Resenha As Horas Vermelhas - Para que servem as mulheres? - Leni Zumas

Sinopse - Neste romance ferozmente imaginativo, o aborto é mais uma vez ilegal nos Estados Unidos, a fertilização in vitro é proibida e uma emenda constitucional concede direitos de vida, liberdade e propriedade a todos os embriões. Em uma pequena cidade pesqueira no Oregon, cinco mulheres muito diferentes vivem os dramas causados por essas novas imposições do governo enquanto levantam tradicionais questionamentos relacionados à maternidade, identidade e liberdade. Ro, uma professora solteira de ensino médio, está tentando ter um bebê sozinha, enquanto também escreve a biografia de Eivør, uma exploradora polar pouco conhecidas do século XIX. Susan é mãe frustrada de dois filhos, presa em um casamento prestes a ruir. Mattie, filha adotiva de pais apaixonados e uma das melhores alunas de Ro, descobre estar grávida sem saber a quem recorrer. E Gin é a talentosa curandeira da floresta, responsável por juntar os destinos dessas mulheres quando é presa e levada a julgamento em uma caça às bruxas moderna e frenética.


"As horas vermelhas" é uma ficção distópica que tem como foco central a mulher e o seu poder de decisão, ou melhor, a falta dele, em relação ao próprio corpo.Nesse mundo, as mulheres estão sob o vigor da Emenda da Pessoalidade:
"Dois anos atrás, o Congresso dos Estados Unidos ratificou a Emenda da Pessoalidade, que dá direito constitucional à vida, à liberdade e à propriedade a um óvulo fertilizado no momento da concepção. O aborto agora é ilegal em todos os cinquenta estados. Facilitadores de aborto podem responder por homicídio doloso, e as mulheres que o procuram, por conspiração para praticar homicídio. A fertilização in vitro também está banida em nível federal, porque a emenda proíbe a transferência dos embriões do laboratório para o útero (Os embriões não podem dar seu consentimento à mudança)." (p. 36/37)
A história irá girar em torno de cinco protagonistas: A Biógrafa (Ro), A Reparadora (Gin Percival), A Filha (Mattie), A Esposa (Susan) e Eivor (exploradora polar). Na superfície, são mulheres completamente diferentes entre si, mas conforme o enredo se desenvolve, observamos um elo entre todas e suas histórias vão se entrelaçando. Todas as personagens moram em Newville, Oregon, com exceção de Eivor.

Ro é uma mulher de 42 anos de idade, professora de História da escola local, a Escola Regional da Costa Central, que sonha em engravidar e se tornar mãe. Há algum tempo ela realiza tratamento de fertilidade, gastando assim dinheiro e se desgastando emocionalmente, mas não conseguiu até o momento realizar o seu sonho. E o seu tempo está acabando, pois está chegando uma nova lei conhecida como "toda criança precisa de dois" que proibirá que mulheres solteiras tenham filhos.

Nas horas livres, Ro pesquisa sobre Eivor, uma desbravadora que fez seu próprio caminho em uma época e local inóspito. São as suas pesquisas sobre essa exploradora polar que aparecem no livro, em forma de trechos, alternando com os dramas das outras quatro outras mulheres.

Gin Percival é a Reparadora, uma curandeira local que mora na floresta, isolada do mundo. Ela é vista como a "louca" do povoado, mas as mulheres sempre a procuram as escondidas quando precisam resolver algum problema sem chamar atenção dos maridos ou da sociedade. De todas as protagonistas, é aquela que expressa através da narrativa seus pensamentos de forma mais desconexa e sem muita linearidade. Em um momento ela fala de seus antepassados, por exemplo, para logo em seguida pular para um comentário pessoal e sem muito sentido inicialmente. O interessante é que, ao chegarmos ao final da história, seus devaneios são compreendidos.

Mattie é a Filha, uma adolescente, vista por todos como uma boa filha, uma ótima aluna e alguém com um futuro brilhante. Ela é adotada por pais mais idosos e é muito amada. Sua vida dá uma guinada completa quando Mattie descobre que está grávida e se vê sozinha para resolver a situação, tentando burlar a lei.

Susan é a Esposa. Mãe de duas crianças: Bix e John, casada com Didier, professor de francês na Escola Regional da Costa Central à primeira vista, possui a vida perfeita e seria motivo de inveja de muitas mulheres, mas por trás dessa fachada fantástica, Susan esconde seus pensamentos mais sombrios. Conforme avançamos na leitura, percebemos que Susan está sofrendo, profundamente deprimida e seus pensamentos migram para situações perigosas, e a protagonista encontra-se em um beco aparentemente sem saída.

"As horas vermelhas" traz um enredo reflexivo sobre os limites entre o governo e os direitos dos indivíduos sobre o seu próprio corpo. Uma situação que vem sido debatida ultimamente em séries e livros, que abre o discurso sobre a possibilidade de tal situação assustadora ocorrer no mundo.

A Editora Planeta realizou um ótimo trabalho com a revisão, diagramação e layout. A capa possui uma textura ao toque e apesar de sua simplicidade, chama a atenção.


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3 comentários

  1. Olá! ♡ Nossa, ainda não tinha ouvido falar desse livro, essa é a primeira resenha que leio sobre ele.
    Achei a trama ótima, adoro distopias e gostei bastante que a mesma está centrada na mulher e em seu poder de decisão e nos direitos de cada um sobre seu próprio corpo, são temas extremamente relevantes e que precisam ser trabalhados.
    Gostei que nesse livro vamos conhecer cinco protagonistas que tem suas histórias entrelaçadas. Quero muito conhecer cada uma delas e saber mais sobre suas vidas.
    É um livro que sem sombra de dúvidas, traz reflexões muito importantes!
    Obrigada pela indicação, vou adicionar este livro na minha lista de leituras com certeza, a premissa chamou bastante minha atenção. Beijos! ♡

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  2. Oiii ❤ Uau, que premissa! Nunca li nenhum livro sobre o tema, então achei a ideia da autora muito original. Além do fato de ser uma distopia ter me agradado.
    Realmente a liberdade das mulheres sobre os seus corpos ou a falta deles é um tema muito atual, que tem gerado várias discussões.
    Eu achei um absurdo o fato de o sonho de Ro de ser mas estar em xeque por causa de uma nova lei que proíbe uma pessoa de criar um bebê sozinha. Achei essa situação uma ótima crítica para a nossa sociedade, que só enxerga com bons olhos uma família constituída por um casal.
    Fiquei curiosa sobre a história.
    Beijos ❤

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  3. Olá!
    Nossa, um livro em tanto. A premissa é incrivelmente ótima. Me deixou com uma curiosidade imensa em relação a ele. A forma de como a autora aborda os temas entre politica e as forma das mulheres ser, é uma distopia com um tabu bastante atual. Gostei muito do livro!

    Meu blog:
    Tempos Literários

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