Sinopse - "Duncan é o aluno terceiranista do Colégio Irving que ficou justo no quarto do ex-aluno albino da escola, Tim – o garoto que se envolveu em um episódio obscuro para o qual havia muitas perguntas e poucas respostas. Ao entrar em seu novo quarto, Duncan encontra uma pilha de CDs que o ex-aluno lhe deixou com revelações do passado nebuloso e que o levará para uma jornada em seus próprios conflitos, fazendo diversas relações com o tradicional trabalho de conclusão do ensino médio do colégio, o ensaio sobre a tragédia."








"Da ordem ao caos" é o livro de estreia da autora Elizabeth Laban na literatura YA, mas quem realiza a leitura não percebe esse fato. Emocionante, denso e sensível. Foram essas três palavrinhas que surgiram nos meus pensamentos ao chegar na página 317.
A história é narrada em terceira pessoa sob a perspectiva de Duncan e em primeira pessoa por Tim. O incrível dessa narrativa é que Tim não está presente fisicamente na história, e sim através dos relatos dos alunos e das gravações de seus cds. 
Duncan é um aluno do terceiro ano, que está na escola há três anos. Ele presenciou uma tragédia no ano anterior, mas essa tragédia vai ser totalmente revelada apenas no final do livro. Duncan é jovem, mas também é um rapaz sério, introspectivo, amigo e leal. Acontece que foi designado a ele, o que os alunos consideram o pior quarto dos terceiranistas: o último quarto do corredor, que é pequeno, claustrofóbico e escuro. E no ano anterior, esse quarto pertenceu a Tim, o outro protagonista do livro. É uma tradição dos alunos que se formaram, deixar um presente de boas-vindas no quarto dos veteranos. Tim deixou uma carta, explicando as vantagens do quarto, além de uma pilha de cds que contam a história do ano anterior, desde o momento em que ele descobriu que seria transferido para o Colégio Irving até a conclusão dos fatos.
Tim é um garoto albino. Ele aprendeu a lidar com os olhares de estranhos na rua, as perguntas inconvenientes e a passar despercebido na maior parte do tempo. Ele é inteligente mas introspectivo e sua mãe e seu padrasto, na tentativa de fazer com que ele abra um pouco mais suas asas, o transferem para o colégio Irving. 

"Entre para ser e encontrar um amigo". (p. 08)

No aeroporto ele conhece uma jovem chamada Vanessa e acontece o inimaginável para ele: Vanessa Sheller o enxerga! Não como um garoto albino desajeitado, mas sim como um rapaz inteligente, engraçado e interessante.
Por coincidência do destino, Vanessa também está indo para o colégio Irving, só que ela não é aluna nova, e sim uma veterana. 
Mas Vanessa tem um namorado: Patrick. Patrick é um dos garotos mais populares do colégio, atleta, cheio de si. Resumindo....um babaca. 
Na narração de Tim absorvemos suas dores, inseguranças, ressentimentos, mas também ouvimos os detalhes do seu primeiro amor, de sua felicidade e esperança para um futuro.
Parece exagero falar de "esperança para um futuro", mas não é. Conforme ouvimos a narrativa de Tim, percebemos que ele esconde algo de todos, inclusive de sua família. 
Duncan ao ouvir os cds, começa a analisar a própria vida. Suas interações com os amigos, como Tad, Daisy, a garota pela qual ele tem uma paixonite e até mesmo sobre suas aulas, em especial a aula de literatura do terceiro ano com o Sr. Simon e seu trabalho que é comentado todos os anos: um ensaio sobre a tragédia.
Da mesma forma que o Duncan, os leitores ficam presos na narrativa de Tim. É impossível deixar sua história de lado.
A autora tratou com uma grande delicadeza temas que abordam a todos: o amor, a felicidades, as inseguranças e as tragédias. 
A história demonstra que a maneira como lidamos com as tragédias definem nosso caráter. Ser um bom amigo, filho, conhecido. Ter esperança de que tudo irá melhorar. E continuar amando, não importa o resultado.
"Da ordem ao caos" é impactante por ser real. Os protagonistas estão ao nosso redor: um amigo, um irmão, uma mãe. 

