Resenha A Sétima Cela - A Cela # 1 - Kerry Drewery

Sinopse - Martha Heneydew é a primeira adolescente a ser presa e condenada no novo sistema de justiça da Inglaterra. A polícia a encontrou ao lado do corpo de Jackson Paige, filantropo, milionário e uma das celebridades mais queridas do país. Nesse novo sistema de justiça, o condenado tem sete dias - cada dia em uma cela diferente - para ter seu destino determinado pelos votos dos telespectadores. Se a audiência do programa de TV "Morte é Justiça" decidir pela inocência do preso, ele será solto. Caso contrário, será morto na cadeira elétrica. Porém, algumas peças não se encaixam na história que Martha conta para a justiça. Ela se declara culpada, mas há algo por trás da cena do crime que os telespectadores ainda não sabem. Com a ajuda da consultora psicológica, Eve Stanton, de um juiz do antigo sistema jurídico, Cícero, e do seu grande amor, os sete dias que precedem sua execução serão de muita intensidade, sofrimento, descobertas inesperadas e reviravoltas de perder o fôlego. Quem é, de verdade, Jackson Paige? Martha Heneydew é realmente culpada? Será que esse sistema jurídico é justo? Nesta distopia eletrizante, todas essas questões nos fazem refletir sobre o poder do dinheiro que, muitas vezes, prevalece sobre a justiça. E Martha, uma adolescente forte e destemida, mostra sua crença em uma sociedade verdadeiramente justa, na força da amizade e do amor. Mesmo que isso possa significar sua própria vida.
Imaginem uma sociedade em que não exista o sistema judiciário que conhecemos. Não há mais juízes, julgamentos, júris, tribunais. Caso a pessoa seja acusada de um crime, quem determina a sua culpa ou inocência são os telespectadores de um reality show. Cada ligação paga feita por eles conta como um voto e a decisão de cada um é feita de forma aleatória, pois não há defesa, apresentação de provas ou investigação.
Em casos de crimes hediondos, como assassinatos, é aplicada a Lei dos Sete Dias de Justiça, onde o acusado passa sete dias em sete celas diferentes e os telespectadores acompanham sua sentença no programa "Morte é Justiça". 
É nesse cenário que conhecemos Martha Heneydew. Martha é uma garota de 16 anos de idade que é encontrada com uma arma na mão, ao lado do corpo de Jackson Paige, uma celebridade conhecida pelo seu trabalho filantrópico. Além disso, a própria Martha confessa ter cometido o crime.
A partir daí o leitor acompanha a protagonista por sete dias, e os acontecimentos que precedem sua sentença. Acontece que esses sete dias são infernais para a protagonista. O que a população não sabe é que por trás das câmeras o que se passa nas celas é simplesmente tortura. Cada cela tem um objetivo específico em mexer com o psicológico do preso e os guardas também não são nada simpáticos ou gentis com os indivíduos atrás das grades. O único contato realmente humano e caloroso que Martha tem nesse período é com Eve Stanton, a consultora psicológica. Eve é uma mulher marcada por seus próprios demônios e que não acredita mais nesse sistema de "justiça". E com certeza não acredita que Martha é culpada do crime que está sendo acusada.
É durante esses sete dias que o leitor também começa a entender o que levou Martha a confessar o crime e quem realmente era Jackson Paige.
Martha é uma protagonista interessante, pois em poucos anos de vida precisou aprender a sobreviver e a driblar os obstáculos colocados em seu caminho. Porém, admito que não foi a minha personagem favorita. Apesar de ter todos os motivos corretos para lutar, muitas de suas justificativas são juvenis e excessivamente romantizadas. O romance que se desenvolve entre Martha e o personagem desconhecido acaba ganhando grandes proporções e de certa forma, tira um pouco o foco da questão social que é tão importante.
"Você e eu tivemos nossos papeis definidos pelo lugar onde fomos criados - você pode ser o guerreiro, e eu posso ser a mártir. Afinal de contas, isso é tudo que uma garota dos Arranha-Céus como eu pode fazer." (p. 27)
A história é narrada em primeira pessoa pela Martha e também em terceira pessoa, quando mostra a perspectiva do reality show, onde vemos a reação do público e da apresentadora do programa ou quando apresenta a perspectiva de outros personagens, como por exemplo, a Eve. O livro é dividido em prólogo e mais sete partes, nomeadas com o nome de cada cela: Cela 1, Cela 2 e etc.
A ideia de colocar o próprio reality show em destaque, com a apresentadora manipulando o público e lidando com os imprevistos é fantástica, mas ao mesmo tempo apresenta algumas situações forçadas demais. 
"Kristina: E tudo promete ser bem empolgante, telespectadores. Vamos acompanhá-los durante os próximos sete dias. Temos muito a discutir e várias questões a desvendar. Continuem conosco depois da mensagem do nosso patrocinador, Cyber Secure, para examinarmos as últimas horas do acusado que está na Cela 7. Que julgamento ele vai receber? Vida? Ou morte? E, daqui a sete dias, o que acontecerá com a nossa mais nova residente: a adolescente assassina Martha Honeydew?" (p. 37)
"A sétima cela" é sem dúvida uma grande crítica social que fala sobre como o indivíduo prefere manter-se alienado a correr atrás dos fatos e realmente tentar mudar algo. 
Durante a leitura, o leitor precisa descobrir os motivos que levaram Martha a confessar o crime, assim como observar de forma crítica a construção dessa sociedade. Será que realmente é justiça que ocorre quando monetizamos e transformamos em entretenimento a vida de uma pessoa?
A Astral Cultural realizou um ótimo trabalho de revisão e diagramação nessa edição. A capa combina perfeitamente com o conteúdo e chama a atenção.
"O que acontece aqui não tem importância. O que acontece lá fora é que vale." (p. 25)


