Resenha A Mulher Com Olhos De Fogo - O Despertar Feminista - Nawal El Saadawi

Sinopse - Esta ficção é baseada no relato verdadeiro de uma mulher que espera sua execução em uma prisão no Egito. Sua história chega até a autora, que resolve conhecer Firdaus para entender o que levou aquela prisioneira a um ponto tão crítico de sua existência. “Deixe-me falar. Não me interrompa. Não tenho tempo para ouvir você”, começa Firdaus. E ela prossegue contando sobre como foi crescer na miséria, sua mutilação genital, ser violada por membros da família, casar ainda adolescente com um homem muito mais velho, ser espancada frequentemente, e ter de se prostituir... até que, num ato de rebeldia, reuniu coragem para matar um de seus agressores, levando-a à prisão. Esse relato é um implacável desafio a nossa sociedade. Fala de uma vida desprovida de escolhas, mas que em meio ao desespero encontra caminhos. E, por mais sombrio que isso possa parecer, sua narrativa nos convida a experimentar um pouco dessa liberdade encorajadora através das transformações internas de Firdaus. O que acontece com ela é o despertar feminista de uma mulher.

Na Introdução, Nawal El Saadawi explica que conheceu Firdaus na prisão de Qanatir enquanto pesquisava sobre neurose em mulheres egípcias. A ideia de visitar a prisão e falar com as presas foi inesperado, mas claramente mudou a vida da autora. O livro é dividido em três partes: a primeira e a última é narrada por Nawal El Saadawi e a segunda parte, é narrada em um ritmo alucinante pela própria Firdaus.
"Eu sei porque eles me temem tanto. Eu fui a única mulher que arrancou a máscara, e eu expus a face da feia realidade deles. Eles me condenaram à morte não porque matei um homem - milhares de pessoas são mortas todos os dias -, mas porque eles têm medo de me deixar viver."
Nawal El Saadawi explica como foi que conheceu Firdaus, as negativas da presa (que foi condenada à morte por enforcamento por matar um homem e que veio a falecer no final de 1974) e o respeito silencioso das demais presas e até mesmo das guardas da prisão em relação à essa mulher que despertou o fascínio de Nawal El Saadawi.
A segunda parte do livro (que é a mais dolorosa de se ler) conta a história de Firdaus, desde a sua infância até o momento em que se encontra na prisão. Firdaus fala sobre a opressão que viveu constantemente, começando com um pai que pregava em alto e bom tom as palavras do Imã, mas que as portas fechadas era um homem mesquinho, alcoólatra e violento. Esse é o primeiro de muitos exemplos da hipocrisia na sociedade onde ela vive, demonstrando claramente a impotência que as mulheres sentem ao serem vistas como um objeto de troca, uma propriedade, nas mãos dos homens. Quando ficou mais velha, Firdaus foi morar com o tio que a enviou para um internato, onde lá teve a oportunidade de estudar, mas que logo em seguida, se viu em um casamento arranjado com um homem bem mais velho e controlador, até o momento em que não aguentou a situação e fugiu. 
Firdaus deixa claro que desejava o direito de ser um indivíduo, de comandar o seu próprio destino e foi aprendendo através de duras lições a encontrar o seu caminho. Porém, toda essa trajetória é marcada por dor e sofrimento e ela não consegue se livrar completamente de figuras masculinas que a tratam como uma propriedade.
É difícil contar a história de Firdaus em detalhes, pois é muito dolorosa de se discutir. Desde jovem ela percebe a injustiça no mundo e sofre diariamente apenas pelo fato de ser mulher. A sinopse resume bem o que podemos chamar de principais acontecimentos na vida de Firdaus, mas não faz jus à força que sua narrativa nos trás.
Firdaus é sem dúvida uma mulher forte, que se recusou até o fim a abaixar a cabeça diante daqueles que tentaram se impor em sua vida.
"Eu tomei consciência do fato de que odiava os homens, mas por longos anos mantive esse segredo cuidadosamente escondido. Os homens que eu mais odiava eram aqueles que tentavam me dar conselhos, ou diziam que queria me resgatar da vida que eu levava. Eu costuma odiá-los mais do que aos outros porque eles pensavam que eram melhores que eu, e que podiam me ajudar a mudar de vida. Eles se enxergavam como algum tipo de heróis magnânimos - um papel que não fizeram nenhuma questão de desempenhar em outras circunstâncias."
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2 comentários

  1. Olá! Que livro hein, parece ser uma leitura bem angustiante, e até mesmo cruel, ter que acompanhar relatos de tanta brutalidade, apenas pelo fato de ela ser uma mulher é chocante e revoltante, é um bálsamo, ao menos, saber que apesar de tudo, Firdaus tentou lutar por seu direito de ser livre.

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  2. Olá!
    Um livro muito interessante, me deixou um tanto curiosa com ele. Nesse mundo vemos que as mulheres eram tratada como objeto que se podia possui-lá e ao mesmo tempo fazer troca como uma mercadoria, mas é algo marcante na vida da mulher. É claro que essa mulher soube ergue a cabeça e lutar pelos seus direitos.

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