"Passei um bom tempo tentando decidir onde começar. Hoje vejo que, em muitos aspectos, o lugar onde minha história começa, é na verdade, o final de tantas outras coisas". (p. 18)

Espero que tenham gostado da resenha e não esqueçam: espalhem luz e beleza!!!


Vou deixar para vocês a entrevista realizada com a autora. O texto é da Paula Thomaz, e quem quiser conferir o post original, é só clicar aqui

A escritora Elizabeth Laban marca sua estreia na literatura YA com uma obra intrigante para os leitores jovens. Antenados com tudo o que há de novidade nesse universo literário, com certeza já leram de tudo, mas “Da ordem ao caos” tem algo que vai conquistar os leitores mais exigentes.
Trata-se de um enredo de drama e suspense a partir das narrativas gravadas em CDs pelo ex-aluno albino da escola Irving, Tim. O garoto se envolveu em um episódio obscuro para o qual havia muitas perguntas e poucas respostas. Mas como surgiu essa história e qual seu processo de criação?
Descubra nesta entrevista em que Laban revela os bastidores de seu trabalho para a trama de “Da ordem ao caos”, lançamento da FAROL.

Da ordem ao caos é seu primeiro romance juvenil. Como foi que teve a ideia de escrevê-lo?
Eu queria escrever um livro desde a quarta série do ensino fundamental. Meu amigo Marshall Cooper vinha à minha casa e tentávamos criar histórias para uma personagem que chamávamos de Chopped Suey. Na minha imaginação, ele era um detetive juvenil, descolado e urbano. Nunca passamos do projeto da capa! Mas, desde aquela época, eu sempre criava histórias na minha cabeça. A ideia de Da ordem ao caos surgiu em várias etapas. Eu gostava da ideia de escrever a respeito de um triângulo amoroso clássico. Também fiquei impressionada com a ideia de usar um trabalho acadêmico complicado para ajudar a desenvolver a história. No meu terceiro ano do ensino médio, tive de fazer um trabalho de longo prazo que chamávamos de ensaio sobre a tragédia, apenas ligeiramente diferente do que fazem os alunos do Irving. Minha tarefa era definir uma tragédia e decidir se algo assim poderia existir na literatura contemporânea. Faz alguns anos, achei meu ensaio. Relendo-o tanto tempo depois, fiquei com vontade de escrever minha própria tragédia. As palavras que se entranharam na mente de Duncan nunca saíram da minha. Caráter elevadoreviravolta do destinohúbris: sempre adorei essas palavras. E aí, de repente, Duncan estava cruzando o arco...

Você sempre imaginou Tim albino ou isso foi algo que só surgiu mais tarde, enquanto escrevia?
Decidi logo de cara que Tim seria albino e, tomada essa decisão, tornou-se uma ideia fixa. Eu sabia que Tim tinha de ser um pária, e não só pelo fato de ser novo no Irving. Eu queria que ele tivesse de lidar com um problema que o afligisse o tempo todo, mas não podia ser algo que dificultasse demais sua vida cotidiana. Com a pesquisa que fiz, para saber com que tipo de coisa os albinos têm que lidar, foi ficando claro que fazer de Tim um albino me daria meios para amplificar as inseguranças da maioria dos adolescentes, além de me oferecer várias possibilidades para as decisões que ele toma no livro.

A escola particular, como cenário, tem um papel importante no livro. O que a inspirou a ambientar o livro no Colégio Irving?

