Resenha A Lista do Ódio - Jennifer Brown

Sinopse - O namorado de Valerie Leftman, Nick Levil, abriu fogo contra vários alunos na cantina da escola em que estudavam. Atingida ao tentar detê-lo, Valerie também acaba salvando a vida de uma colega que a maltratava, mas é responsabilizada pela tragédia por causa da lista que ajudou a criar. A lista das pessoas e das coisas que ela e Nick odiavam. A lista que ele usou para escolher seus alvos. Agora, depois de passar o verão reclusa, se recuperando do ferimento e do trauma, Val é forçada a enfrentar uma dura realidade ao voltar para a escola para terminar o Ensino Médio. Assombrada pela lembrança do namorado, que ainda ama, passando por problemas de relacionamento com a família, os ex-amigos e a garota a quem salvou, Val deve enfrentar seus fantasmas e encontrar seu papel nessa história em que todos são, ao mesmo tempo, responsáveis e vítimas. A lista do ódio, de Jennifer Brown, é um romance instigante; leitura obrigatória, profunda e comovente.
"A Lista do Ódio" é um livro com uma temática delicada e ao mesmo tempo, muito atual. Dividido em três partes, o livro será narrado por Valerie Leftman, uma adolescente que sobreviveu a um tiroteio na cantina de sua escola e que é namorada do atirador. As opiniões sobre a protagonista dividem a mídia e os estudantes: alguns acreditam que ela é inocente, afinal de contas também foi atingida; outros acreditam que ela é uma co-autora dos crimes, que incentivou o namorado ao criar uma lista que fica conhecida como "A Lista do ódio", onde consta o nome de muitas das vítimas. Mas qual é realmente o papel de Valerie nessa atrocidade? A verdade é que nem a protagonista tem certeza, e é através de suas lembranças e percepções que ela e os leitores farão uma viagem triste e ao mesmo tempo de tirar o fôlego.
""Meu Deus" pensei. "A Lista. Ele está pegando as pessoas que estavam na Lista do ódio". Comecei a andar de novo, só que, daquela vez, era como se estivesse correndo na areia. Meus pés pareciam pesados e cansados, era como se alguém tivesse amarrado algo ao redor do meu peito que me impedia de respirar, e ao mesmo tempo, me puxava para trás." 
A história é narrada em primeira pessoa pela Valerie, mas também temos trechos de jornal publicados pela mesma repórter: Angela Dash. Tudo começa com uma matéria publicada em 03 de maio de 2008, relatando o tiroteio na escola e levantando o papel da protagonista.
Valerie é uma adolescente introspectiva e doce, mas que sofre tanto com os problemas familiares quanto com o bullying na escola. Em casa, seus pais estão constantemente brigando, gritando e deixando o clima tenso na casa para ela e seu irmão caçula Frankie. Sua mãe sempre tinha uma crítica em relação ao seu visual, ao namorado ou a qualquer coisa relacionada à Valerie, enquanto que o pai era apenas um corpo presente na casa, mas sem realmente fazer algum esforço em se conectar com os próprios filhos. Na escola, a jovem sofre com provocações desde o instante em que pisa no ônibus escolar até o último sinal do dia, todos os dias, durante anos. Fica fácil compreender como ela vai se juntar a um pequeno grupo de "rejeitados sociais" e entre eles, está o Nick. Nick também é abusado na escola, por jogadores de futebol, chegando até mesmo a existir confrontos físicos. Como se isso não bastasse, ele ainda é sempre rotulado como o problemático enquanto aqueles que o agridem são vistos como modelos, pois são populares e até mesmo o diretor ignora a real situação no colégio.
“Tivemos que lidar com uma dose brutal de realidade. O ódio das pessoas. Esta é a nossa realidade. As pessoas odeiam e são odiadas. Enchem-se de rancor e exigem castigo.”
Após o tiroteio Valerie começa a relembrar seus momentos com Nick durante a terapia. Pois mesmo que todos o retratem como um monstro, ela sabe que ele tinha seus momentos doces e gentis, mesmo que mais ninguém tenha visto isso. Mas Valerie também começa a relembrar o passado de forma mais clara: será que os sinais do que Nick iria fazer eram claros e ela não os enxergou? Será que ela o incentivou ou até mesmo motivou suas ações? Isso saberemos durante a leitura.
