Sinopse - "Este livro aborda questões fundamentais como o respeito, a ética, a cidadania, a valorização do idoso e a disciplina, levando o jovem a compreender que, mais do que discursos filosóficos, esses temas são ferramentas para a vida em sociedade. Convidado a coordenar as atividades jovens do clube da pequena cidade, Ricardo achou a tarefa simples até ver o caos instalado, fruto da liberdade que ele mesmo fez questão de incentivar. Sem regras, a convivência mostrou-se impossível, a comunicação inexistente, a realização de qualquer projeto, inviável. Muita coisa precisou acontecer até que todos compreendessem que ética e respeito não podem ser esquecidos quando a questão envolve cidadania. Falar de cidadania era falar da vida... De cada segundo de convivência entre os semelhantes... Era falar de respeito... Foi o que concluiu a mãe de Priscila ao terminar a pesquisa. Coincidentemente, o namorado, Ricardo, tinha sido convidado a coordenar as atividades jovens do clube mais antigo da cidade. Foi preciso que muita coisa acontecesse e que muitas ideias fossem trocadas para que todos descobrissem o porquê de tantas regras e compreendessem que valores, como educação e respeito, jamais podem ser preteridos, quando a questão envolve Cidadãos do Mundo!"



Minha opinião - "Eu, cidadão do mundo" é um livro que traz um conteúdo reflexivo sobre cidadania, de forma que os jovens (e os adultos também!) consigam entender que a sociedade não é feita apenas de direitos, mas também de deveres.
Narrado em terceira pessoa, o livro tem como protagonista Ricardo, um adolescente de 17 anos que mora com o seu tio, o Bira. Bira é dono de uma gráfica e que também está tentando revitalizar o clube local da pequena cidade.
Bira é a uma das pontes para o passado, onde Ricardo conhece as maravilhas que tinham no clube: bailes, reuniões e até mesmo simples encontros que alegravam o dia de todos. Então, como não pensar em revitalização e não pensar nos jovens?
Eis que Bira sugere a Ricardo formar a Ala Jovem no clube, onde eles possam promover atividades e eventos que incluam a participação dos demais adolescentes.
Acontece que Ricardo acredita que a melhor forma de coordenar os conhecidos é na verdade bem simples: não ter regras! Mas será que isso poderá dar certo?

"-Em grupo não dá para viver tão livremente assim Ricardo - Bira insistiu. - Pelo menos, não com essa liberdade total que você está sonhando. Liberdade, Ricardo, é uma coisa que você precisa conquistar. Ninguém dá liberdade ao outro, como você está pretendendo...." (p. 110)

A autora soube abordar bem nessa micro-sociedade que é o clube, diversos problemas que observamos em nosso cotidiano, como por exemplo, a existência de pessoas que fazem questão de contrariar e que se acham merecedoras, mesmo não tendo realizado nada. A velha questão do egocentrismo prejudicando a formação de um conjunto.
Mas não é apenas no clube que a história acontece. Outros personagens também abordam situações cotidianas, como Priscila, a namorada de Ricardo, que foi vítima de um assalto no ônibus e está traumatizada com o evento; ou Eugênia, uma jovem que tem dificuldades em aceitar o seu corpo, resultando em problemas de auto-imagem ou então Ronaldo, um amigo de Ricardo que é viciado em computadores, deixando de viver o presente real para viver uma fantasia.
"Eu, cidadão do mundo" é uma leitura rica em conteúdo, mas que consegue ter uma leveza na hora de discutir os assuntos. Conforme acompanhamos a vida desses adolescentes e seus aprendizados, os leitores refletem sobre as próprias vidas e até mesmo começam a compreender que a sociedade é construída em cima de um equilíbrio de direitos e deveres.
Um ótimo livro para ser lido junto com os filhos e irem conversando! O livro também contêm ilustrações de Daniel Lopes, que auxilia na construção dos cenários e enriquece o enredo.

