Sinopse - "Percebeu que se, de fato, um Deus que zela pelos humanos existisse, não designaria uma máquina para ser o profeta. Esse Deus, ora cruel, ora misericordioso, nem ao menos permitiria a própria extinção dos seres humanos. Poderia a máquina ser esse Deus, dando vida de novo aos homens?". Esse e outros sinais elétricos varriam o processador de JPC-7938 com velocidade sobre-humana. Processava uma infinidade de outras informações ao mesmo tempo, o que diminuía ainda mais a energia da sua bateria. Talvez era isso mesmo que ele quisesse, para consumar de uma vez o que já estava fadado ao fracasso. Sua bateria durou quatro horas até o desligamento completo. Nessas intermináveis horas, em que não via nada além da densa neblina, que ofuscava o céu azul, cercado de nuvens brancas, percebeu que tudo não passava de coincidência. Que o planeta fora criado, de fato, ao acaso, e que não havia um destino ou uma missão a ser cumprida; apenas a existência, até o inevitável dia do fim.


A premissa do livro é simples: a humanidade foi dizimada e só existem máquinas no planeta. Inteligência artificial capaz de executar inúmeras funções e mesmo assim, após muitos e muitos anos, não houve progresso. A maior parte das máquinas está inoperante e os sobreviventes habitam um planeta hostil.
“Um silêncio estranho inundava as cidades, agora um pouco mais frias, calmas, imersas em uma melancolia apavorante. Por seus milhares de sistemas automatizados, deixados involuntariamente para trás, elas continuavam a funcionar, transmitindo dados de suas muitas centenas de satélites para todos os cantos do mundo.”
Um ditador controla tudo, inclusive envia sentinelas para desativar os sobreviventes. Um desses sobreviventes é JPC-7938, um androide médico. Como não existem mais humanos, ele é obsoleto e vive isolado e solitário até que encontra com OPR-4503, um robô engenheiro. 
Conforme os dois passam um tempo juntos, fica claro para eles que é possível trazer os seres humanos de volta e os dois embarcam em uma jornada extremamente emocionante.
Paulo de Castro conseguiu a proeza de trabalhar com protagonistas desprovidos de emoções e movidos pela lógica e o raciocínio e ainda assim criar um enredo repleto de sentimentos. 
“— Sei que não faz parte da nossa natureza acreditar nesse tipo de tese, mas os humanos acreditavam que certos fatos aconteciam graças ao destino.”
"O Androide" é uma obra de ficção que faz com que o leitor reflita sobre a condição humana. A forma como os protagonistas debatem os prós e contras de cada ação tomada é fenomenal.
Em relação à revisão, diagramação e layout a editora realizou um ótimo trabalho. A capa é simples, mas combina perfeitamente com o conteúdo.


6 Comentários

  1. Olá!
    Gostei da premissa do livro. Esse gênero é muito interessante.
    Gostaria de ler, com certeza.
    Sua resenha está muito bem elaborada, obrigada!
    Beijos.

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  2. Oi, Carol.
    Já li várias resenhas positivas sobre esse livro e fiquei curiosa.
    Vou tentar colocá-lo na minha agenda de leitura!
    beijos
    Camis - blog Leitora Compulsiva

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  3. Gosto muito de algumas ficções, mas esse livro não chamou minha atenção. Acho que esse não vou ler.

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  4. Oi!
    Gostei muito desse livro principalmente por essa forma diferente que o autor falar sobre os robô, não como mal mas tenta encontrar os humanos, parece ser uma historia linda e que passa uma grande mensagem, se tiver oportunidade quero ler esse livro !!

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  5. Fiquei surpresa em saber que o livro é de um autor nacional.
    Dificilmente vemos um livro de ficção que seja da nossa terrinha.
    E exatamente por esse motivo gostaria de conferir

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  6. Oii!
    Que história original! Até hoje foram poucos os meus livros lidos com essa pegada, fiquei animada pra ler!
    Esse tema futurista e de luta contra o governo me lembrou um pouquinho Fahrenheit 451, apesar das causas de protesto serem bem diferentes...
    Ótima resenha! Beijos, Isa

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