Nos meus dois últimos anos do ensino médio, meus pais me mandaram para uma escola particular incrível chamada Hackley, em Tarrytown, Nova York. Vai soar bem piegas, mas acho que meus dois anos lá mudaram minha vida. Não foram perfeitos: tive de enfrentar alguns adolescentes malvados e me senti muito sozinha quando cheguei. Mas, no geral, foi a primeira vez que me senti realmente parte integrante de um lugar e da cultura desse lugar. Também foi a primeira vez que entendi a ideia de curtir o aprendizado. Recebi recentemente uma correspondência de Hackley em que havia uma citação de um ex-aluno dizendo que queria poder voltar a estudar lá. Se fosse possível, ele prometia ler tudo que lhe mandassem ler e prestar mais atenção às aulas. Será que não dava para voltar no tempo? Percebi, depois de ler suas palavras, que escrever este livro e criar o mundo do Colégio Irving era fazer justamente isso, no meu caso. Era voltar àquele lugar maravilhoso e passar algum tempo lá.

Você lecionou durante algum tempo numa faculdade. Alguma semelhança entre você e o sr. Simon?
Nenhuma! Eu adorava lecionar, exatamente como o sr. Simon. Mas muitos dos meus alunos eram adultos, portanto a dinâmica era muito diferente daquela que estabeleci entre o sr. Simon e os alunos do Colégio Irving. O sr. Simon, que em muitos aspectos foi inspirado no meu professor de literatura do terceiro ano, o sr. Arthur Naething (ele realmente nos dispensava todos os dias com um “vão, agora, e espalhem luz e beleza”), equilibra muito bem a necessidade de ser acessível à garotada e também aterrorizá-la. Nunca tive a coragem de assustar meus alunos. Eu ficava feliz porque eles compareciam às aulas e pareciam interessados no que eu dizia.


6 Comentários

  1. Nossa, essa parece ser uma ótima história. Pela resenha já fiquei super curiosa para conhecer mais sobre Tim e Duncan, e também para saber que tragédia é essa.
    Beijos
    http://tudoqueeuli.blogspot.com

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  2. Oi!
    Já tinha lido algumas resenhas do livro e estou bem curiosa sobre a história, que parece ser bem real mesmo, principalmente por causa dos temas complicados que trata. Não está entre os livros que mais quero ler, mas pretendo dar uma chance para a história.
    Bjs

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  3. Carol!
    Gosta de enredos que abordam o lado mais psicológicos das personagens e que possamos identificá-los mais veementemente.
    Me parece ser um livro fabuloso e saber um pouco mais sobre a autora, torna ainda mais instigante ler sua obra.
    Muita luz e paz! E um domingo esplendoroso!
    Cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  4. Oi!
    Adorei a entrevista com a autora e muito bom podemos conhecer as pessoas atras das palavras, gostei da historia do livro e como ele trata as tragedias e os sentimentos fiquei curiosa em como teremos a apresentação de Tim !!!

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  5. AI MEU DEUS!
    Achei o livro uma gracinhaaaa!!! A capa tá maravilhosa! E eu me encantei pela história. É bem o tipo que gosto de ler. Fiquei louca pra ter esse livro entre os meus outros bebês.

    Ps: Adoro suas resenhas. São simples e objetivas.

    Abs

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  6. Adoro livros profundos e reflexivos. Aqueles que quando terminamos nos fazem aprender algo.
    Fiquei curiosa para conhecer colégio Irving.
    Li em uma resenha no Skoob que a autora tratou com uma grande delicadeza temas que abordam a todos: o amor, a felicidades, as inseguranças e as tragédias.
    A história demonstra que a maneira como lidamos com as tragédias definem nosso caráter. Ser um bom amigo, filho, conhecido. Ter esperança de que tudo irá melhorar. E continuar amando, não importa o resultado.
    Dizem que é impactante por ser real e que os protagonistas estão ao nosso redor: um amigo, um irmão, uma mãe.
    Depois disso e da sua resenha é impossível não colocar o livro na longa lista de leituras.

    Beijos e parabéns pela resenha!
    Viviane Gonçalves
    vsg_caue@hotmail.com

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