"- E aí é que está o problema. Porque o homem, atualmente, tem valorizado tanto o seu aspecto individual que se confunde todo quando tem que se integrar com o coletivo. Em grupo, precisamos saber respeitar, ouvir, ceder, ponderar....e isso, como você estão sentindo, é um exercício difícil para quem vive pensando em si mesmo o tempo todo". (p. 155)

O que a autora fala da obra:

     O livro “Eu, cidadão do mundo” nasceu de uma necessidade partilhada por todos nós:  transmitir – especialmente para as novas gerações - conceitos filosóficos tão relevantes para a nossa vida cotidiana e aparentemente tão distantes quando vistos  sob a ótica de um discurso teórico. Um dos mais importantes,  a ética, vivenciada em nosso dia a dia e sem o qual não podemos falar em Cidadania.
     Mas como dialogar com o jovem a respeito de valores? Como apontar a presença da ética em nossas atitudes e escolhas? Como justificar a necessidade de regras e disciplina para uma vida social minimamente justa, quando o que se quer é a mais absoluta liberdade?  
     Fazer essas indagações a um escritor é apontar a Literatura como caminho possível. E ela sempre é, pois permite a criação de um microcosmo – no caso, um clube - onde as relações transcorrem entre personagens com personalidades, opiniões e atitudes particulares, gerando  conflitos com os quais nos identificamos e sobre os quais podemos refletir.
     Ricardo,  um jovem idealista, é convidado a coordenar as atividades da ala jovem de um tradicional clube de uma pequena cidade, tarefa que ele considerou simples até  colocar em prática seus ideais de liberdade, apostando apenas no bom senso do grupo. A realidade, porém, lhe mostra ser impossível conviver em harmonia, sem que se estabeleçam regras que norteiem minimamente os direitos e os deveres de todos.
     A história de Ricardo fala sobre a vida e tem como um de seus personagens centrais um idoso, também ele idealista,  cuja experiência se revela útil para a compreensão de Ricardo e para o bem geral, apesar do preconceito com relação à sua idade. Paralelamente, há a história de um namoro, entre Ricardo e Priscila, repleto de diálogos, descobertas e sonhos comuns.
     Valores, idades, ideais da juventude já seriam ingredientes suficientes para que vários comportamentos que nos intrigam e confundem fossem discutidos. Mas na trama surge, ainda, uma eleição. Chapas com visões opostas e complementares oferecem aos jovens uma oportunidade de escolha para a administração do clube.
     Qual será  a melhor? Quem sairá vencedor? Quem decide é o leitor que, após ouvir e dialogar com  personagens tão distintos, fará associações com a sua própria visão de mundo e dará o veredito, exercendo o seu papel de cidadão. Cidadão do seu clube, da sua cidade, do seu país, do Mundo!


Sonia Salerno Forjaz

6 Comentários

  1. Nossa com uma resenha grande assim dá para ver que gostou do livro hehehe. Bom, essa resenha me fez ficar curioso em relação à este livro. Costumo gostar bastante de livro que junto com a história, lições são passadas. Acho que livros assim são uma maneira simples e prazerosa de aprender mais.

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    1. Oie Bruno.
      rsrs, a resenha ficou extensa mesmo, mas não consegui me conter rs.
      Concordo com você, livros assim são ótimos!
      Bjkas

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  2. Mais uma dica para os meus juvenis (Já falei que aos fins de semana trabalho com crianças??), estamos precisando de leituras que ensinem valores sólidos para esses pequenos. Vou mostrar para minhas outras ajudantes.

    Beijos
    Passaporte Literário

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    1. Que legal Jhey! Você é voluntária? Como é o projeto?
      Bjkas

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  3. Gostei do livro, a temática dele é bem interessante.
    isso é bom , livro que possam ensinar estes valores

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    1. Concordo com você Lissandro.
      Livros que ensinam bons valores devem ser prestigiados.
      Bjkas

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