Um dos personagens que mais se destacam é o doutor Hieler, o médico com quem Valerie se consulta. Além de ser um profissional incrível, ele também é um ser humano maravilhoso. É através de suas sessões que Valerie entende que está tudo bem amar Nick, mesmo ele tendo feito o que fez; e que é normal sentir-se culpada e confusa e assustada e tantos outros sentimentos que se passam na mente da protagonista, e finalmente, que está mais do que bem seguir em frente e recomeçar a vida após uma grande tragédia.
Outra personagem que também vai aparecer e iluminar os locais mais sombrios da mente de Valerie é Bea, uma artista que sabe colocar roxo em qualquer lugar e garantir um sorriso das pessoas. 
" — Quanto vai custar?  perguntou mamãe, abrindo a bolsa e remexendo dentro. Bea balançou as mãos no ar.— Custa, principalmente, paciência e criatividade. Também tempo e estudo. E autoaceitação. Mas você não vai encontrar nada disso na sua bolsa."
Um dos pontos que mais me chamaram a atenção durante a leitura, foi a própria escola após a tragédia. É triste de se observar como o bullying, a ignorância e a violência estão tão presentes mesmo após uma situação drástica como um tiroteio e o pior, como algumas pessoas se mantêm cegas diante disso.
"—Sabemos que podemos mudar a realidade — declarou. — É difícil, e a maioria das pessoas nem tenta fazer isso, mas é possível. Você pode mudar a realidade do ódio ao se abrir para uma amiga. Ao salvar uma inimiga. (…) — Contudo, é preciso ter vontade de ouvir e de aprender para mudar a realidade. Principalmente ouvir. Ouvir de verdade."
Essa nova edição tem um conto extra, chamado "Diga alguma coisa", que também é narrado em primeira pessoa, mas dessa vez por David, um dos amigos de Nick. Nesse conto impactante, observamos a culpa que um jovem carrega por acreditar que poderia ter impedido o massacre se tive dito algo antes e como ele lida com tudo após essa tragédia.
"A Lista do ódio" é uma obra arrebatadora. Não existem vilões ou mocinhos na história. O tema é delicado e atual, e debate com sensibilidade a segunda chance de Valerie após ela ter tido seu mundo destruído. É uma obra que fala de amor, perdão e solidariedade. 
" — O tempo nunca acaba  sussurrou, sem olhar para mim mas mirando minha tela. — Como sempre, há tempo para a dor, também sempre há tempo para a cura."
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*LIVRO RECEBIDO EM PARCERIA COM A EDITORA

* Se o livro virasse filme. O Elenco:


Ellen Page como Valerie

Milles Teller como Nick

Richard Gere como Doutor Heiler

3 comentários

  1. Carol!
    Difícil enfrentar uma situação dessas e sofrer ainda mais bullying de quem não entende a real situação.
    Livro parece delicado.
    cheirinhos
    Rudy

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  2. Oi, Carol.
    Apesar de todos os elogios que leio sobre as obras da autora, não consigo me animar a ler nenhum deles. Ultimamente estou à procura de livros que me dêem esperança em relação à humanidade e não que me deixem mais deprimida!! Rs...
    Beijos
    Camis - blog Leitora Compulsiva

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  3. Olá! É realmente um tema bem delicado, e infelizmente atual, trabalho em uma escola (na área administrativa) e observo o quanto ainda estamos despreparados para lidar com bullying e os conflitos que atormentam crianças e adolescentes, e que vivemos em um país, onde os governos só tomam medidas depois que tragédias como a de Suzano acontecem, e até onde essas medidas realmente serão colocadas em prática? Quantas novas tragédias serão necessárias para percebemos que precisamos de ações preventivas ao invés de ações corretivas.

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