevisíveis. No meu caso, pela minha formação, muitas histórias nascem para conscientizar o jovem sobre temas polêmicos, para que ele, através da leitura e dos diversos pontos de vista dos personagens, reflita, pondere sobre os vários lados da questão e, assim, comece a formar sua própria opinião.
Espelhos Partidos – um conto sem fadas fala sobre o amor. E nasceu motivado por uma história real que trouxe, para sua protagonista, consequências que pareciam deslocadas de um tempo moderno, de um novo século. Depois de tantas conquistas femininas, de tantas mudanças nas relações interpessoais, como poderia, ainda, uma jovem viver uma história de amor romântico, apostando todas as fichas em outro ser, como se fosse ele o príncipe salvador, detentor de seu próprio valor? 
Fui atrás de fatos, análises, teorias psicológicas e foi inevitável concluir o quão importante é o autoconhecimento para superar os desafios da vida, no caso, um amor não correspondido. Nessa busca, os arquétipos falaram alto, a psicologia trouxe subsídios e os contos de fada se mostraram imortais. Assim nasceu este conto moderno que segue a estrutura dos contos maravilhosos, com seu final voltando ao ponto de partida, numa indagação ao leitor sobre ter havido ou não algum aprendizado para quem viveu a trama.
Flávia termina sua história diante do mesmo desenho, do mesmo tapete, do mesmo espelho, agora partido em cacos que a revelam por inteiro. Mas não é mais a mesma jovem, depois de ter vivido um amor intenso que a levou a ser madrasta e vilã de si mesma, heroína de sua própria vida.
Diz a análise crítica da Profa. Maria Cristina Tortorello: O tema principal é, sem dúvida, a busca do autoconhecimento, pela via do amor: conhecer-se, reconhecer-se, perceber o que se sente. Mas, talvez o aspecto mais importante  seja a oportunidade de conhecer e encarar o próprio “lado escuro”, o lado que não é socialmente aceito, que rasga a máscara de “boazinha” da face que os outros veem, mas sobretudo da que se mostra no próprio espelho. E é isso que fragmenta esse espelho... Este livro se destina a leitores que gostam de se confrontar com experiências emocionais  desafiantes e com o autoconhecimento. São experiências fortes, coisa de gente grande, por isso, acredito que a obra se destine a adultos, jovens adultos, e adolescentes, pois Flávia tem apenas quinze anos, age como tal, mas a experiência amorosa a obriga a encarar seus problemas e atitudes como jovem amadurecida.

5 Comentários

  1. Oi Carol, tudo bom?!

    Parabéns pelas duas novas colunas, como sou professora das duas idades ficarei sempre de olho nas dicas. Gostei bastante da sinopse desse livro, é um tema muito legal. Fiquei com vontade de lê-lo também.

    Beijos, Rob
    http://estantedarob.blogspot.com.br/

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  2. Achei bem interessante esse livro, traz um conto de fadas mas realista, impondo coisas do nosso cotidiano. Acho que valeria a pena ler, amo histórias que passam lições, mas não gostei muito da capa. Adorei a a ideia dessas novas colunas, logo vou começar a procurar livros infantis para o meu pequeno príncipe (meu sobrinho), incentivar a leitura desde pequeno é muito importante.

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  3. Oiee
    Adorei o livro,eu ainda não o conhecia mas é uma ótima sugestão de leitura.
    Mesmo eu sendo adolescente não são todos os livros juvenis que conseguem me agradar
    e esse conseguiu.
    Só acho que a capa podia ser um pouco mais chamativa para atrair mais leitores.
    beijos

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  4. Gosto muito dessa coluna, sempre ótimas dicas =)
    Amo juvenis, sou viciada... sempre procuro alguns para ler.
    Saber que este é ótimo e com uma lição ainda, me interessou.

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  5. Carol, gostei muito de sua resenha e também dos comentários acima (Rob, Nadja, Letícia, Karolyne) confirmando que você sabe e soube destacar o melhor de um livro para despertar o interesse pela história. Não é tarefa fácil e eu agradeço por sua leitura cuidadosa. Claro que sou suspeita como mãe dessa "cria", mas Espelhos Partidos traz uma história comum a todos nós, pois fala sobre o Amor em suas mais diferentes faces, destacando o amor por nós mesmos. Somos únicos na diversidade. Beijo

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