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12 comentários

  1. Oi, Carolina.

    Acho que esse novo tipo de sistema adotado, em um futuro distópico, é algo bem relativo e perigoso. Algo bem louco, e é estranho a Martha assumir a culpa de um crime não cometido.

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    1. Oi Daiane, tudo bem?
      É super perigoso, pois é totalmente manipulável.
      Bjkas

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  2. Olá Carolina, tudo bem?

    Não conhecia esse livro e essa é a primeira resenha que leio dele, gostei muito da premissa e já vou adicionar na minha lista de desejados....bjs.


    http://devoradordeletras.blogspot.com.br/

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    1. Oi Marco Antônio, tudo bem sim e com você?
      Fico feliz em saber que adicionou o liro na sua lista.
      Bjkas

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  3. Oi Carol.
    Não tinha ouvido falar desse livro, mas ele parece fantástico. Adorei a premissa, é bem diferente com toque de Black Mirror. Achei bem inovador, mas perturbador, o uso de reality show para julgar uma pessoa inocente ou culpado.
    Fiquei mega curiosa para saber por que Martha assumiu a culpa do assassinato. Já imagino algumas possíveis razões.
    Espero ler esse livro em breve.
    Beijos

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    1. Oi Pamela, tudo bem?
      É uma premissa diferente mesmo ;)
      Bjkas

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  4. Oi Carol,
    Senti que o livro todo é uma crítica, gostei da forma que foi colocado isso, como mostra que os julgamentos na maioria das vezes são só gente "apontando o dedo", sem nem conhecer a fundo o que está acontecendo. Achei uma pena ter inserido um romance nesse enredo, ele é muito bom, mas não deveria ser esse o foco.
    Um título bem sugestivo, não imagina a história dessa forma e me surpreendi.
    Beijos

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    1. Oi Vitória, com certeza o livro é uma crítica, pois é impossível realizar a leitura sem refletir sobre a nossa sociedade.
      Bjkas

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  5. Olá! Nossa que livro... parece ser ótimo, cheio de mistérios, são tantas perguntas que precisam de respostas, e em tão pouco tempo, que coisa maluca essa da sentença de uma pessoa ser decidida em um reality show, o que será que ela vai enfrentar nessas sete celas, fiquei curiosa.

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    1. Oi Elizete, tudo bem?
      O livro é muito bom e vale a pena conferir.
      Bjkas

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  6. Uau, Carol.
    Adorei a premissa do livro e acho que, infelizmente não estamos muito longe disso, já que parece que todo mundo agora é advogado e juiz de redes sociais.
    Fiquei super curiosa para ler o livro!
    Beijos
    Camis - blog Leitora Compulsiva

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    1. Oi Camila, tudo bem?
      Infelizmente não estamos longe dessa realidade mesmo. O livro evidencia bem isso e nos faz refletir.
      Bjkas

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